Mostrar mensagens com a etiqueta NUPA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta NUPA. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

UPA, Neguinho!


Enquanto estudo novas possibilidades para a volta do NUPA, eis que o Kurupyra e o Queixada Negra voltam a galopar, em grande estilo.

A convite do INCUB, comandado pelo Gil Caserta no SESC SOROCABA, vou estar no mês de fevereiro dando três palestras gratuitas, com exibição de filmes e orientação para iniciantes. Apareça!

É o UPA, NEGUINHO!
A arte internacional da animação revista pelo eixo da UPA.
A partir de uma greve nos estúdios Disney em 1941 surgiu a UPA, estúdio que produziu obras que mudaram para sempre a história da animação internacional. A UPA foi a ponta de lança da única revolução puramente estética e temática da arte da animação, arte que regra geral modifica-se muito mais em função das disponibilidades de verba e tecnologia. Para entender o que foi essa revolução é preciso conhecer o que era produzido antes da UPA e todas as suas consequências até os dias de hoje.

Dia 5 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: naturalismo e estlização, cartoon americano, animação não-objetiva, técnicas alternativas, linha de produção & surgimento da upa.


Dia 12 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: influência da upa, animações naturalistas, estilizadas e simplificadas, filmes adultos, cartoon de tv & filmes publicitários dos anos 50.


Dia 19 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: anime, escola de zagreb, animação independente, animação experimental e artistas contemporâneos inspirados pela upa.

O SESC SOROCABA fica a Rua Barão de Piratininga, 555, em Sorocaba, claro.



quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sandro Cleuzo é homenageado em Firenze.


Quando eu crescer querer ser Sandro Cleuzo.

Um filme de animação pode ser feito de diversas formas, que se assemelham de certa maneira a outras formas de organização humana conhecidas. Uma equipe pode ser como uma pequena banda de jazz que toca ao mesmo tempo e improvisa. Ou como uma enorme indústria automobilística, cheia de operários especializados, trabalhando em uma linha de montagem, a partir de sofisticados projetos de design e engenharia. A maioria do que se vê por aí, no entanto, vai na linha fast food, e no final das contas, a promoção do produto tem muito mais qualidade que o produto em si. Se é que o produto tem alguma...

Os longa-metragens de animação clássica, principalmente aqueles realmente originais e ao mesmo tempo efetivamente capazes de se comunicar com o público, são feitos por equipes que se assemelham a orquestras. 
Em uma orquestra não pode ter músico ruim, tocando fora do tom ou do compasso. Não há como disfarçar um desempenho abaixo do minimamente bom. Quem tem que ter o ouvido pra identificar cada uma das diferentes participações em uma orquestra e corrigir o que é necessário, é o maestro. Essa é a função do diretor em um longa de animação clássico. Identificar o papel de cada artista e saber como integrar com o todo, ao mesmo tempo que percebe aquela fração de tempo dentro da peça em que algo pode ser valorizado e se destacar.
E na orquestra há os solistas. São aqueles musicistas que em um determinado momento executam a melodia principal, sozinhos ou acompanhados, carregando com eles o foco da peça. Assim são os animadores principais em um desenho animado, que sustentam a essência mágica da animação em seus traços, timing e spacing. Existem muitos animadores bons e medianos. Mas são raros os virtuoses. É preciso muita concentração e dedicação. Pouquíssimo provável acumular a função de diretor e animador principal. A não ser que se ignore a necessidade de ter uma data para terminar o trabalho. Porque enquanto o diretor precisa estar a uma distância segura para enxergar o todo, os animadores principais são aqueles que vão conhecer cada detalhe menor da forma de se mover de seu personagem. Como atores principais encarnando seus papéis, músicos solistas se integrando a seus instrumentos.
Sandro Cleuzo é um desses, dessa tradição de poucos nomes, como Art Babbitt, Milt Kahl ou Bill Tytla

Uma das principais razões de Canta, Ty-Etê! ter ficado bonito do jeito que ficou foi a animação de Sandro Cleuzo. Um prazer enorme trabalhar com ele. Poder discutir os pequenos nuances que fazem tanta diferença e que definem a singularidade de uma animação. 
Em Firenze, na Academia NEMO,
Sandro também ministrou um workshop
de dois dias, para alguns sortudos


Recentemente, Sandro, que está atualmente na Califórnia, USA, trabalhando em uma produção da Dreamworks, merecidamente recebeu uma homenagem na Itália, em Firenze (Florença), uma cidade carregada de simbolismo para as artes de todos os tempos e preenchida de obras primas da Renascença. Segue uma breve conversa com o Sandro:


Sandro: Desculpe a demora pra responder. Mas é que foi uma correria aqui e não parei um minuto. 

Iludente: Que prêmio é esse e qual o motivo de você ter sido escolhido?
Sandro: O Prêmio é chamado Nemoland e foi criado por uma escola de animação e artes visuais que se chama NEMO NT Accademia Delle Arti Digitali, em Firenze (Itália). Juntamente com o apoio da cidade. Todo ano eles realizam o Nemoland, onde homenageiam 2 artistas de várias áreas da indústria de animação mundial. Este ano foram escolhidos eu e o animador Victor Navone, da Pixar. Fui escolhido pelo meu trabalho em geral, pelo minha contribuição para a industria da animação até agora.


Sketchbook lançado por ocasião do prêmio
Iludente: O que pode nos falar do que está fazendo agora?
Sandro: Estou animando no projeto da Dreamworks "Me and My Shadow", um longa que combina animação feita a mão e CGI.  E sobre um rapaz e sua sombra, que tem personalidades diferentes. Os personagens são animados por computador, mas suas sombras são animadas a mão.

Iludente: Planos de projetos futuros?
Sandro: Sim, estou desenvolvendo o projeto de um longa que se passa no Amazonas. Vou tentar ir atrás de financiamento e gostaria de faze-lo no Brasil. Também estou tentando terminar um curta metragem pessoal.


Exposição de trabalhos de Sandro

na Academia NEMO.
Bom, quem quiser conhecer mais do trabalho desse artista genial, tem aqui o endereço do seu blog: Inspector Cleuzo.

Tenho certeza que a cidade de São Paulo ganhou muito ao produzir esse pequeno curta do NUPA, em homenagem ao maior de seus rios. Quem conhece e ama de verdade esta cidade vai concordar comigo. É preciso escrever "ama de verdade" porque Amor é uma palavra fácil de ser usada hipocritamente. 

Canta, Ty-Etê!, um pequenino curta animado por esse artista desta cidade que precisou deixá-la, para que seu talento pudesse fluir. Mas como dizem: - É o Brasil... 

- É o Brasil; foi isso que ouvi outro dia a respeito do melancólico fim do NUPA
Encontrei o Ari Nicolosi (Zica e os Camaleões) na platéia de Reality, longa genialésimo dirigido por Matteo Garrone. Comentei com ele: - Como é que pode um programa como o NUPA, que estava abrindo espaço e acesso de verdade na periferia da cidade, realizando filmes significativos, alavancando a indústria de animação brasileira, criando oportunidades profissionais reais para jovens, fazendo os melhores artistas da cidade interagirem e deixarem sua marca no acervo material e imaterial brasileiro, lançando novos talentos, discutindo de forma aberta e democrática temas relevantes, sendo socialmente justo e antenado pacificamente nas necessidades do seu tempo, acabar assim? 
Pois é. A resposta do Ari disse tudo: - É o Brasil...


É a Itália:
O Nemoland 2013
e os artistas homenageados,
na imprensa da Itália.


É os Estados Unidos: 
Cartaz do longa
em produção nos Estados Unidos,
com equipe da qual faz parte
o artista Sandro Cleuzo.


quarta-feira, 20 de março de 2013

#FICANUPA: Mais apoios e uma pedrada



Bom, este post é pra atualizar quem está acompanhando a tentativa de sobreviver do NUPA. Há os que torcem a favor, felizmente em maior número, e os apedrejadores. 



COMO ESTÁ INDO A NEGOCIAÇÃO COM A SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE SAMPA: 
Até o momento em que estou escrevendo este post, neste Equinócio de Outono de 2013, marcando o fim do verão, a novidade é que no fim da semana passada tivemos uma resposta do Gabinete. Aceitaram marcar uma reunião, mas até este momento, sem data ou horário definidos. A informação mais recente é que aguardam a chegada do Secretário, que está na Europa. Esperamos juntos.



Segue nas redes sociais a campanha #FICANUPA, com memes, ilustrações e mini animações. Pede-se principalmente assinaturas na petição, que pode ser acessada neste link:


  • Para assinar é preciso estar cadastrado no Facebook e ter o app Causes desbloqueado (settings/blocking ou configurações/bloqueio).
  • Se assinar, por favor, confira se seu nome apareceu de fato na petição.




Alguns blogs bem relevantes dedicaram posts ao NUPA e ao assunto da petição criada por alunos e artistas. Clique nas imagens se quiser acessá-los:


O cartunista e ilustrador 
Orlando Pedroso 
fez uma entrevista bacana comigo.

Me perguntou coisas que 

nem aqui no Iludente contei.

O blog do Festival Anima Mundi
apresentou o NUPA para seu imenso público
e desencavou um depoimento que dei
em 2010 e que nem sabia que existia.

Mondovazio honrou a camisa do cartoon
e não exitou em chutar na canela e
não ser chapa branca.

The Cab, o blog nacional de concept art,
apoiou mais uma vez as ações do NUPA.


Quem entrou na campanha #FICANUPA e me deixou super feliz foi o gaúcho LANCAST MOTA, criador da ANABEL

Muchas gracias, Lancast! Beijo pra Anabel

Mandou este desenho do Mundo Anabel, ao lado, apoiando.
Muchas gracias, Lancast! 
Beijo pra Anabel! Abraços pro Pai, pra Mãe, pro Ulisses, o Téo e o Delegado Caranguejo.




ALUNOS DO NUPA:
Se vocês procurarem aqui no Iludente os posts de produção dos paulicéia Canta, Ty-Etê! e Bicicletas em São Paulo, vão poder ler o depoimento de vários alunos que passaram pelo NUPA. Mas tem vários outros que ainda não publiquei, e acho que esta é uma boa oportunidade pra postar mais alguns:


EDUARDO RAMUSKI (aluno NUPA): O NUPA é uma oportunidade rara. Adoro o conceito escola-estúdio. Pensava que fosse impossível começar um curso de animação sem pensar em investir uma boa grana. Os e-mails que são trocados, os videos compartilhados são sempre muito inspiradores.
Fez aumentar mais ainda meu interesse pela animação, arriscar e experimentar outros estilos de desenhos, aguçar minha visão artística para cores, movimentos e cenários. E descobrir artistas e escolas de animação que eu não conhecia.
Ilustra do Eduardo Ramuski pro #FICANUPA
O que eu mais gosto são as aulas teóricas e o empenho de todos os envolvidos. 
Caso o NUPA continue, desejo que tenha mais opções de horários e dias da semana.

ANA DE MAURO (aluna NUPA): Já aviso que a forma que vou escrever é um pouco sentimental e pessoal por conta desses tantos anos.
É estranho, mas apesar de não trabalhar como animadora, sinto que ser aluna do NUPA me ensinou muita coisa não somente na área profissional, mas na pessoal também. Lá conheci muita gente talentosa, alguns são amigos bem próximos. Me interesso por essa área, gosto de me manter informada sobre o que acontece e acho que isso floresceu a partir das aulas. Além de aprender muita coisa, cresci junto com o NUPA e me sinto uma pessoa mais feliz comigo mesma.
Por estar mais interessada em animação e ilustração, acabei ganhando vantagem na minha área (edição literária). Me formei com um projeto sobre quadrinhos e agora edito livros que tocam essa área artística. Sei, basicamente, como as coisas funcionam e aprendi a observar melhor o mundo e as pessoas com quem convivo.
Uma coisa que me agrada muito no NUPA são as aulas de conteúdo. Gosto de poder assistir e participar. Também acho interessante como as pessoas, novatas ou não, estão sempre se ajudando, dando feedback aos outros animadores e são empolgados com toda e qualquer evolução. Parece que agora somos quase uma sociedade paralela. Hahahhaa!
Eu não gosto da incerteza, se o NUPA irá sobreviver. Tínhamos sempre produção, procura, os alunos adoravam... A verba poderia não sumir...
Não sei se é possível ter apoio da prefeitura e de outros órgãos, mas isso seria legal para garantir que o NUPA continue funcionando por mais tempo.

Ilustra do Anderson Alves pro #FICANUPA
LEANDRO TADEU (aluno NUPA): Sim, o NUPA acrescentou muita coisa positiva pra mim. Conheci artistas muito bons, conheci trabalhos de artistas que admirava, mas muitos deles nem sabia o nome. No NUPA melhorei bastante meus trabalhos, acabei exercitando bastante meus desenhos quando trabalhei no projeto Expansão, e com os exercícios das aulas com o Gil.

SERGIO ASSIS (aluno NUPA): Bom, o NUPA acrescentou muitas coisas pra mim. Passei a ter uma visão mais ampla do que é animação, de seu usos e processos. E mais do que isso, passei a amar animação como um todo!
Uma das coisas mais legais do NUPA é a metodologia de ensino, por que vai muito além da coisa mecânica das escolas de vídeo-aula. No NUPA
o estudante tem liberdade para descobrir e desenvolver suas habilidades de visualização, criação, expressão e execução. E ao contrário de outros métodos, o estudante aprende a se conhecer como artista. Sem falar nas  aulas de conteúdo que são incríveis, onde se aprende muito em tão pouco tempo.
Uma sugestão pra melhorar poderia ser mais dias na semana! Seria ótimo! Abraço!!

ZIZA (aluna NUPA e artista plástica): Além de ter acesso a todo um novo panorama, que é a animação digital, conheci novos artistas e pude tirar dúvidas pessoalmente com um dos mais requisitados animadores do Brasil. Foi muito positivo para uma evolução, não só na animação.
Contribuiu para a minha formação artística, tive uma evolução no traço, na formação da estrutura do desenho e etc. 
Gostei das aulas de desenho em movimento, modelo vivo, e ter acesso a uma parte da história da animação mundial.

Ilustra do Alex Cói pro #FICANUPA
EMERSON PEREIRA (aluno NUPA): Oi! O NUPA acrescentou primeiro uma noção de de timing e cut out. Como o Éder já disse, as palestras dos animadores brasileiros fazem muita diferença. No meu caso, foi o que me levou ao NUPA. Até mesmo o contato com o ToonBoom e colorir no Photoshop, com o Raff, ocorreram no NUPA. Enfim, foram aulas de muito conteúdo, aprendizado e contato com outros profissionais ou aspirantes a profissionais da área.
Contribuiu para minha formação. Expandiu muito meu olhar sobre animação e principalmente, minha prática. O que mais gostei foi de ver sentido entre a teoria e a prática. Ver o gráfico de frames fazer sentido, junto com os vídeos de MacLaren, depois de já ter visto algumas vezes sem entender nada, foi o que mais me deixou contente. O mesmo se fez nas palestras conversando com os profissionais e com o Éder e o Raff nas oficinas. Ah! Ser de graça também foi tudo de bom!
Se tratando do NUPA, gostei de tudo. Mas se futuramente existir uma segunda unidade mais próxima do centro, vai ser tudo de bom. Abraço!


Vou deixar mais depoimentos de alunos do NUPA pra outros futuros posts, pra não overdosar. 


E tratar agora dos atiradores de pedra. Que são poucos, mas inevitáveis. Como eu já escrevi aqui antes, incentivar o ódio é do livre arbítrio de cada um, mas não é a atitude que vai construir o mundo bom e justo.


Antes de continuar, melhor invocar Mary Andrews Poppins: 


E tem também a questão do limão: 
- Se o mundo lhe dá um limão, faça uma limonada!
O que, como já visto anteriormente neste blog, faz a gente se perguntar;
-papai, por que eles nos odeiam?




O fato é que a dona de um negócio em São Paulo, que se apresenta como produtora de animações, a Sra. Melina Manasseh, apoiada pelo seu marido e sócio Sr. Alê Machado (aka Alê McHaddo), supostamente fez algumas afirmações a respeito do NUPA, através das redes sociais. 
Acho importante poder esclarecer dúvidas e este blog serve, entre outras coisas, pra isso. Então desde já agradeço a Sra. Manasseh pelo questionamento e pela oportunidade. Ainda que pessoalmente acredite que existem formas muito mais elegantes, educadas e respeitosas para motivar esclarecimentos.
Inicialmente Sra. Manasseh entrou na própria petição dos alunos e produziu o seguinte comentário, apoiado pelo Sr. Machado:

Foi contra argumentada por alunos, outros cineastas de animação e por mim. Retirou seu comentário, pelo que acreditei que percebeu que estava enganada, desinformada e eventualmente caluniando a Secretaria Municipal, o São Paulo City Film Commission e os profissionais envolvidos com o NUPA. Mas infelizmente, em seguida, ela postou a mesma coisa novamente em sua própria página no Facebook, desta vez bloqueando meu acesso para que eu não pudesse dar explicações. E um pouco depois, postou novamente o mesmo comentário em uma ilustração da campanha #FICANUPA do artista Alex Cói, desta vez incentivando aos leitores para que checassem com a ABCA (associação civil que reúne animadores brasileiros) a veracidade de suas afirmações:

Então, mais uma vez agradeço a Sra. Manasseh pela oportunidade e esclareço:
  • Não existe no orçamento da Secretaria Municipal de Cultura um volume destinado especificamente à produção de filmes de animação para que possa se afirmar, como ela afirma, que todos os incentivos foram repassados exclusivamente ao NUPA.
  • A verba do NUPA foi recebida através do CCJ Ruth Cardoso, proveniente do FECAP (Fundo Especial de Promoção das Atividades Culturais). Não tem nada a ver com a verba destinada ao cinema administrada pelo ECINE, São Paulo City Film Commission. Portanto a verba de editais não tem nada a ver com a verba destinada ao NUPA.
  • Também não é verdade que todos os editais de curtas de animação foram cancelados em 2010, 2011 e 2012. O excelente ZOOLÓGICO ESPACIAL DO SR. SKRUTINK, da MOL TOONS, foi produzido graças ao edital de 2011/12. E outros curtas também, pelo mesmo edital. Aliás, chama a atenção neste caso a afirmação da Sra. Manasseh, uma vez que ela e seu marido inscreveram-se nesse edital, ficando um de seus projetos na lista de suplência. Além desse, houve um edital de inter-programas. O NUPA lançou quatro editais de roteiro de curta metragem. E o CCJ fomentou mais outros curtas de animação autoral nesse período, totalmente independentes do NUPA, através dos editais de primeiras obras.
  • No mais, todas as afirmações feitas em relação a EDUCAÇÃO X CULTURA, expressividade e desenvolvimento da linguagem, simplesmente traduzem que a Sra. Manasseh não está absolutamente informada sobre o que fez o NUPA nesses três anos. Pelo seu suposto comentário, está na verdade chutando. 
E fiz o que ela sugere e fui checar com a ABCA

Entrei em contato com a presidenta da mesma, a cineasta de animação ROSÁRIO, que me informou que a Sra. Manasseh fala por ela e não pela associação. 
Rosário confirma que sua associação quer que a Prefeitura lance mais editais de curta metragem de animação. Eu também quero e apoio esse pleito. Mas desejo à ABCA, especialmente agora que está em mudança de diretoria, que melhore a forma de interação entre sócios e representantes. Que melhore também a escuta em relação ao poder público e das possíveis razões reais que impedem ou impediram mais editais. Certamente o NUPA não é uma delas, ao contrário. 
Também sei que há vários sócios da ABCA apoiando e assinando a petição e o projeto do NUPA. Acredito que, como eu, os alunos são verdadeiramente gratos a essas pessoas. 
Desejo a Rosário e a nova diretoria sucesso e boas realizações. Especialmente agradeço a rapidez e atenção com que atenderam meu pedido de esclarecimentos.


PS 01: Dei uma olhada no site da associação e constatei que ainda figuro no quadro de sócios, com o número 23. Mesmo tendo me afastado da mesma há, se não me engano, pelo menos 5 ou 6 anos. Já solicitei que meu nome seja retirado da lista anteriormente. E se alguém da diretoria ler isto, por favor, estou reforçando meu pedido.

PS 02: A seção de comentários está aberta a quem quiser fazê-los. Mas peço que os mesmos sejam educados e, mesmo quando críticos, não sejam ofensivos. Caso contrário terei que removê-los, como determina minha responsabilidade pela legislação brasileira. Aliás, agradeço ao advogado voluntário da comunidade da Vila Nova Cachoeirinha pela acolhida e aconselhamento.




quarta-feira, 13 de março de 2013

Fim do NUPA? #FICANUPA



O Secretário de Cultura anterior, Prof. Carlos Augusto Calil, recomendou à nova gestão, logo no início do novo mandato, que se olhassem os filmes e resultados do NUPA, para que o programa fosse mantido. 

Mas até o fim de fevereiro eu não fui procurado pelo novo Secretário, da gestão Haddad, Juca Ferreira. Em função da falta de perspectiva de continuidade, um grupo de alunos do NUPA e mais alguns artistas que conhecem e apoiam o projeto, deram início a um movimento pela continuação do programa, batizado de #FICANUPA.

Na mesma semana do início do movimento, fui procurado pelo novo diretor do CCJ Ruth Cardoso. Tivemos uma longa reunião e expliquei um pouco dos objetivos e estratégias do NUPA. Ele me disse que quer continuar o projeto, mas também sinalizou que não tem verba suficiente.

Expliquei a ele o que explico aqui:

- O NUPA não é somente uma oficina para jovens na Vila Nova Cachoeirinha. É uma ação estratégica para incentivar a produção da arte da animação no Brasil, através de atividades e filmes que ao mesmo tempo aprimorem as relações do cidadão com sua própria comunidade.

O critério principal dessa estratégia é a interpretação para a comunicação de massa dos princípios de Biofilia (E. Owen Wilson) e Memória e Paisagem (S. Schama) que desenvolvi com a bióloga Andrée de Ridder e que recebeu o prêmio Hopes for the Future for a Sustainable World, em 1996, da IUAPPA, por indicação do chairman de ecologia da IAS.

- Fazer filmes é imprescindível para a continuidade do NUPA.

- O CCJ é um parceiro do NUPA nessa ação, que necessita de verba e do envolvimento do Gabinete da Secretaria Municipal de Cultura.

Portanto, a continuidade ou não do NUPA, depende de decisão do novo Secretário. Enviei mensagem ao mesmo no dia 6 de Março, propondo uma reunião. E até o momento em que escrevo este post, não recebi resposta. 

Apoio o movimento #FICANUPA, porque é uma forma de divulgar, valorizar e validar uma ação pública, voltada a gerar benefícios para a comunidade. É uma forma da nova gestão ter alguma garantia de que apoiar o NUPA é bom.



Quem quiser assinar a petição que circula na web, acesse este link: 


  • Para assinar é preciso estar cadastrado no Facebook e ter o app Causes desbloqueado (settings/blocking ou configurações/bloqueio)
  • Se assinar, por favor, confira se seu nome apareceu de fato na petição. 


Algumas pessoas se manifestaram a respeito do NUPA nestes dias. Destaco:

Parabéns pelo trabalho, Céu! Não conhecia ainda os filmes, ficaram fantásticos. E sobre a importância de um núcleo como o NUPA, nem preciso dizer nada... 
Marcos Magalhães,
criador de curtas-metragens de animação, entre os quais MEOW, prêmio Especial do Júri, Cannes,1982. Diretor do Festival Anima Mundi

Fica, NUPA!
Alê Abreu
autor de curtas de animação e do longa GAROTO CÓSMICO, 2007. Em produção o longa CUCA NO JARDIM e a série de TV, VIVI.

O NUPA não pode acabar! É uma iniciativa super bacana em um momento muito especial para a animação no Brasil. O NUPA é uma primeira conquista.
Kiko Mistrorigo
sócio fundador da TV PINGUIM, produtora de animação pioneira no Brasil em séries de animação, entre as quais PEIXONAUTA.


Tive a oportunidade de assistir e ministrar palestras no Núcleo Paulistano de Animação (NUPA), localizado no CCJ Ruth Cardoso em Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Atesto o altíssimo nível das aulas expositivas de História da Animação, nas quais o professor Céu D’Ellia não apenas expôs aos alunos a história dos grandes estúdios de animação, mas compôs um painel amplo e coerente do desenvolvimento dessa arte, que merecia estar em uma tese ou publicação. As animações produzidas nas oficinas da NUPA não são simples exercícios didáticos, mas trabalhos de grande qualidade artística e profissional, ao nível das melhores produções mundiais de curta metragem. As palestras com os profissionais da área, realizadas periodicamente aos sábados, propiciam um encontro raro e frutífero entre veteranos e estudantes, aproximando gerações.
O Brasil deu um enorme salto qualitativo na esfera do cinema de animação, na última década. Foi este grande desenvolvimento que tornou possível, hoje, suprir a demanda por desenhos nacionais nos canais de TV dirigidos aos público infantil, que o poder público gerou por meio das leis de obrigatoriedade de conteúdo nacional. Por isso, é urgente a formação e atualização de animadores, artefinalistas, técnicos e demais profissionais relacionados a esta arte de grande alcance popular.
Torço para que São Paulo não “desanime”, e que o maravilhoso trabalho realizado pelo NUPA tenha continuidade na atual gestão da cultura municipal, que certamente repercute em todo o estado e no país.
Spacca
chargista no jornal FOLHA DE SÃO PAULO (1986-1995), ilustrador e autor de quadrinhos, entre os quais SANTÔ (2006), D.JOÃO CARIOCA (2008) e JUBIABÁ (2010)

Belíssimo projeto com excelentes resultados! Tem que continuar
Ari Nicolosi
designer e criador de animação. Entre seus trabalhos a série de animação, em produção pela CINEMA ANIMADORES, ZICA E OS CAMALEÕES.

Essa iniciativa precisa ser multiplicada nos estados brasileiros...e não extinta! Fica NUPA!
Quiá Rodrigues,
diretor de cinema de animação e artista criador, construtor e manipulador de bonecos, com participação na TV COLOSSO, ANIMANIA, entre outros.

É impressionante… enquanto outros países como o Canadá só aumentam os incentivos para o desenvolvimento de receitas baseadas em conteúdo criativo, o Brasil parece andar para trás. Animação e tudo ligado a essa arte é uma unanimidade no quesito "profissão do futuro".
Tive a sorte de visitar o NUPA e ver o trabalho sério e dedicado feito lá. Uma oportunidade para começar nesse universo da animação para quem não tem tanta possibilidade financeira. 
Marcelo Ricardo Ortiz
cineasta de animação e diretor da MELIES, Escola de Cinema, 3D e Animação www.melies.com.br

Apoio o NUPA!
Catani,
arquiteto e ilustrador. Autor, em parceria com Jean e Jeanine Guion, da série francesa RALETTE ET CES AMIS.

Projetos assim não podem acabar por uma simples decisão politica de desarticular o que foi feito por governos anteriores! O projeto NUPA é excelente, deve continuar!
Cecília Esteves,
arquiteta e ilustradora, formada em animação na GOBELINS, autora de livros infantis e de projeto de ambientação hospitalar para crianças.

Animação para a População!
Mário Manga,
maestro, músico e compositor, atualmente integrante do grupo BLACK TIE.

Sou grato por surgir a oportunidade de participar no NUPA - Núcleo Paulistano de Animação - e poder ver de perto o nascimento de uma iniciativa inédita e repleta de êxito. Inédita por mixar formação com produção, aproximando alunos de profissionais conceituados no mercado de animação em formatos de encontros e workshops carregados de muito conteúdo. O êxito poderia ser medido pelo alcance de views alcançado pelos curtas produzidos, mas ele se mostra muito maior no carinho dos participantes e no espaço que eles conseguiram abrir no competitivo mercado de trabalho.
E muito mais ainda pode vir para toda a população da cidade: "ficanupa"!

Gil Caserta,
um dos mais experimentados e versáteis profissionais em animação digital no Brasil. www.braziltoonz.com.br / www.brtoonz.com




quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Bicicletas em São Paulo





O mais novo filme do NUPA, da série Paulicéia, BICICLETAS EM SÃO PAULO, já está disponível em nosso canal Vimeo. Pra assistir é só clicar na imagem ao lado.


Os artistas, profissionais e alunos, envolvidos neste projeto, responderam algumas questões sobre qual suas relações com este filme, com o NUPA, com animação em geral, o que andam fazendo e como vêem a animação brasileira. Seguem os depoimentos...

Model da personagem CLARA,
de Klayton Luz com o NUPA workshop


PAULO GARFUNKEL (roteirista ganhador do edital Paulicéia de roteiros com o tema Bicicletas em São Paulo)

Paulo Garfunkel é o peludo mais claro. 
O outro, é a Ajanã.
Eu sempre achei que a bicicleta é o veículo do futuro. E que se a humanidade ainda não está preparada pra ela, o que dirá São Paulo, cheia de altos e baixos em todos os sentidos? Quando surgiu a chance de escrever um roteiro com o tema eu adorei. Quando o roteiro foi escolhido pra ser produzido foi uma bela surpresa. Agora, com animação pronta, com belo traço, bom rítmo, fiquei muito feliz.

O que estou fazendo agora? Bem, foi editada agora, em 2012, pelo Toninho Mendes da Editora Peixe Grande, a coletânea do Vira-Lata, o gibi de sacanagem com desenhos do Líbero Malavoglia e supervisão científica do Dr. Drauzio Varella,que circulava no Carandiru nos anos 90, no auge da epidemia de aids. Se puder, dá um bico em nosso promo, clicando na imagem da capa do álbum, aí ao lado.
E também, o livro infantil Shui, entre os vermes da superfície foi lançado pela editora do SESI. A história nasceu como argumento pra um game e daria uma boa série de animação. Pela mesma editora, está saindo outro infantil, Três Fábulas de Esopo, que são adaptações poéticas de  fábulas escritas em 2002 para uma peça de teatro. E também uma hq adulta, Chão de Fábrica, uma trama policial com desenhos do Líbero.
Estou produzindo para a Cinema Animadores, a trilha sonora de dois filmes de animação, O menino que sabia voar e Mendonça descobre o Amor, que é a adaptação do conto Miss  Dollar do grande Machado de Assis.
Meus artistas de animação preferidos, o Sylvan Chomet, das Bicicletas de Belleville e de O Mágico (L'Illusionniste), Katsuhiro Otomo, do velho Akira
o cara do Samurai Champloo e Cowboy Bebop, Shinichiro Watanabe. E tem uma produção francesa do Corto Maltese, bem fiel às histórias do Hugo Pratt, que eu gosto muito e não sei quem dirigiu. E os caras da Pixar matam a pau (americanamente). 


Key vision original de Klayton Luz com o NUPA workshop


KLAYTON LUZ (concepção visual + NUPA workshop e cenários)


Como eu tenho pouco experiencia em animação, participar deste projeto foi
um grande aprendizado. Trabalhar com o NUPA foi ótimo, pois os alunos estavam super envolvidos e colaboraram bastante no desenvolvimento dos conceitos visuais durante o workshop. Sem falar da profissionalismo e generosidade em que o Céu conduziu todo o projeto, as aulas e tudo mais.
Fico feliz e grato pela experiencia.

Gosto de animação. E pra mim Akira do Katsuhiro Otomo é sempre referência! Mas um artista que gosto muito hoje em dia é o animador, diretor e artista conceitual, Robert Valley.

Model de veículo elétrico,
de Klayton Luz com o NUPA workshop


GUSTAVO KURLAT (trilha sonora)

Contribuir em Bicicletas em São Paulo significou entrar em contato novamente com a possibilidade de pensar a cidade de uma outra forma, percebendo que algumas utopias talvez sejam mais viáveis do que imaginamos. E claro, o desafio e o prazer de criar (música, no caso) sintonizado com as imagens e as ideias que devem dialogar fluentemente para passar ao público o seu espírito.
No momento também estou compondo a trilha do longa de animação O menino e o mundo, de Alê Abreu, em parceria com Ruben Feffer, um trabalho que contou nas gravações com a participação de Naná Vasconcelos e os Barbatuques. E acabam de ir pro ar a série de animação Batatinhas (Small Potatoes), da qual fiz todas as versões em português das canções e as respectivas gravações. E o programa de rádio Catimbirimbéu, que dirigi, no site do Itau Cultural. 
Pelo que eu disse acima, acho que transparece o fato de que adoro animações! E o trabalho do Alê Abreu, com o qual trabalhei também anteriormente no longa Garoto Côsmico, é pra mim uma referência nova nas animações brasileiras.


Model da personagem CHICO,
de Klayton Luz com o NUPA workshop
CHICO ZULLO (animação)

Produzir as animações para Bicicletas em São Paulo significa contribuir para um conceito que está cada vez mais claro para os cidadãos de SP: precisamos de opções para o transporte na cidade que não sejam necessariamente o uso do carro. Já é algo que eu busco praticar no meu dia a dia, não exatamente andando de bicicleta, mas optando algumas vezes na semana, por deixar o carro em casa e utilizar o transporte público. Acredito que a proposta do filme seja de repensar a locomoção na cidade. E fico muito contente em poder contribuir de alguma maneira em propagar esse conceito.
O desenho animado a mão está se redescobrindo, à medida que se apropria da evolução tecnológica da computação gráfica. No momento em que o animador está sentado em uma tablet (mesa digitalizadora) ou numa mesa de luz, o desenho que se produz se assimila muito em termos de técnica e o resultado final na tela também acaba se tornando muito parecido. Obviamente, uma produção totalmente digital gera bem menos trabalho que a animação que era feita há 30 anos. Na minha opinião, um frame desenhado a mão seguido por outro frame desenhado a mão e assim por diante (seja numa folha de acetato, seja diretamente na tela do computador) resulta em uma animação com características peculiares e especiais, que nunca serão superadas por outras técnicas.
Para o Brasil ter uma produção de animação mais consistente, falta volume de produção. Disso virá a bagagem de experiencia para saber como atingir um patamar de maior qualidade nas nossas animações, frente aos custos de produção. E para termos maior volume de produção, é fundamental que estejamos formando mais e mais artistas e profissionais para todas as etapas da produção.

Ilustrações finais para as camadas de BG, Largo do Arouche, de Klayton Luz


CHICO BELA (animação)

Como paulistano de nascença, e grande fã de andar de bicicleta, adorei trabalhar neste projeto que mostra uma São Paulo mais interessante de se morar. O fato do trabalho ter saído de uma iniciativa legal como o núcleo paulistano de animação também é motivo de orgulho. O trabalho apresentou uma série de desafios técnicos que foram interessantes de serem resolvidos, também.
Espero e acho que o desenho animado a mão terá um novo ciclo e não foi enterrado pela computação gráfica. Depois do furor inicial da animação CG3D, a animação desenhada voltou a ter força, vide os trabalhos produzidos por alunos graduandos de escolas de animação, e mesmo a linha publicitária.  Acho que o gesto do desenho ainda vai demorar pra perder o apelo frente ao CG3D.
O que falta para o Brasil ter uma produção de animação mais consistente é uma indústria de animação que se sustente. E investimento.

Key vision original de Klayton Luz com o NUPA workshop

FRED MATHIAS (produção artística MOL TOONS)

Contribuir para que uma história como a que foi contada neste curta faz parte do DNA da Mol Toons. O tema é atual, de extrema relevância e foi abordado de forma delicada e poética.
Além disso, o processo colaborativo de produção do NUPA, que envolve edital público para a contratação de roteiro e workshops no processo de direção de arte foi uma experiência gratificante para nós. Sem contar que o resultado final foi excelente. 
O mercado de entretenimento aqueceu bastante no Brasil. Além de nosso estúdio estar envolvido em projetos de séries de animação, fomos procurados para trabalhar em um documentário, a ser exibido no History Channel e que fará grande uso da animação na reconstituição de cenas e também em um APP para Ipad. Ambos novas experiências para a Mol Toons.
Minha crença é de que as técnicas entram e saem de moda, mas o que vale no final é uma boa história, uma que valha ser contada. Quando a Pixar lançou Toy Story muita gente se surpreendeu. Como é possível segurar uma audiência por 70 minutos usando "apenas" computação gráfica? Curiosamente, este foi o mesmo comentário à época do lançamento de Branca de Neve nos cinemas. Um longa metragem de animação?
O fato é que houve claramente no segmento de longa metragens, após o já mencionado advento de Toy Story, uma predominância da técnica 3D/CGI. Os filmes da Pixar e Dreamworks dominaram o mercado ocidental. Mas na França foram lançados filmes expressivos, como o Bicicletas de Belleville e o Japão continuou forte com seus animes e com obras primas de Hayao Miyazaki.  A Disney, que também andava com pouca confiança no lançamento de seus tradicionais filmes de animação feita à mão, fez com o "A Princesa e o Sapo" um grande retorno.
Vale adicionar que no segmento de séries para televisão, a animação feita à mão continuou sendo a técnica mais utilizada (Simpsons, Pokemon, Bob Esponja, Ben 10 e Adventure Time, entre tantos outros)
A variedade de técnicas está a serviço dos contadores de história e quem ganha é a audiência.
O Brasil, historicamente, tem tido uma produção consistente de publicidade  e de curtas metragens. E hoje há uma evidente evolução na produção de séries para a Televisão. A politica pública de incentivos culturais começou a ver este segmento com bons olhos e a produção independente avançou muito. Mas ainda falta, a meu ver, um mercado mais maduro. As emissoras brasileiras ainda estão acostumadas a comprar conteúdo barato que vem do exterior, à exceção de quando podem fazer uso de alguma lei de incentivo. Isso é uma distorção de mercado que alguma hora deve acabar. No cinema temos ainda mais a caminhar. Acho que falta um grande sucesso (tipo Cidade de Deus ou Tropa de Elite) que atraia os distribuidores e o público, criando um círculo virtuoso. Existem alguns (poucos) filmes em produção agora e realmente torço para o sucesso deles.
 

Estudos de H-Minus no NUPA workshop
HERMINIO CARDOSO/ H-MINUS (NUPA workshop): Tenho muito orgulho de ter participado do workshop que elaborou o story board desta animação, só não imaginava que ficaria tão bonito. Parabéns a toda equipe!
Claro que fui procurar meu nome nos créditos, né! Mas o que aprendi no workshop vale muito mais, pois comecei a trabalhar em uma produtora de vídeo e agência de propaganda, onde ponho em prática tudo que aprendi com o Céu, a Julia Bax e o Klayton Luz em matéria de story-board! Valeu e vida longa ao NUPA.


BG de Klayton Luz, com 

aplicação de grafismos da

coleção desenvolvida 
em residência artística 
por Marcelo Ortolani.
Inspirada na arte de Highraff.
MARCELO ORTOLANI (NUPA workshop): O NUPA acrescentou várias coisas positivas pra mim. Me deu um norte, me mostrou um caminho a seguir na minha busca por aprender mais sobre animação. Conheci pessoas, filmes, exemplos de vida no estudo do trabalho de vários artistas de animação. Frequentei aulas, participei de filmes coletivos, fiz residência artística no estúdio do NUPA. Alguns dos filmes que conheci me fizeram chorar e me ajudaram a manter aceso o meu entusiasmo pela arte. Conheci alguns alunos com os quais comecei a fazer um curta metragem de animação (que não foi concluído por problemas pessoais). Frequentei aulas e participei de filmes coletivos que me ajudaram a conseguir um emprego na área de animação. Esse estudo sério, essas oportunidades e reunião de pessoas é algo que eu não encontrei em nenhuma outra oficina gratuita de animação ou desenho oferecida em São Paulo. E olha que eu pesquiso muito, já fiz MUITAS oficinas, tanto no CCJ como em muitos outros centros culturais e bibliotecas de São Paulo. 
O NUPA contribuiu muito para a minha formação profissional e artística. Tive a oportunidade de conhecer alguns donos de estúdios de animação, pude até pegar o contato de um deles. Mais tarde, quando consegui um emprego em animação por outros contatos, uma das pessoas da empresa em que trabalho já tinha me visto em uma das palestras do NUPA. Esse atestado de interesse foi benéfico profissionalmente. A residência artística que fiz no NUPA foi inestimável, um grande treinamento na produção de cinema de animação com um prazo, responsabilidade, cota de produção e ainda espaço para experimentação e criação. As pequenas cenas de animação que produzi nas aulas e na residência artística foram decisivas para conseguir meu primeiro emprego em uma produtora de animação. As aulas me abriram um mundo de aprendizado, e uso sobretudo o aprendizado artístico quase todos os dias no meu trabalho. Aprendi muita coisa que os livros sobre o assunto não ensinam.
E o NUPA continua me ajudando de forma direta: estou começando uma parceria com um roteirista que trabalha em um projeto do NUPA. Vou colaborar em um blog, o que pode me ajudar indiretamente para divulgação.

O que eu mais gostei? Acho que foi da residência artística. Foi uma experiência bastante colaborativa, muito aberta a experiências, consegui produzir um material de boa qualidade e que foi apreciado. Foi um grande incentivo para seguir em frente.
 
Melhorias para o futuro... Quase todas as pessoas com quem eu falo sobre o NUPA reclamam que é muito longe... Eu não ligo para a distância dos lugares: já fui para Belo Horizonte uma vez fazer uma oficina. Mas tem algumas coisas simples e gratuitas que é possivel fazer para com a ajuda da internet deixar o NUPA mais acessível para pessoas que moram longe do CCJ.
Por exemplo, seria possível filmar as aulas de conteúdo que o Céu dá e colocar em um site de vídeo, por exemplo o site "ustream.com" por umas duas semanas e depois deletar. Seria possível criar um forum pela internet para os alunos debaterem os assuntos de cada aula. Seria possível criar um blog coletivo ou fórum para os alunos postarem seus desenhos de análise de ação e trocarem comentários e críticas construtivas. Ou desenhos de observação de pessoas no metrô. Ou de criação de personagens. O mesmo para os exercícios de animação que cada um está fazendo.
Que mais... mais divulgação sempre ajudaria. Nem vejo mais algo sobre o NUPA nos panfletos do CCJ. Seria interessante divulgar em escolas de desenho, faculdades de artes plásticas, de cinema... Não precisa ser nada muito caro, pedir pro professor de tais cursos para deixar dar um recado pros alunos em uma das aulas...


THIAGO SOARES (NUPA workshop): NUPA acrescentou um novo folego pra continuar estudando animação, e animando, contribuiu pra minha formação ao encarar o ToonBoom, que juntava poeira no hd aqui, aprender sobre os processos e particularidades da produção dos desenhos animados e ter participado da pré-produção/ajudado no desenvolvimento de um curta animado nos workshops desse ano...que a propósito, foi o que mais gostei empatado com as aulas teóricas...que é muito mais divertido pesquisar, rabiscar e ouvir as histórias dos bastidores e pioneiros da animação que por a mão na massa e animar de fato...que dá um trabalho do cão...
Estudos de Thiago Soares no NUPA workshop
O que mais detestei foi saber que talvez o NUPA pode não continuar ano que vem (2013), ou não ter sabido da sua existência antes e participado das atividades dos anos anteriores...Se continuar, acho que o mais interessante é mesmo, além das aulas, o acompanhamento nos projetos/projeto de fim de curso dos alunos...que acho que não se enquadra como sugestão porque já acontece, né...Bom, então é isso aí...


DOMICIO (NUPA workshop): O NUPA ampliou meu conhecimento técnico e artístico, principalmente minha visão histórico-social da animação, e a possibilidade de com isto incorporar técnicas e estilos de várias escolas e épocas em futuros projetos, além de pesquisa de novos suportes.
Estudos de Domicio no NUPA workshop
Através do NUPA, estou conhecendo técnicas e softwares que estão ampliando meu universo profissional e artístico e também a possibilidade de partilhar este conhecimento com a comunidade em que vivo, na forma de laboratório audiovisual no meu bairro, Jardim Miriam.
Eu gosto da forma como é ministrado o curso, que respeita o tempo
de cada aluno, e o discurso aberto entre aluno e tutor, visando o aprendizado.
Mais a coisa que mais valorizo é a gratuidade do curso, que deve ser super valorizada.
Dentro do possível o NUPA extrapola todas as minhas expectativas, pois temos uma carência de formação e a iniciativa do NUPA é muito bem vinda.
Alguma sugestão para melhorar futuramente, caso o NUPA continue a existir? A possibilidade de intercâmbio e estágios com escolas e empresas nacionais e internacionais.


ANDERSON ALVES (NUPA workshop): O NUPA me deu o conceito verdadeiro do que é animação, de como é esse mercado, pois apesar de gostar bastante de animação eu nunca me aprofundei  realmente sobre o assunto. 
Estudos de Anderson Alves no NUPA workshop
Está contribuindo para minha formação profissional e artística. Além de aprender a usar o Toomboom, os conceitos passados na aula são muito ricos, e pra mim é tudo novidade. Eu semvre vi animação como entretenimento apenas, e hoje, depois das aulas, já penso em, quem sabe, entrar no mercado de trabalho, desenvolver uma animação, algum projeto...
Eu gosto do ambiente, das pessoas. Dá pra ver que tanto quem está aprendendo como quem está ensinando no NUPA, realmente gosta do que faz e de passar algumas horas do seu sábado ali.
Não tem nada que eu tenha detestado. Talvez essa incerteza do NUPA, se vai  continuar ou não.
Uma sugestão: Poderia ter os exercícios das apostilas distribuídos de alguma forma, ou pelo e-mail. Muitas vezes quero continuar um exercício ou adiantar e não tenho como.

E.T.: 
Bicicletas, filmes Paulicéia e NUPA estão repercurtindo rápido pela web afora, desde o lançamento de nosso terceiro filme coletivo. Bicicletas chegou a ter um pico de uma vista a cada 30 segundos no terceiro dia depois do lançamento. E de forma espontânea. Não contamos até agora com nenhum veículo de imprensa nos divulgando. Simplesmente nossa própria rede social. Alguns amantes da liberdade de opinião e pensamento deram destaque a estes trabalhos nos últimos dias. Seguem os links dos posts, pra aqueles que quiserem saber mais. Basta clicar nas imagens abaixo. Pra todos, nosso muchas gracias e buenas dichas!










O Anjo da História diz:

OUT OF MODEL: got to get you into my life

ou: Out of Renaissance via Refusés Model - A homenagem mais homenageada da história da arte? - A referência mais referida da histór...

Top 10 + Populares