sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Zu Kinkajú: O que você realmente sabe?



Já está no caminho da gráfica, com 48 páginas. Segue abaixo uma nota que escrevi quando terminei o trabalho e que também estará no livro:

O ilustrador Angelo Bonito me deu uma força
na finalização da arte da capa.
Nota do autor

Desde criança eu me sentia atraído pela busca ao animal misterioso. Podiam ser os animais do imaginário, como o Unicórnio, o Grifo, a Roca, o Marsupilami, o Jeep, o Anhangá, o Pushmi-pullyu ou o Jaguadarte. Podiam ser as histórias dos naturalistas identificando as espécies em longas expedições, como contava o Diário da Viagem de Charles Darwin ao redor do mundo, que li quando tinha 10 anos.

Aos 11, inspirado pelos Cronopios de Julio Cortázar, comecei a pesquisar, nos meus próprios desenhos, o meu animal misterioso. Surgiu o Poligato, que continuou chamando assim por quase duas décadas, até eu desenvolver um programa de conscientização ambiental, nos anos 1990, com a bióloga Andree Vieira.

Ela desenvolvia as atividades com as escolas e eu criava vídeos, histórias, quadrinhos e ilustrações. Chamávamos nosso projeto de Super Eco, e resolvi rebatizar meu Poligato assim. Comecei então a contar a história da busca pelo Super Eco, mas travei em um impasse. Existia um grande equívoco nesse nome e em eu ter imaginado que o Super Eco era uma espécie de super-animal, capaz de se adaptar e viver em qualquer ecossistema. Porque isso seria exatamente o contrário do que a Natureza nos ensina. Cada espécie é única, com habilidades e qualidades próprias, vivendo em ambientes específicos. E toda essa rica diversidade, relacionando-se em equilíbrio dinâmico, é que é a Vida, delicada e preciosa. E a riqueza e o motor da vida é a diversidade. Essa é uma grande lição, que pode ser lembrada sempre. E eu havia ignorado isso em minha história e tomado o caminho errado para encontrar meu animal misterioso.

Os animais são grandes professores. As plantas, especialmente as árvores, e até as pedras, também são. Desde que saibamos prestar atenção, sendo alunos esforçados. Eu e os bichos compartilhamos muitos segredos. Sou grato a eles por isso.

Então, finalmente, depois de mais de dez anos, retomei a busca pelo animal misterioso. Aproveitei da minha história e dos desenhos todas as pistas que ainda me guiavam, e saí na trilha do Zu Kinkajú. Agora nós já sabemos que se trata de uma espécie de mamífero neotropical da família Procionídea, próximo do Gênero Potos (Jupará, Quincajú ou Ursinho do Mel) e do Gênero Bassaricyon (Olingo).

Sim, eu sei, no final das contas muito ainda permanece envolto em mistério. Afinal, o que significa exatamente o fim desta história e o que aconteceu com a Naná durante os quatorze anos que se passaram? Mas isso é para responder em outra oportunidade.

Este livro em quadrinhos foi produzido seguindo três princípios com os quais trabalho há algum tempo: Eco eficiência, Biofilia e a Pergunta-Chave.
Eco eficiência significa escolher materiais para fazer o produto, que não poluam e causem o menor impacto possível ao meio-ambiente.
Biofilia é o amor à vida. A vida é uma dádiva que contém dentro dela mesma um Amor que a sustenta. Despertar as crianças de todas as idades, para isso, é algo em que acredito e que me move.
A Pergunta-Chave é: - O que nós realmente sabemos? – Ao nos fazer essa pergunta, nos tornamos mais cuidadosos e mais conscientes de nossas limitações. A maioria dos danos, incluindo aqueles que causamos a nós mesmos, aos outros e ao mundo em que vivemos, é resultado do nosso excesso de certeza.

E afinal, o que nós realmente sabemos?


Com Amor,
Céu D´Ellia
São Paulo, 14 de Agosto de 2013.

PS: No dia seguinte a ter escrito a nota acima, depois de ter terminado este livro, foi noticiada a descoberta do Olinguito, pelos cientistas do Smithsonian.
Vivendo nas Américas Central e do Sul, este procionídeo, nome científico Bassaricyon neblina, tem a cabeça maior e mais arredondada, o focinho mais curto, e é menor que seu parente mais próximo, o Olingo


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Simulacros Verdadeiros



A Festa no Céu

Arte de 1988, toda feita a mão, em
técnica mista de lápis, hidrocor e acrílico.
Dava muito mais trabalho de fazer assim
do que hoje em dia, com computadores.
Mas dava-se muito mais valor também.
É amanhã: Sábado, 24 de Agosto de 2013, das 11h00 às 13h00
Na Livraria da Vila - Fradique Coutinho, 915 (cidade de São Paulo)
Café lacaniano: SIMULACROS VERDADEIROS
Com o artista de animação Céu D'Ellia e o psicanalista Oscar Angel Cesarotto

Desde as cavernas, a de Lascaux ou a de Platão, os humanos somos seres eminentemente visuais; escópicos, como afirmava Aristóteles. Desenhos, pinturas e sombras em movimento, os olhares ficam fascinados pelas representações plásticas, sejam verossímeis ou não. Ver para crer, mesmo que as aparências enganem e os semblantes alienem, já dizia Lacan. Crer para ver: para Freud, quando o preconceito eclipsa a percepção, só apreciamos aquilo que não põe em risco o narcisismo. Por isso e em definitivo, de todas as imagens possíveis, os espelhos, mostrando versões animadas de nós mesmos, são o suprassumo da virtualidade, a tópica do imaginário.


O texto da divulgação é esse que vai acima. Vou fazer um coquetel semiótico com meus dois chapéus, o de cineasta de animação e o de praticante de meditação. No programa, a tela de pinos do Alexander Alexeieff, o hoax do matemático Alan Sokal, a Guerra dos Mundos de Wells e Welles, a esposa do Einstein, o jogo de dados do Mahabharata, Rishis, Pink Floyd e outros leros.

É gratuito. Apareça.
Ou simule que.