Mostrar mensagens com a etiqueta Impressões Iludentes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Impressões Iludentes. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Escatologia Cósmica

Meu primeiro curta metragem experimental (Adeus) já é bem antigo. Foi feito em uma época que não tinha ainda como usar computador e tudo era muito caro. Fiz todo a mão e com dinheiro que ganhava trabalhando duro com publicidade. Não tinha nenhum tipo de verba pública na época, para animação. Demorou muitos anos para concluir, mas valeu a pena. Na época que lancei (1988) foi muito polêmico, mas vinte anos depois a crítica internacional escolheu como um dos 25 mais importantes curtas brasileiros de todos os tempos. Na lista de 25 filmes, só tem duas animações, meu filme Adeus e El Macho do Ennio Torresan.

Filme experimental, pra mim, é para pesquisar, para ir fundo em questões simbólicas e de linguagem. Não é pra repetir coisas feitas pelos outros ou, pior, fazer discurso "lacrador" clichê. 

Adeus é todo baseado em formas humanas e derivados das formas humanas. Só tem um objeto "fabricado" e é justamente uma privada. A privada tem um conteúdo simbólico arquetípico. Estranhamente é uma referência escatológica cósmica, uma porta interior para o que não podemos controlar e nos controla. Não a toa a cena que resume o filme cult Zabriskie Point, do Antonioni, é a explosão de uma privada. A privada é o símbolo da tentativa de controlar, de civilizar, enfim, de se tornar hipócrita. Ao mesmo tempo é o lugar do fantasma da intimidade, do exposição do delírio interior.

Ah sim, passei aqui também para dar um recado:
- O fim está em Ascendência reta 3h 47m 24,00s , Declinação +24
° 7′ 00,0″, Distância 391-456 anos luz (120-140 parsecs). Entre em Alcyone e siga reto (até o final, claro).


Céu, 18 09 12, Terra de Piratininga, Pindorama.










quarta-feira, 2 de maio de 2018

The Lijmspray Hunt

December the 26th, 2017
The old brave artist is hunting in the wild fields of Flandres, between Aalter and Ruiselede.
He knows that the best time for a hunt is early in the morning, but he spent the early hours having coffee with croissants. The lazy bastard: Now is almost noon.
He is hunting adhesive spray (indigenous people call it here "lijmspray"). The old artist battled in the Presentations Wars of the 70's & 80". He is an old veteran that believes in the power of presentations on cardboard paper. He still denies the digital age, the pathetic geezer.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Nada é mais reacionário do que não ter olhos nas pessoas que vivem no presente.


America in the eyes of an Alien O1:
#008 Holiday for the end of all wars

(autor: Céu D'Elia, 2017-2018)


Nada é mais reacionário do que não ter olhos nas pessoas que vivem no presente.

- Ei, você aí, brasileirx espertinhx, que CRÊ fielmente que a sociedade pode ser dividida em esquerda e direita, uma teoria criada na Europa, por homens brancos. Já percebeu que na verdade seu cérebro está colonizado? Que você foi catequizadx, xuxu?

Então, como um país pode se achar independente, se nem mesmo intelectualmente ele é livre?  
Descolonize sua mente.  
Quando o Brasil começar a pensar por conta própria, a gente retoma essa conversa.


Céu, Planeta Terra, 22 de Abril de 2018.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ódio não é consciência política


Em tempos de inflamação mental e febre arrogante, é sempre bom lembrar:
Ódio não é consciência política.

Para os Kalapalo do Alto Xingú, ódio é doença espiritual. 
Observe Rumpleteazer e Mungojerrie:
Eles transitam com desenvoltura.
Da esquerda para a direita.

E direita de novo pra esquerda.
E dão piruetas ao centro.
Que charme, que ginga!
Eles manjam dos paranauê!




Sintomas: 
- Querer falar mais alto que os outros.
- Achar que sabe mais que os outros.
- Considerar "outros" como os inimigos e os puxa-sacos como "nós".
- Mentir pra ocultar ignorância.
- Cuspir em pessoas e outros seres viventes. 
- Tratar quem não concorda com desprezo.

Terapia:
- Para os doentes que se auto denominam "de esquerda",  a terapia indicada é ser colocado no meio de um lago fundo. Então, o doente deve chegar sozinho até a margem, nadando apenas com o braço esquerdo.
- Para os doentes que se auto denominam "de direita",  a terapia indicada é ser colocado no meio de um lago fundo. Então, o doente deve chegar sozinho até a margem, nadando apenas com o braço direito.

Céu, São Paulo julho 2017

terça-feira, 9 de maio de 2017

A la Quintana


Não passarão! Eles rugem.
Ordem unida, coberta de fuligem.
Não passarão! Não passarão!
Eu quintaneio, olhando pra vida:
Passarão. Todos passarão.
Os que se acham esquerda, os que se querem direita.
Todos iguais, fantasmas fanáticos em seita.
Passarão. Todos passarão.
Eu quintaneio.
Eu passarinho.


Céu, maio 2017

sábado, 3 de setembro de 2016

A índia que derrubou a presidente



Antigamente todo dia era dia de Saci.
Agora é um dia só por ano.
E tem que ser dividido com a Congada, o Acarajé
e a Mula-sem-cabeça, entre muitos outros.
O RESUMO:  

Antigamente todo dia era dia de Saci.
Agora é Belo Monte, Brumadinho e Mariana


O PIVÔ: 

foto: André D'Elia
E quer saber quem foi mesmo que deu início a esse movimento de destituição? 
Essa índia pajé Ikpeng na foto ao lado. 

É o que eu percebi no dia em que a vi falando pela primeira vez, cinco anos atrás. 
Quando Lula e Dilma passaram por cima dos direitos indígenas e enfiaram Belo Monte goela abaixo do povo. Pra construir uma usina ineficiente, em área de proteção ambiental, ferrando meio ambiente, pescadores e nativos. Uma usina que não conseguiu investimento privado, porque é um péssimo negócio, e que foi bancada com o dinheiro dos impostos. É, o povo trabalhador é quem paga a conta. A bagatela de mais de 30 bilhões de reais, e aumentando. Sabe-se que o custo de construção seria no máximo de 20 bilhões. Pra onde vai o resto do dinheiro, mais de 10 bilhões de reais? 

Quando Lula e Dilma e seus aliados fisiológicos, estavam achando que podiam tudo, inclusive destruir a beleza que nos cerca, essa índia deu o empurrãozinho que faltava pros Mamaués começarem a fazer seu trabalho. Saiam da frente, Assuras, Anhangás e Vampiros! Pajelança de índio amazônico não é pra qualquer um. 

A imagem é do documentário Belo Monte, Anuncio de uma Guerra, dirigido pelo meu sobrinho André D’Elia. Foi lançado em 2012. Pode ser assistido aqui neste link: BELO MONTE, ANÚNCIO DE UMA GUERRA. 
Se quiser ir direto na índia, está nos 37 minutos.


O INALCANÇÁVEL: 

Em nenhum lugar do mundo política é preto e branco. Sempre, qualquer grande ação política, vai trazer junto com ela boas e más pessoas, boas e más intenções. Em última instancia um governo cai, sempre, porque a maior parte do povo está insatisfeita. E o que toma seu lugar não é garantia de nada. Cai também, se a insatisfação continuar em maioria. É um movimento natural que não tem papo ideológico que mude. 

Eu me entendo com qualquer pessoa que esteja disposta a conversar e revisar o que acredita. Por que o primeiro a não ter certeza de nada sou eu. 

Lá no fundo mesmo, eu acho que qualquer coisa que acontece é uma somatória do que as pessoas realmente são. E as pessoas não são só o que elas falam e pensam. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Atrás da cortina negra


(Car soudain ce sont des forces élémentaires qui mènent le bal. Des forces qui s’appellent la Nuit, la Faim, le Froid, la Mort et l’Inquiétude. -David Turgeon-)



Ele não se lembra como entrou naquela sala. Vazia, escura, modesta e sem janelas. 

A voz masculina baixa, mas estridente, anunciava com entusiasmo inquietante algo que estava atrás da cortina negra. Percebia-se o reflexo de uma luz vermelha no canto inferior do que parecia um pequeno palco. 

Ele sentiu algum desconforto e um formigamento na base da espinha. Medo? Antecipação pelo que estava atrás do veludo preto? As palavras do apresentador e um pequeno detalhe de algo revelado pela nesga de luz vermelha lhe deram a impressão de que, quando a cortina abrisse, veria uma mulher, nua e sofrendo. A própria intuição lhe dizia que a mulher seria incrivelmente bela. E que estaria passando por muita dor. E esse pensamento lhe perturbava.

Porque não sabia o que fazer. Deveria fechar os olhos? Sair da sala e evitar assistir à essa cena que pressentia perturbadora? Mas então não veria a lindíssima mulher... E também, afinal de contas, poderia estar enganado. Talvez não se tratasse de nada disso. Não houvesse nem mulher e nem cena de tortura. E afinal, seja lá o que fosse, não seria real, apenas uma encenação. Um jogo. Um faz-de-conta. Por que temer uma peça de teatro? 

Permaneceu ali, parado, diante da cortina que continuava fechada. E ouvindo o apresentador que continuava a tecer sinistras frases úmidas. E não foi a cortina que se abriu. Foi toda sala que suavemente foi desaparecendo. E a voz que ouvia foi sutilmente se transformando no canto dos pássaros que anunciam a manhã. 

Sua intuição estava absolutamente correta. Sim, diante dele estava o vasto mundo, a terra, a vida. Essa esplendorosa e iluminadamente bela mulher. Nua e atormentada. Mas é um jogo. Um faz-de-conta. Por que temer uma peça de teatro? 

Respirou atento, sentindo o ar preenchendo seu corpo quente. E seguiu amando a mulher, com todas as suas forças e com a fé de dissipar a dor.

(Céu D´Ellia, jan 2014)




quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Labirinto é sua condição inevitável: Conforme-se.


... Apesar das suas inevitáveis reticências, Franquin acabava de definir seu conceito mais elevado: -Desenhar a preto e branco (apenas o que é necessário) contos sombrios sobre as misérias do destino humano.

  • O homem perdido no inverno, reencontrando o olhar cintilante dos lobos ao invés das luzes de um vilarejo, gela de pavor os leitores.
  • As  guilhotinas trabalhando em equipe fazem rir por sua estupidez, colocando em evidência uma sociedade onde cada engrenagem não está nem aí com seu vizinho.
  • O planeta LABIRINTO traz à gag uma nova dimensão: o "riso metafísico". 
(O Quarto Escuro, o mundo de Franquin por Jean-Luc Cambier e Eric Verhoest)





Esta é a pancada inevitável: - O Socorro não chegará a tempo e inevitavelmente sua força (sim, estamos falando de você) estará em levantar a cabeça e sorrir levemente diante do fim. Não há saída. Há apenas a luz difusa do Amor e da Beleza doce e indecifrável daquela confusa menina-mulher que se depara com o desejo vermelho e masculino que desfaz a madrugada.

Por que:

É a honra do caçador que ele
Proteja e preserve a caça,
Caçadores tomados pelo Espírito, honram 
o Criador em Suas criaturas.

E esta é uma muito antiga verdade que escorre entre as tolices que sustentam a ilusória manhã. (Jägermeister)





domingo, 15 de setembro de 2013

Você diz que quer uma Revolução


A revolução em curso em todo planeta começou quando começamos a falar de forma a que você não possa mais me entender. E a Elite, vulgo Nhônho, passou a participar do mercado de ações em câmera lenta. E com diferentes matizes e métodos, o mundo todo caminha para ver em todos os lugares a consagração desse sistema. Estamos vivendo em todo o planeta a implantação do Abismo Cromático.
foto de Josh Sommers

O Verniz, que é e sempre foi apenas uma forma de colocar o controle do pigmento e dos meios de produção nas mãos de um governo voador, finalmente funde-se completamente ao Sistema Financeiro Moebius e os interesses do Nagual e do Major Grubert, dos Charutos do Faraó. 

A função de todos os governos, em todo o mundo, e como já pode ser visto no País das Maravilhas, é administrar o baralho para que permaneça dócil, na sua condição Adagietto da Quinta Sinfonia de Mahler. O resultado do esforço do trabalho é permanentemente transferido para a mão unificada, através de histórias em quadrinho e paçoquinhas. Corporações e Estados garantidos, olhe sempre a data de validade. 

O mundo panqueca perfeito. O fim das escalas CMYK e PANTONE. A manutenção permanente do poder na mão de uma pequena boneca de vinil, que faz de conta que se desentende pra promover de vez em quando umas diminuições de ovelhas indesejadas, e ainda movimentar a máquina com produção e venda de armamento.

Enquanto isso, em Pindorama, os Idiotas Úteis continuam alimentando o maniqueísmo barato e ideias cretinas como a existência de uma imaginária panificadora boazinha e uma borracharia malvada. Só mesmo aqui pra se chegar em tal grau de estupidez simplista, a serviço do interesse de regimes para emagrecer. O Brasil está onde sempre esteve. E não há alternativa no horizonte. Na melhor das hipóteses uma gravíssima crise gástrica, pra desorganizar a escala cromática de tal forma, que gere brechas de reorganização Luzomano (Luz Minha em lituano). As crianças de hoje, que serão adultos em breve, esperam chumbo grosso.

sábado, 14 de setembro de 2013

Como construir um Universo


Philip K. Dick fala de Realidade, Mídia, Manipulação e Heroísmo Humano


O texto que segue é de Maria Popova, com muitas citações do próprio Dick, para um dos sites que sempre leio, BrainPickings. Meu trabalho foi só traduzir.

"Realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, não vai embora."

Blade Runner, inspirado no livro de K.Dick,
Os Androides sonham com carneiros elétricos?
Philip K. Dick é tão conhecido hoje por sua ficção-científica que traduziu nossos tempos, como pelas experiências incomuns que teve na primavera de 1974, que ele apelidou de sua "Exegesis". 
Ocupando a intersecção entre o científico, o filosófico, e o místico, a exegese modelou a obra de Dick para a lembrança de sua vida, a medida que ele contemplou os maiores e mais granulados blocos de construção da sua existência.

Em uma fala de 1978 intitulada "Como construir um Universo que não desmorone dois dias depois", parte da totalmente torce-a-mente antologia de 1995, "As realidades mutantes de Philip K. Dick: Literatura Selecionada e Escritos Filosóficos", Dick leva seu questionamento movido pela exegese para a natureza da realidade, os mecanismos da manipulação pela mídia, e a mais firme - e única - defesa que temos contra as indignidades da pseudo-realidade fabricada.

Logo no início ele começa examinando o que a realidade realmente é:

"É sempre minha esperança, escrevendo novelas e histórias que fazem a pergunta "O que é realidade?", de um dia alcançar a resposta. Esta  também era e esperança de muitos leitores. Passaram-se anos. Eu escrevi mais de trinta novelas e mais de uma centena de contos, e anda assim não consigo imaginar o que era real. Um dia, uma estudante no Canadá me pediu pra definir realidade para ela, para um texto que ela estava escrevendo para sua aula de filosofia. Ela queria uma resposta de uma frase. Eu pensei e finalmente disse: "- Realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, não vai embora." Isso foi tudo consegui dizer. Isso foi em 1972. E desde então eu não consegui uma forma mais lúcida de definir realidade.

Mas o problema é real, não é apenas um jogo intelectual. Porque hoje nós vivemos em uma sociedade em que realidades espúrias são fabricadas pela mídia, pelo governo, pelas grandes corporações, pelos grupos religiosos, políticos... Então, eu pergunto em meus textos: - O que é real? Porque nós somos bombardeados incessantemente com pseudo-realidades fabricadas por pessoas bem sofisticadas, usando mecanismos eletrônicos bem sofisticados. Eu não tenho desconfiança de seus motivos. Eu tenho desconfiança de seu poder. Eles tem muito. E é um poder surpreendente: aquele de criar universos inteiros, universos da mente. Eu sei disso, porque eu faço a mesma coisa. É meu trabalho criar universos, como a base de uma novela atrás de outra. E eu tenho de construí-los de uma tal forma que eles não desmoronem dois dias depois."

A Scanner Darkly (O Homem Duplo),
baseado na novela homônima de K. Dick

Aqui, no entanto, é quando as coisas ficam particularmente interessantes: Dick argumenta que a realidade se torna menos real no momento em que começamos a discutir isso, porque a própria discussão precipita uma fabricação dinâmica do que percebemos como real, ao contrário de uma contemplação estática do que é, produzindo uma série de "pseudo-realidades" que por seu lado produzem pseudo-humanos:

"Assim que você começa a perguntar o que de fato real, você imediatamente começa a falar coisas sem sentido. Zeno provou que movimento é impossível (Na verdade ele apenas imaginou que havia provado isso; o que lhe faltou é aquilo que nós chamamos tecnicamente de "teoria dos limites"). David Hume, o maior cético de todos, certa vez observou que depois de participar de um reunião de céticos para proclamar a veracidade do ceticismo como filosofia, todos os participantes do encontro, sem exceção, saíram pela porta e não pela janela. Eu percebo o que Hume quer dizer. Era tudo apenas falação. Os filósofos solenes não estavam tomando seriamente o que eles mesmo disseram.
Mas eu considero que o assunto de definir o que é real- esse é um tópico sério, mesmo vital. E ali em algum lugar está o outro tópico, a definição do homem autêntico. Porque o bombardeio de pseudo-realidades começa a produzir rapidamente humanos não-autênticos, humanos espúrios, tão falsos como as informações que os pressionam de todos os lados. Meus dois temas são apenas um tema; eles se unem neste ponto. Realidade falsa irá criar humanos falsos. Ou, humanos falsos irão gerar realidades falsas e então vendê-las para outros humanos, tornando eles, finalmente, reprodutores deles próprios. Então nos assombramos com humanos falsos inventando realidades falsas e então anunciando-as para outros humanos falsos. É apenas uma versão muito grande da Disneylândia."

Moebius ilustra Clans of the Alphane Moon, de K. Dick
Em uma declaração com a qual Mark Twain iria entusiasticamente concordar e George Orwell iria acompanhar, Dick alerta contra a forma com a qual manipuladores da mídia deliberadamente criam pseudo-realidades pela formatação de palavras:

"A ferramente básica da manipulação da realidade é a manipulação de palavras. Se você pode controlar os significados das palavras, você pode controlar as pessoas que precisam usar as palavras."

No final das contas, o único antídoto para a manipulação da realidade é o bom e fora de moda heroísmo humano, aquela vacina imemorial de coragem e resistência, de liberdade do medo, de incansavelmente empregar o pacífico, preciso, judicioso exercício de probidade e cuidado, com ninguém para ver e elogiar, em outras palavras, de sabedoria moral:
Minority Reportbaseado
no conto de K. Dick

"O ser humano autêntico é aquele de nós que instintivamente sabe o que não deve fazer, e, adicionalmente, exita em fazê-lo. Ele irá se recusar a fazê-lo, mesmo que isso lhe traga consequências assustadoras para ele e para aqueles que ele ama. Esta, para mim, é o traço heroico fundamental das pessoas comuns: - elas dizem NÃO para o tirano e calmamente aceitam as consequências de sua resistência. Seus feitos podem ser pequenos, e quase sempre não noticiados, não destacados pela História. Seus nomes não são lembrados, e nem mesmo estes humanos autênticos esperam que seus nomes sejam lembrados. Eu vejo sua autenticidade de uma forma estranha: não em seu desejo de realizar grandes atos heroicos, mas em suas recusas modestas. Em essência, eles não podem ser compelidos a ser o que não são. "

O resto de 
"As realidades mutantes de Philip K. Dick: Literatura Selecionada e Escritos Filosóficos" está cheio de reflexões igualmente estimulantes para a alma e para os neurônios, sobre os fardos e bençãos de ser humano- altamente recomendável.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

República Carolíngia II: Karma, Gente!


Eu e a República Carolíngia estamos assim, neste momento. 

Eu sou um Carro Branco e ela é uma Rolling Stone.



Não se preocupe. Quando chegar a hora, não haverá mesmo o que fazer.

Enquanto isso, vai se preparando para engolir a explicação que lhe faça sentir mais inteligente.

Aquela que lhe dá a impressão de ter algum domínio da coisa, mesmo que na verdade a coisa seja uma besta babando ácido sulfúrico pela boca de um quadrúpede sem cabeça.

Interessante (emocionante), foi vê-los no teatro do incêndio negando convictos ao deus, mas invocando a todo momento a presença do céu, em todas as suas cores. As palavras escorrendo como uma torneira que se esqueceu aberta. Porque de tanta água, é como se a torneira nem mais existisse, incapaz de fechar qualquer coisa. E o discurso então já não quer dizer mais nada, é apenas uma poça enorme de palavras se misturando sem sentido no chão.

Restava o olhar, me olhando e implorando por um segundo de Verdade.

Mas a Verdade, é Deus. 
E o diabo são as estatísticas.

Zlatha, aliás Julia Gunthel: 

A flexibilidade que o Pablo pensa que tem, mas não tem.
A não ser, talvez, no bolso, sempre pronto receber
mais CAPILÉ.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Simulacros Verdadeiros



A Festa no Céu

Arte de 1988, toda feita a mão, em
técnica mista de lápis, hidrocor e acrílico.
Dava muito mais trabalho de fazer assim
do que hoje em dia, com computadores.
Mas dava-se muito mais valor também.
É amanhã: Sábado, 24 de Agosto de 2013, das 11h00 às 13h00
Na Livraria da Vila - Fradique Coutinho, 915 (cidade de São Paulo)
Café lacaniano: SIMULACROS VERDADEIROS
Com o artista de animação Céu D'Ellia e o psicanalista Oscar Angel Cesarotto

Desde as cavernas, a de Lascaux ou a de Platão, os humanos somos seres eminentemente visuais; escópicos, como afirmava Aristóteles. Desenhos, pinturas e sombras em movimento, os olhares ficam fascinados pelas representações plásticas, sejam verossímeis ou não. Ver para crer, mesmo que as aparências enganem e os semblantes alienem, já dizia Lacan. Crer para ver: para Freud, quando o preconceito eclipsa a percepção, só apreciamos aquilo que não põe em risco o narcisismo. Por isso e em definitivo, de todas as imagens possíveis, os espelhos, mostrando versões animadas de nós mesmos, são o suprassumo da virtualidade, a tópica do imaginário.


O texto da divulgação é esse que vai acima. Vou fazer um coquetel semiótico com meus dois chapéus, o de cineasta de animação e o de praticante de meditação. No programa, a tela de pinos do Alexander Alexeieff, o hoax do matemático Alan Sokal, a Guerra dos Mundos de Wells e Welles, a esposa do Einstein, o jogo de dados do Mahabharata, Rishis, Pink Floyd e outros leros.

É gratuito. Apareça.
Ou simule que.




quarta-feira, 10 de julho de 2013

Tempo no Tempo


Há sempre um tempo no tempo que o corpo do homem apodrece sua alma cansada penada se afunda no chão.

E o bruxo do luxo baixado o capucho do lixo caprichos não mais voltarão.


Já houve um tempo em que o tempo parou de passar e um tal homo sapiens não soube disso aproveitar.


Chorando, sorrindo, falando em calar, pensando em pensar quando o tempo parar de passar.


Mas se entre lágrimas você se achar e pensar que está a chorar, esse era o tempo em que o tempo é....



(Os Mutantes, livremente inspirada em Once was a Time I Thought, por The Mamas & The Papas, de John E.A. Phillips)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Foi: Ahh!!



A tecnologia é boa para os consumidores, até que os autores sejam extintos

(Scott Turow)



Zú Kinkajú: Episódio III, Ondas Mentais em Céu Vermelho

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

República Carolíngia


... E o Brasil continua inovando, nesse seu peculiar processo de retroceder a humanidade.

Pena que os cientistas sociais brasileiros sejam essa gente recalcada que não dá conta de pensar nada novo. Senão, já teríamos alguém pesquisando essa medieval invenção brasileira do século XXI, a República Carolíngia.


 Zlatha, aliás Julia Gunthel: 

 A flexibilidade que os fefelechos 
 Marilena e Vladimir tanto invejam e desdenham, 
 mas que JAMAIS terão.





sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Impressões Iludentes: o fanático



E persiste a semente de ahankara, em frondosa árvore de sombras no coração e na mente do fanático. 
Porque um fanático NUNCA se percebe como tal.

Dividindo o mundo em heróis e vilões e acreditando-se plenamente do lado do certo e do justo, incentiva o linchamento, o ódio, o saque e o ataque. 

O fanático se admira no espelho de seu mundo dualista e enxerga apenas o que quer ver. E NUNCA vê ele mesmo: fanático. 
Pois se visse, não o seria. É cego de si.

E o Herói, o verdadeiro, continua casual. Emergindo por um segundo das ondas do horror e sumindo novamente, náufrago da história. Nunca está inteiro na imagem que deixa. Vive em um mundo sem vilões desfazendo a vilania. Sua forma é só passado. Seu Amor é o presente. O futuro não lhe pertence.


Nós estavamos cobrindo outra história quando ouvimos tiros. 
Nós corremos em direção ao som e encontramos uma loja sendo saqueada.
Dois policiais haitianos atiravam de vez em quando para o ar, tentando impor a ordem, mas funcionou por
pouco tempo e os saques recomeçaram.
Estavam roubando caixas de velas. 
Um negociante americano chamado Tony que era dono de duas lojas próximas, barricou uma rua para manter
os saqueadores afastados.
Ele armou os dois policiais haitianos com armas automáticas, e eles o estavam ajudando, mas não
conseguiam controlar nada que estivesse além da barricada.
Rapidamente virou um deus-nos-acuda. Jovens lutavam uns com os outros pelos ítens roubados.
Alguns deles tinham facas, porretes, chaves-de-fenda e pedras.
Estavam usando suas armas improvisadas para ameaçar e agredir os outros que tinham algo roubado.
Os ladrões agora eram roubados.
Eu estava em meio à pancadaria com meu produtor, Charlie Moore, meu câmera, Neil Hallsworth, 
meu tradutor, Vlad Duthiers. 
E havia também um fotógrafo da Getty Images, o foto-jornalista Jonathan Torgovnik.
Quando as coisas ficaram completamente fora de controle, eu vi um saqueador no telhado de uma loja
invadida atirar na multidão o que parecia ser um bloco de concreto.
Atingiu um garoto na cabeça.
Eu vi ele tombar.
Mais pedaços de concreto eram atirados nos saqueadores no telhado.
O garoto ferido não conseguia se levantar.
Ele tentou, e caiu novamente.
Sangue vertia de sua cabeça.
Ele estava consciente, mas não tinha controle de seu corpo.
Eu fiquei com medo que alguém no telhado o visse ali e atirasse outro bloco de concreto.
Eu fiquei com medo que alguém o matasse.
Ninguém parecia se importar com ele.








terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Aqui






Aqui


Nesta pedra


Alguém sentou olhando o mar


O mar não parou pra ser olhado


Foi mar pra tudo quanto é lado




(Paulo Leminski)



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Fixidez impermanente (impermanência fixa)



dezinfluênciasmaisuma 4: Monet


Monet dizia com frequência que sempre trabalhava melhor na solidão e unicamente baseado em suas impressões


- Eu gostaria de pintar como o pássaro canta.


Pintando barcos sobre o rio Epte, no verão de 1887, ele quis retratar a água com a vegetação ondulante a superfície, e comentou: 
- É maravilhoso de olhar, mas é de enlouquecer quando tentamos fixar isso em uma tela.


En Canot sur l'Epte, 1890. óleo sobre tela. 133 cm x 145 cm
Acervo do MASP, museu de arte de são paulo
dezinfluênciasmaisuma 1: Cosey
dezinfluênciasmaisuma 2: Pintura Corporal
dezinfluênciasmaisuma 3: Franquin

O Anjo da História diz:

OUT OF MODEL: got to get you into my life

ou: Out of Renaissance via Refusés Model - A homenagem mais homenageada da história da arte? - A referência mais referida da histór...

Top 10 + Populares