Mostrar mensagens com a etiqueta Logorrhea Animada. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Logorrhea Animada. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

De volta para o futuro do pretérito


Quem costuma passar por aqui, sabe que dei um tempo do blog.

Na verdade dei um tempo do Brasil. E desde final de agosto de 2015 estou em Nova York. Vim aqui pra exibição de estréia de um curta metragem no qual criei a sequência em animação, Love Will Rescue You (O Amor vai salvar você). E acabei ficando, desde novembro, como diretor de arte da Little Airplane.

Eshu Yoruba (detalhe)
Meu primeiro desenho totalmente digital.
Fiz pra aprender a usar a Cintiq.

Não sei quando volto e se volto. O Brasil estava me deixando doente. 

Qual o destino de quem abdica do próprio discernimento?

O que me levou a escrever de volta aqui no blog foram três coisas. Uma segue agora. As outras, quem sabe depois.
Um estudante chamado Ricardo Macedo fez uma entrevista comigo, pra incluir em uma tese de mestrado dele.
Aí me deu vontade de publicar aqui, pra quem quiser.

Segue:

1) Para você, o que é cinema de animação?
É uma arte que envolve todas as outras e que tem ampla capacidade de comunicação. Mas até hoje essas virtudes foram pouco exploradas.
Apesar de seu potencial coletivo, ainda é prioritariamente valorizada como obra de um diretor. Apesar de seu potencial de comunicação, ainda é utilizada para narrativas muito convencionais.

2) O Estado Brasileiro no decorrer das décadas apoiou o cinema de animação? (estúdios, animadores, filmes etc).
Esse é um assunto complexo. É clichê pensar que o Estado tem que apoiar o cinema. Seria irresponsável da minha parte dar uma resposta curta e simplista para esse assunto. Então fico apenas com uma resposta direta a sua pergunta: Sim, desde que eu me lembro como profissional, comecei no fim dos anos 70, sempre me lembro de algum apoio. Sempre foi no entanto um apoio muitíssimo menor do que o dado a filmes live action.

3) Qual época foi a melhor para a animação no Brasil?
“Melhor” é uma palavra muito relativa. O que posso dizer certamente é que a recuperação econômica do Brasil no início deste século, somada ao boom da animação no mundo todo, que vem desde o final da última década do século XX, contribuíram para esta época recente ser a mais produtiva. Ao menos em quantidade de filmes.
Em 2006 eu apresentei ao governo um estudo detalhado de engenharia econômica, feito por minha conta, sobre o potencial econômico da animação brasileira no mercado internacional. Apresentei também uma sugestão de estratégia para conquistar esse mercado. Infelizmente só arregalaram os olhos com a possibilidade de lucro e investiram de uma forma que mais pulverizou verba do que outra coisa. Os animadores, estúdios e produtoras não ajudaram nada, porque não souberam aproveitar esse potencial da melhor forma. Partiram para o cada um por si, disfarçado com discursos exteriores de união.  É uma pena. A animação brasileira produziu muita coisa, mas se conseguiu se viabilizar independente do Estado, é o que vamos ver agora que o país quebrou.

4) Como você compara os estúdios do Brasil com os da Europa e América do Norte?
É uma pergunta ampla demais. Existem muitos tipos diferentes de estúdios de animação, na Europa e na América do Norte. Com tamanhos, pipelines e tipos de produção muito diferente entre si.
Mas tentando responder:
Animação, pelo menos por enquanto, é uma arte industrial. Ela se consolida em países industrializados, porque tem uma relação de tecnologia, mercado e distribuição típica de países industrializados. O Brasil é um pais que tem indústria, mas em desenvolvimento. A diferença é essa. Enquanto em países da Europa, America do Norte, Ásia e Oceania existe uma produção de animação consolidada, no Brasil ela ainda não estabilizou plenamente e é mantida a fundo perdido (e pulverizado) pelo Estado.

5) Comente sobre o Anima Mundi e ABCA - Associação Brasileira de Cinema de Animação.
Alguns diretores do Anima Mundi ficariam surpresos em ver você colocar o Festival e a ABCA na mesma pergunta.
Anima Mundi é um festival independente, criado e dirigido até hoje pelos mesmos quatro animadores. Cresceu bastante, graças à competência  e trabalho de seus diretores, e é um dos maiores festivais de animação do mundo. Certamente contribuiu e continua contribuindo para a divulgação e expansão da animação no Brasil.
Em relação à ABCA, fui sócio fundador e membro do Conselho de Ética. Assisti a inúmeras manipulações e durante um certo tempo achei que aconteciam porque a direção, do eixo Rio-São Paulo, não tinha experiência com associações. Como eu tinha uma experiência prévia longa com ONGs sócio-ambientais, tentei orientar a direção. Aí percebi que não estavam nem um pouco interessados em desfazer as manipulações e me retirei da mesma. Não me pareceu uma associação séria. Isso aconteceu há mais de dez anos e ignoro se conseguiram sanar seus problemas.

6) Por que existe preconceito por parte dos cineastas em relação à animação e os animadores com conceitos, por exemplo, de que animação não é cinema?
Por ignorância.
 
Natura Artis Magistra:
A Natureza ainda é a minha maior inspiração.
Foto arte que fiz a partir de uma foto que tirei na aldeia
Kalapalo, Alto Xingú, em 2002.
7) Comente o que mais marcou você no trabalho de animação em estúdios fora do Brasil.
Já trabalhei na Amblimation, em Londres, que foi o estúdio que deu origem à Dreamworks Animation, na Califórnia. Trabalhei na Disney de Paris. Trabalhei com vários outros estúdios, mas diretamente do Brasil, contribuindo como free-lancer. Atualmente sou Diretor de Arte de um pequeno estúdio em New York City, o Little Airplane, que produz para canais de TV como Discovery e Disney. Talvez o que mais tenha me marcado seja a preocupação desses estúdios em realmente saber o que o público pensa dos filmes. No Brasil os estúdios fazem interpretações muito vagas do que seja a reação do público.

8) Como você vê a hierarquização de estúdios, animadores e formas de fazer animações nos USA, Europa e no Brasil?
A hierarquização é necessária para alguns tipos de trabalho. É uma conseqüência direta do modelo social hierárquico da própria sociedade. Eu estava estudando uma outra forma de produzir quando criei o NUPA, mais baseada nas idéias de John Ruskin e do modelo medieval de estúdio, de produção coletiva, que tem uma hierarquia mais leve, de consulta e aprendizado.
Ao menos na Europa e EUA a hierarquização não significa necessariamente um desrespeito humano com as pessoas, ainda que existam abusos em alguns lugares.  O estúdio em que trabalho em NYC co-produz com a China. Faz parte do meu trabalho como diretor de arte fazer uma avaliação do trabalho produzido na China. Lá a hierarquização é ainda mais pesada, pouco espaço pra pensar por conta própria. E a direção tem mão pesada. É como o modelo político do pais, não é?

9) Em sua obra. Você se inspirou em algum cineasta ou animador?
Minhas influências vem mais da literatura latino-americana, da dança contemporânea, dos quadrinhos europeus dos anos 70-80 e de alguns pintores diversos. E principalmente da própria natureza. Natura Artis Magistra.

10) O que é o cinema de animação no Brasil hoje? Como chegou a ser o que é? Qual foi e é a sua importância (se teve/tem)? Quais foram os elementos mais determinantes ao longo de sua história? O que já foi feito e o que precisa ser feito em termos de um incentivo à produção contemporânea?
Essa pergunta não dá pra responder. É ampla demais.
O que posso dizer é que quando consegui implantar o NUPA em São Paulo estava exatamente trabalhando nos pontos principais que precisam ser tratados:
-       Formação profissional consistente e original.
-       Linguagem própria que ao mesmo tempo tenha grande alcance de público.
-       Temática que se afaste dos clichês e aproxime os filmes de um conteúdo capaz de fazer refletir sem ser pessimista
-       Adequação da verba de produção a resultados melhores na tela mas capaz de propiciar vida digna aos artistas e técnicos. Verba realista.
-       Criação de repertório e estilo inovador.
-       Inovação na forma de trabalhar coletivamente.
Os filmes que fizemos no período em que o NUPA existiu podem ser assistidos e comprovam o que eu digo. Acompanhar o destino dos alunos e artistas que participaram do projeto também comprava que estávamos no caminho certo.
Lamentável que a política mesquinha e desonesta do Brasil tenha novamente destruído mais uma boa iniciativa.

11) A animação dependeu de iniciativas particulares? O cinema de animação brasileiro vingou por teimosia?
Com certeza sim.

Céu D’Ellia
New York City, NY julho de 2016



domingo, 30 de setembro de 2012

Declaro (apesar dos atiradores de pedra)...



Na semana de 31 de agosto a 6 de setembro de 2012 o CCJ Ruth Cardoso foi destaque no caderno DIVIRTA-SE do jornal ESTADO DE SÃO PAULO. Também ganhei um espacinho junto com o NUPA, nessa matéria.

É muito raro a imprensa paulistana divulgar as coisas boas que a Prefeitura faz e por isso fiquei bem surpreso com esse destaque. Tirando a Virada Cultural, que é incontornável, os jornais praticamente boicotam o acesso da população a saber o que é oferecido a ela pela Secretaria Municipal de Cultura. Eu mesmo procurei as redações dos jornais para divulgarmos nossas oficinas gratuitas e o Prêmio Paulicéia. E durante três anos: nada. Um dos prêmios do terceiro Paulicéia finalmente foi divulgado pelo Estadão, único jornal por enquanto a fazer isso.

Nestes anos em que estive por aqui ví coisas maravilhosas serem oferecidas no CCJ, mas nenhuma linha na imprensa colaborando com a divulgação.

Nos próximos dias anuncio aqui no blog a lista de artistas contratados para  FILME PILOTO, um novo projeto do NUPA. E em breve, mais um filme da série Paulicéia será lançado em nosso canal: CANTA, TYETÊ!

Mas no momento quero esclarecer algumas questões que surgiram ao longo da execução do projeto do NUPA através do CCJ Ruth Cardoso e Secretaria Municipal de Cultura, e que envolvem interpretações políticas.

Alguns alunos manifestaram surpresa ao saber que não faço parte de nenhum partido político. E eu fiquei surpreso com essa surpresa: - Porque eu deveria? Aliás, eles acham que devo ser do partido do atual prefeito, ou do prefeito que indicou o atual Secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil.

Em maio de 2012, depois de três anos
sem nenhuma linha nos jornais,
o caderno Metrópole do jornal Estadão
deu à população a oportunidade de ser
informada de nosso quarto prêmio
Paulicéia, o Cena de Amor.
Eu não sou de partido nenhum e pretendo continuar assim. Quero meu trabalho reconhecido pelo mérito e não por ser puxa-saco ou esbirro. Prezo minha independência intelectual como minha própria vida.

Essa coisa de achar que eu sou de um partido político chegou ainda mais longe: Uma aluna comentou com um artista residente: - O Céu é legal, mas pena que é de direita.

Aliás, essa idéia de que a Esquerda é do Bem e a Direita é do Mal é coisa de quem não sabe o que quer dizer esquerda e direita. Mas pessoalmente na verdade, eu não concordo com esse tipo de teoria política, que me parece demasiado simplista. É fruto de um tipo de mentalidade materialista, que acha que dinheiro, tecnologia e classe social são as únicas coisas importantes para o ser humano. E Espírito, Amor, Natureza, Arte e Imaginação, que são coisas bem mais importantes para este Ser Humano que está escrevendo isto aqui agora, ficam de fora dessa teoria tosca.

Então estou declarando:

- Não sou de nenhum partido político.

- Não sou de direita, porque não acredito que o Indivíduo substitua o Espírito, o Amor e a Natureza.

- Não sou de esquerda, porque não acredito que o Estado substitua o Espírito, o Amor e a Natureza.

- É o despertar do Espírito, do Amor e da Natureza que trazem todas as conquistas humanas, inclusive a justiça social.

- Acredito que o Coletivo é no mínimo o Universo.

- Quero meu trabalho reconhecido pelo meu esforço e mérito, e não por ter carteirinha de algum partido político ou facção doutrinária.


Fato:
O que é bacana no CCJ Ruth Cardoso é que os jovens tem espaço, estrutura e até recursos financeiros para fazerem a arte e a cultura que querem. Podem pensar e falar o que querem. Os shows gratuitos são super legais e lotam, mas isso é só uma das muitas atividades do centro, mantido com uma equipe enxuta mas super dedicada.
O entorno e o próprio bairro mudaram e melhoraram muito com a instalação do CCJ. É só comparar como era em 2005 e como é hoje.
Seria legal as pessoas estarem mais bem informadas antes de atirarem pedras. Correm o risco de fazer um papel bem feio. 
Se deixar levar por incentivadores de ódio é do livre arbítrio de cada um, claro. Mas certamente não é a opção que vai construir um mundo bom e justo. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012

A História Mundial da Animação






O livro de Stephen Cavalier, The World History of Animation, é recomendado por Jerry Beck. E veja que Beck, um dos blogueiros do Cartoon Brew, é considerado no meio o próprio Mr Animation History.
Segundo Jerry o livro é indicado para quem procura por uma história geral sólida, que cubra o básico e um pouco mais. Vai até 2010, chegando a Toy Story 3, da Pixar, e L'Illusioniste (no Brasil, O Mágico) de Sylvain Chomet. Jerry acrescenta que é mais adequado a estudantes e historiadores iniciantes. 


É no idioma do Bardo, não do Caolho, claro. 


O autor Stephen Cavalier, Cav pros amigos, foi um dos assistentes que trabalhou comigo na Amblimation (futura divisão de animação da Dreamworks), em Londres. Eu era supervisor de animação e tinha um grupo de assistentes para fazer os intervalos e clean-ups de minhas cenas. Antes de assinar meu contrato, preocupado com a eventual resistência que teriam na Europa a um brasileiro liderando uma equipe, coloquei como cláusula que poderia trazer outros brasileiros para serem meus auxiliares. Isso permitiu que alguns brasileiros viajassem para Londres com garantia de emprêgo legal. Mas minha previsão foi completamente equivocada. Foram exatamente meus conterrâneos que, depois que chegaram lá, começaram a se sentir incomodados por me estarem subordinados. E, ao contrário, artistas de outros países, entre inglêses, alemães e italianos (além de uma australiana e um espanhol), achavam ótimo participar de minha equipe. Eram sempre gratos, diziam que eu os auxiliava no processo de formação profissional, que aprendiam muito comigo, etc. Até hoje tenho um afeto bem grande por essa gente. Os bastidores da animação são lugar de convívio de pessoas como qualquer outro. E no fim das contas, no dia a dia dos estúdios, o convívio entre os profissionais é o que mais pesa no resultado do trabalho e na qualidade do que se quer fazer.


London, UK, 1989. Meu time: 






da esquerda pra direita, Stephen Cavalier,
Rudi Bloss, Céu D'Ellia, Denise Dean, 
Andrea Simonti, Dave Webster & Brenda
Então o Cav, vinte anos depois, quando estava escrevendo seu livro, me pediu uma pequena colaboração com informações sobre a história da animação brasileira. Fiz o melhor que pude e acabei entrando na equipe. Veja lá, na página 416 da primeira edição, em Researches. - Thank you very much indeed, Cav! 
Na minha cópia ele escreveu uma dedicatória bem legal, mas vou deixar as palavras que ele escolheu guardadas pra mim.  


Bom dizer que o livro, pelo objetivo de ser tão abrangente, tem que ter cortes e limitações. Como foi precisamente colocado pelo Jerry Beck, é um livro para iniciantes e está longe de esgotar o que merece ser conhecido e estudado. Mas é realmente muito bom como ponto de partida para conhecer os principais artistas, tendências e obras, e daí pesquisar mais, em outros materiais. 
Cav tendo um dreamwork premonitório


Então, o que foi incluído sobre o Brasil é apenas uma pequena cronologia. E nem tudo que submeti ao Cav entrou. Ele cruzou informações e fez as escolhas finais. Desejo que os que se sentirem excluídos tenham paz em seus corações.


Se não estou enganado, até o momento só existem dois livros internacionais que incluem o Brasil na história da animação. Este, do Cav, e Cartoons do Giannalberto Bendazzi.
Esquerda pra direita: Stephen Cavalier,
Rudi Bloss e uns pedacinhos de
Denise Dean e Andrea Simonti.
Parece que o Cav estava comemorando um
bolão que tinha ganho apostando na Seleção
dos Camarões. Mas  ainda estou esperando
ele ou a Denise me explicarem direito essa
história


Clique aqui pra ir para o link original do Brew
Nas fotos ao lado não estão todas as pessoas que fizeram parte de minha equipe. Entre as que faltam, destaco o catalão Alfons Moliné, que também virou escritor, professor e especialista em anime e manga. Um dia ainda coloco um post aqui no Iludente sobre o trabalho dele. 







segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Parte do Porquê

Animação é arte de sociedade industrial. Parte da razão da animação brasileira não ir pra frente tem haver com as mesmas razões da indústria brasileira, como um todo, não ir pra frente.
A outra parte tem haver com a incompetência tanto dos produtores de animação brasileiros, que se recusam a olhar o assunto com clareza e preferem apostar em uma suposta genialidade que acreditam possuir sozinhos, como a incompetência dos governos em abordar de fato a questão, ora fazendo investimentos pulverizados e duvidosos, ora não fazendo investimento nenhum.
Segue abaixo um artigo simples e didático de um jornalista e economista, que sabe passar o recado, sobre a primeira metade do porquê: As razões do atraso da indústria brasileira como um todo. 

Carlos Alberto Sardenberg - O Estado de S.Paulo
Por todo lugar onde passo, ouço histórias de indústrias brasileiras que perdem mercado para concorrentes chineses. Trata-se de uma dupla perda. De um lado, há companhias locais que não resistem à entrada dos produtos importados. Na outra ponta - e talvez seja o caso mais dramático -, empresas exportadoras são deslocadas pelos chineses de mercados na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa.
São situações bem diferentes, a exigir respostas diferentes. No caso da concorrência dos importados, é até mais fácil. No limite, e sem discutir, por ora, o mérito dessa política, o governo brasileiro pode impor severas restrições à importação, combinando-as com medidas de favorecimento ao produto nacional. Como, aliás, já começa a fazer.
Mas como fazer para equilibrar a concorrência com os chineses no mercado de ônibus urbanos no Peru? Pode-se até conseguir alguma coisa por meio da diplomacia - Hugo Chávez, por exemplo, a um dado momento, deu preferência a produtos e serviços brasileiros, como na construção de obras públicas. Mas está claro que isso é episódico. Governos estrangeiros, em regra, não vão conceder proteção às mercadorias brasileiras.
Que fazer? Executivos envolvidos nessas histórias têm suas explicações e propostas.
O real valorizado e o yuan, moeda chinesa, desvalorizado são, claro, parte importante do problema. Mas tenho ouvido cada vez mais outras interpretações, que colocam a questão da competitividade geral das duas economias.
Os salários chineses, por exemplo. Já não são baixos, pelo menos não nos setores mais avançados, como eletrônicos, informática e tecnologia da comunicação - contam executivos que lidam com essa concorrência. Dizem que os salários têm subido de maneira expressiva nos últimos anos e, mesmo assim, os produtos deles preservam preços competitivos no mundo todo.
Mas os impostos sobre a folha de salários fazem muita diferença. Ou seja, em diversos setores econômicos, o dinheiro que o trabalhador brasileiro leva para casa não é mais do que o obtido pelo chinês. A diferença efetiva está no imposto cobrado sobre a folha de salários: aqui, algo como 35%; lá, quase nada.
Na verdade, o peso dos impostos brasileiros fica cada vez mais evidente. Ouço frequentes relatos de executivos brasileiros que têm na ponta da língua a sequência infinita de impostos, taxas e contribuições que pagam desde o início da produção até colocar a mercadoria no navio.
Todo mundo sabe disso, a começar pelo governo. Tanto que todas as políticas industriais incluem como peça essencial a desoneração de impostos para setores e empresas. Mas não funciona, porque só podem ser beneficiados alguns poucos escolhidos, uma vez que o governo continua precisando de arrecadação para financiar gastos crescentes. Este ou aquele setor ganha uma competitividade extra, e dependente das autoridades de plantão, mas o geral da economia continua pagando caro.
O outro problema cada vez mais evidente é o custo de capital - a taxa de juros.
A empresa brasileira se financia a juros muito, mas muito maiores que a chinesa. De novo, a política industrial concede financiamentos a juros baixinhos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas poucos têm acesso a esse dinheiro barato. Quer dizer, barato para o tomador, mas caro para o governo, que o subsidia.
Acrescente o custo da infraestrutura - a gente não faz um aeroporto novo há décadas, os chineses fizeram uma rede - e se tem a história toda.
Nada disso é novo. O que me parece novo é o aparecimento frequente desse tema na bronca dos executivos. Antes, quase só se reclamava da taxa de câmbio. Hoje se fala mais do custo Brasil, antes do câmbio.
Essa é a abordagem correta. Claro que um real bem desvalorizado - a R$ 3 por dólar, digamos - tornaria mais competitivos os produtos brasileiros lá fora. Mas provocaria uma forte inflação local, ao encarecer os importados e os produtos locais comercializáveis internacionalmente. Seria um novo tipo de custo Brasil.
Por outro lado, a proteção ao produto brasileiro no mercado brasileiro também vai encarecer o preço, sem representar ajuda para a exportação.
Eis o ponto: produzir no Brasil ficou muito caro - pelos impostos e juros e pelo ambiente de negócios (custos burocráticos, de licenciamento, etc.) - e não há mais real desvalorizado que resolva.
Bobeamos nisso. Há anos que a carga tributária aumenta todos os anos - e isso tem passado quase sem oposição. Não digo que devemos importar os republicanos americanos, mas vamos reparar: a gente paga mais imposto que os americanos.
Há anos pagamos juros elevadíssimos e parece que está tudo bem. Até acreditamos quando nos dizem que sai em seis vezes no cartão sem juros. Ora, pessoal, essa autoenganação está passando do limite.
O que atrapalha o Brasil, o que impede o crescimento mais rápido, o que nos derrota na concorrência com os chineses é o governo - que arrecada demais, gasta demais, e mal, e ainda por cima deve muito, toma muito dinheiro emprestado, forçando os juros para a Lua.

domingo, 12 de junho de 2011

Webdahora (agora? já foi!)



Leia bem a data deste post, aí em cima: 12 de Junho de 2011.  E este texto é um resumo da apresentação que fiz no Ruth Cardoso no último sábado do mês passado. 
Por que tanta preocupação minha em fixar o tempo deste post? Porque trata-se de um instantâneo do momento. Dentro de algumas semanas muito pode acontecer e o que tornou relevante estes cases pode já estar superado. 
É que o assunto é internet, a terra da rapidez, do efêmero, do será tudo e já passou. Webdahora é o nome da mostra que apresentei, com um retrato dos casos mais recentes de utilização inteligente da web, para exibir e produzir animação. 
O que segue pode tornar-se clássico ou ser esquecido na próxima curva ilusória do tempo. Deus, que é a Verdade, sabe melhor disso. As estatísticas, como sempre, duvidam. 


Então vamos nessa:


ENCONTRAR QUEM QUER LHE ENCONTRAR:

Com Vimeo, YouTube, Dailymotion e outros sites de publicação de filmes, e destaques em blogs como Cartoon Brew, muitos novos autores estão encontrando mais destaque e público para seus filmes, e mais rapidamente, do que através do tradicional circuito de festivais. Além de ser muito mais fácil fazer o upload de um filme, do que preencher as longas fichas de inscrição, gastar dinheiro com correio e cópias. Claro, se você ganhar um prêmio em um festival, a atenção para seu filme está muito mais garantida do que perdida no meio do dilúvio dos sites de conteúdo. Então colocar o filme na internet e inscrevê-lo em festivais são coisas complementares. Há quem diga: quanto mais janela, melhor. Especialmente se você é um novo autor, fazendo curtas metragens que não vão ter mesmo retorno financeiro de distribuição e cuja principal meta é apenas divulgar seu estilo, ideáis e trabalhos, para ser conhecido no meio-artístico. 

Por exemplo: 

Matthias Hoeggalemão de Munich, nascido em 1983. Mudou-se para a Inglaterra em 2003, para estudarilustração e animação na Kingston University. Trabalhou em diversos estúdios até ingressar no Royal College of Art, em Londres, para dirigir seus próprios curta-metragens. Seu primeiro filme, August, foi concluído em 2009. Em 2010, lançou seu filme de graduação, Thursday. Ambos filmes podem ser encontrados e assistidos na internet. Ainda em Londres, Hoegg atualmente é diretor no Studio Beakus.


Nick Di Liberto, canadense de Hamilton, Ontario. Apaixonado por animação tradicional. Fez e colocou para circular na web seu filme Medusa. O curta foi totalmente desenhado a mão, usando apenas lápis e papel. Aliás, pela qualidade da animação, muito lápis e muito papel. As cores são digitais. O filme circulou rapidamente o mundo via web, chamou a atenção do outro lado do mundo e Di Liberto, neste momento, deixou a tundra canadense e está trabalhando no Japão, para uma emprêsa de vídeo games.

Matt Reynolds, americano estudande de Artes e Cultura Visual no Bates College, em Lewiston, Maine, Estados Unidos. Também estudou stop motion em Rockport, Maine, e produção 16mm na escola FAMU, em Praga, República Checa, tradicional origem dos filmes clássicos dos mestres em puppets em stop motion, Jiri Trnka e Jan Svankmajer. Os filmes de Reynolds tem um ritmo muito peculiar para contar histórias ainda mais peculiares. Poderiam estar classificados na categoria "esquisitos" ou "muito estranhos". Graças à internet ele está encontrando toda uma tribo de espectadores peculiares, espalhados pelo mundo, que admiram e entendem a esquisitice de filmes como At the top of the tallest mountain in the world, que eu aliás adorei. Na quarta vez que vi, ainda estava descobrindo coisas novas. Reynolds considera o diretor David Lynck e o animador checo Svankmajer suas maiores influências. Faz sentido.
Aliás, uma observação: Não vou postar aqui os links dos filmes. Por favor, não é difícil encontrar. Dê um copy paste nos títulos e nos nomes dos autores que rapidinho um robô gratuito da web faz esse serviço pra você.


FALAR LIVREMENTE:
Outro uso bacana da web é permitir o acesso a filmes que por uma razão ou outra foram censurados ou banidos das suas mídias tradicionais. Aliás, essa pode ser até mesmo uma estratégia de propaganda para um trabalho; ter uma segunda versão mais polêmica ou com cenas cortadas, que vão atrair a atenção de internautas. 

É mais ou menos o caso dessa animação de abertura da série The Simpsons, que só pode ser vista na web. Escrevo "mais ou menos" porque nenhuma versão da história de por que ou como foi feita essa abertura, realmente me convenceu. Mas uma coisa é certa: levantou a peteca do seriado da família amarela de Springfield.
O criador dessa sequência de abertura é um artista igualmente polêmico e de biografia incerta: Banksy. Inglês nascido em Bristol, em 1975. Na pré-adolescência foi expulso da escola e preso por pequenos delitos. Iniciou sua carreira de artista plástico grafiteiro com 14 anos de idade. Sua identidade é incerta. Não se encontram fotos ou informações muito precisas sobre ele. Reza a lenda que nem sua família sabe que ele seria o tal grafiteiro famoso. "Eles pensam que sou um decorador e pintor de paredes", teria contado Banksy. Ativista declarado, uma de suas principais marcas é a criação de pequenas intervenções que geram grandes repercussões.
Na abertura dos Simpsons atribuída a ele, seu nome aparece pichado duas vezes, no início da sequência; na parede da escola e em um outdoor. O filme percorre Springfield e acompanha seus moradores tipicamente americanos e consumistas, para terminar em algum lugar na China, onde trabalhadores reduzidos à condição de escravos do governo, produzem os filmes e o merchandising da própria série, cercados de trabalho infantil e destruição do meio ambiente. Em pouco menos de dois minutos o filme joga um holofote no mundo de hoje, onde o capitalismo e o comunismo deram-se as mãos para enriquecer uma meia-dúzia de patifes, enquanto o resto da humanidade divide-se entre escravos e estúpidos, vivendo todos em um ecossistema que naufraga. Não sei se o filme foi realmente criado por Banksy, mas combina com seus grafites. E é genial. E marca a internet como o lugar onde as idéias finalmente podem correr soltas, para o bem e para o mal.

APRESENTAR SEUS PERSONAGENS E ALAVANCAR RECURSOS:
Outros autores também estão utilizando a web para exibir livremente e divulgar seus trabalhos, mas vão mais longe. Querem promover seus próprios personagens e alavancar recursos para novas criações.
Alguns são bastante jovens, como Aaron Long, de Toronto, Ontário, no Canadá. De criança, o que não deve fazer muito tempo, era obsecado pelas Looney Tunes. Gosta de tocar e compor música e assistir filmes antigos. Atualmente estudando animação na Max the Mutt Animaton School, onde vai fazendo desenhos animados com seu personagem Fester Fish, uma espécie de Sponge Bob mais underground. Imagino que o sonho do Aaron seja ver seu personagem virar série, a medida que a web o tornar mais popular e com mais público. Boa sorte, Aaron! Eu pelo menos já dei umas risadas boas com seu peixe.
No mesmo caminho parece que está o argentino de San Isidro, Buenos Aires, Leo Campasso. Atualmente com 23 anos, anima com Flash desde os 12 anos. Seu estilo é uma combinação de animação digital com tradicional, em estética influenciada pelos vídeo-games de 8-bits e pelos seriados de animação. Me chamou especialmente a atenção seu filme Travelers with short legs. Lembra a série Adventure Time, com Finn e Jake. Mas tem uma Patagônia em bg (e em coração), o que dá um ar mais naturalista e profundo ao filme, que finalmente parece apontar para algo possivelmente inovador.
Enquanto os dois jovens acima estão tateando e abrindo caminho, um artista velho de guerra também está dando seus tiros na web, mas com uma estratégia mais madura e articulada. É Joe Murray. Ele ficou famoso na vaga de ressurgimento da animação no início dos anos 90, como criador, diretor e produtor de Rocko's Modern Life, exibida mundialmente pela Nickelodeon. Joe nasceu e foi criado em San Jose, California, Estados Unidos. Sobrevive de fazer arte desde os 16 anos. De uma geração de animadores independentes, criadores de personagens irreverentes e demolidores das instituições mais respeitadas. Depois do sucesso de Rocko, partiu para a Cartoon Network, onde, com Linda Simensky, criou Camp Lazlo, hit premiado com o Emmy em 2007. Mas não sei se Joe tem alguma parte dos direitos dessas duas séries que citei. O que muita gente não imagina, é que essas grandes empresas não tem o hábito de dar percentagem para os criadores de personagens que são lançados em seus canais. Geralmente aceitam a proposta de criação e investem pesado, mas exigem a detenção completa dos direitos e do retorno financeiro. Em outras palavras, é bem provável que tanto Stephen Hillenburg, criador de Sponge Bob, como Joe Murray, com Rocko e Camp Lazlo, não vejam nem muito, nem algum dinheiro em seus bolsos com o sucesso de seus personagens. Se alguém tiver alguma prova em contrário, por favor, manda pra mim. Mas essa é a informação que tenho dos bastidores de executivos que trabalham nessas majors. 
Então suponho que Joe Murray criou na internet sua própria tv, a KaboingTV.com, para finalmente conseguir ser o dono de seus próprios personagens. Nesse pequeno canal, seus fãs podem conhecer Frog in a Suit. Detalhe importante: Murray produziu os primeiros filmes desse sapinho de terno com o sistema de crowdfunding. Utilizando sites como IndieGoGO ou Startup, um autor pode propor que façam pequenas, médias e grandes doações que viabilizem um projeto qualquer. Como Murray já é conhecido e tem seus seguidores, conseguiu a grana para alavancar a produção de seus filmes assim.
Também estão tentando chamar a atenção para seu projeto, os espanhois de um pequeno estúdio independente, em Barcelona. O projeto é um longa metragem chamado I'm a Monster. O estúdio chama-se Headless e foi fundado por Adrian Garcia, Alfredo Torres e Victor Maldonado.
Os três formaram equipe na produção de outro longa, de 2007, Nocturna. O design produzido nesse estúdio realmente impressiona. Entre as crenças da Headless está a de que a revolução digital não é inimiga da animação tradicional. Ao contrário. Graças aos recursos de composite e outras ferramentas, acreditam que é possível utilizar o desenho feito a mão de formas mais interessantes e rápidas.
Repare que, apesar da produção ser espanhola, o idioma falado de I'm a Monster é o inglês. É uma tônica de muitas produções animadas que querem conquistar a web. Ou os personagens são mudos, ou falam inglês. O pessoal da Headless fez um teaser realmente atraente para chamar a atenção do mundo. Agora querem o dinheiro para contar o resto da história, que promete.

ALAVANCAR TRANSMÍDIA:
Outros estão utilizando a web em articulação para projetos de transmídia. 
É o caso de Gabe Swarr. Cartunista de Burbank, California, Estados Unidos. Estudou na Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art. Desde 2007 e até o presente trabalha como Supervising Producer na Nickelodeon Animation Studios. Nesse caminho de ter a propriedade dos direitos dos personagens que cria, montou uma série de mini animações para celular que tem a esperança de que se transformem em uma febre que se espalhe entre muitas pessoas. A série chama-se Life in the Analog Age e é auto-biográfica. Gabe conta fatos de sua infância de garoto típico dos Estados Unidos e busca como público aqueles que tem memórias como as suas.
Com mais poder de fogo, outro que vai no caminho de alavancar uma propriedade transmídia vias web é o designer, empreendedor e tecnólogo Stewart Butterfield. Ele já tem um histórico de sucesso na rede: é co-fundador do Flickr e foi seu presidente até sua aquisição pelo Yahoo em 2005, continuando como Gerente Geral até 2008. Flickr.com atinge 80 milhões de visitantes-mês. Por essa proeza, Stewart foi indicado pela Time Magazine como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Outra dessas 100 sou eu, mas o Time Magazine não sabe.
Bem, voltando ao Stewart, graduado pelas Universidades de Victória, Austrália e Cambridge, Reino-Unido e morando em Vancouver, Canadá. Ele atualmente é presidente da Tiny Speck, que co-fundou. E estão colocando na web um jogo multiplayer chamado Glitch. O jogo é um chamariz atraente para pessoas de todas as idades. E se pegar, talvez a Tiny Speck repita o sucesso da Ankama.
Ankama é o exemplo de sucesso preferido na webdahora do mundo dos negócios de entretenimento via web. O nome parece japonês e os produtos da empresa também. Mas os sócios da Ankama são todos herdeiros de Carlos Magno e Charles Aznavour: Três francêses, Anthony Roux, Camille Chafer e Emmanuel "Manu" Darras. O nome Ankama deriva daí: ANthony, KAmille e MAnu. E a especialidade deles é o design de Massive Multiplayer Online Role Playing Games.
Em 2003 lançaram seu primeiro jogo, em Flash, Dofus. Inicialmente gratuito, o sucesso foi tanto que os jogadores, na maior parte crianças, se dispuseram a pagar para manter o jogo disponível na web. Em 2005 Dofus virou também quadrinhos. E novos jogos foram para a internet: Dofus Arena e Wakfu
Em 2007 começaram a fazer séries de animação com os personagens dos games. Atualmente fazem sucesso até no Japão. Penso que devem ser os primeiros manga e anime importados pelos japonêses. Isso é que é sucesso!

TER SEU PRÓPRIO PÚBLICO:
Bom, voltando ao nosso primeiro exemplo de utilização inteligente da internet, a divulgação de filmes autorais, para fechar com o que mais me chamou a atenção, pela qualidade, nesta lista de cases:
Manny Hernandez, caricaturista de Chula Vista, California, Estados Unidos. Está estudando na Cal Arts e Drop'd, de 2011, é seu filme de segundoanista. O filme é muito bom. Desenho animado tradicional, leve, bom de ver. E com uma mensagem forte, que emerge em meio a aguda simplicidade poética. Se continuar assim, Manny vai no caminho de dois outros autores que estão conquistando poderoso espaço na web.
Um é David O'Reilly. Nascido em 1985, em Kilkenny, Irlanda. Diretor e artista, atualmente em Berlin, na Alemanha. Conhecido por criar curtas metragens de animação com estética despojada. Seu curta Please Say Something recebeu o Urso de Ouro no Festival Internacional de Berlin 2009 e prêmio de melhor roteiro em Ottawa 2009. Em 2010, The External World recebeu o Primeiro Prêmio no Festival de Stuttgart. Além de todos esse prêmios e de utilizar a web para se fazer mais conhecido, com blog e canais próprios, O'Reilly joga com os hábitos dos internautas: uma criança de 9 anos chamada Randy Peters começou a postar no YouTube filmes feitos por ela mesma, contando a história de Octocat, um animal meio gato, meio polvo. Os filmes começaram a ter diversos seguidores e tornaram-se um viral. De repende, um filme concluiu a história de Octocat, mas produzido em 3D e com musica clássica. E descobriu-se que a criança autora dos filmes não existia, sendo tudo uma farsa montada por O'Reilly.
E para concluir, Nick Cross. Animador e cartunista de Toronto, Canadá. Após alguns curtas bem sucedidos, financiados com ganhos de trabalhos comissionados, graças à internet, conseguiu criar público próprio. E esse seu público, através do sistema de crowdfunding, garantiu os recursos para a realização de seu curta metragem de 2010, The Pig Farmer. E é um filme que tem o que dizer. 
Da mesma forma que Joe Murray, Nick financiou seu filme com crowdfunding. E da mesma forma que Banksy, fez algo que tem mensagem forte e própria. Uma crítica coerente e inteligente, um alerta, sobre como as drogas são instrumentos de manipulação. Veja o filme. Crescendo em seguidores, Nick está agora tentando alavancar os recursos para seu primeiro longa metragem, que se chamará Black Sunrise. Bobeia e eu também vou pingar minha contribuição nesse projeto. 
Pra fechar o post, impossível não deixar de citar uma hiper talentosa colaboradora de Nick, em seus projetos: Sua esposa Marlo Meekins. Veja as imagens postadas junto com este texto e me diga se estou errado.

É isso. A logorréia atacou forte. E talvez daqui a algumas horas, todas estas histórias estejam ultrapassadas.
Ou não.



O Anjo da História diz:

OUT OF MODEL: got to get you into my life

ou: Out of Renaissance via Refusés Model - A homenagem mais homenageada da história da arte? - A referência mais referida da histór...

Top 10 + Populares