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sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Homem da Lanterna Mágica



Frame de trecho da participação de Roberto Miller em Planeta Terra








É impossível contar corretamente a história da animação brasileira sem falar do cineasta Roberto Miller.

Miller nasceu em 1923, na cidade de São Paulo, filho de um português correspondente da Reuters no Brasil. Seu nome de registro era Ignácio Maia, mas fez sua carreira chamando-se Roberto - Miller, vindo de seu ídolo da juventude, o músico Glenn Miller


Influenciado pelo escocês radicado no Canadá, Norman McLaren, de quem torna-se discípulo e amigo, marca seu estilo com animações abstratas, desenhadas com pincel e lupa diretamente em película de filme de gelatina removida. 

Sua pesquisa realiza-se principalmente nos aspectos sonoros, rítmicos, de sincronismo e forma, seguindo a tradição dessa técnica criada originalmente pelo neozelandês Len Lye e inspirada pelo movimento alemão do Cinema Absoluto. Esse movimento de animação abstrata (ou não-objetiva) aconteceu na década de 20, representado por artistas como Oskar Fischinger, Hans Richter, Viking Eggeling e Walter Ruttmann. Este último definiria o estilo como "pintura no tempo". 

O impulso fundamental para a carreira de Miller é um estágio de seis meses no National Film Board do Canadá, com McLaren, na década de 50. De volta ao Brasil integra-se ao recém fundado Centro Experimental de Cinema de Animação de Ribeirão Preto, fundado por Rubens Lucchetti e Bassano Vaccarini. Ali realiza Sound SyntheticTill Ton Special, Rock and RollSinfonia ModernaSound Abstract.

A consagração vem com Rumba (1957): medalha de prata no festival de Lisboa.

Entre outros filmes, destacam-se a partir daí: Sound Abstract (medalha de prata no festival Bruxelas/1957, prêmio Saci de São Paulo/1958 e menção honrosa no festival de Cannes/1958), Boogie Woogie (menção honrosa no festival de Cannes/1959), O Átomo Brincalhão (1967), Balanço (1968), Carnaval 2001 (1971), Can-can (1978), Ballet Kalley (1981) e Biscuit (1992).

Miller também fará carreira na criação de títulos de abertura de filmes
Planeta Terra
brasileiros, o que se chama hoje de motion film design. Mas marcou mesmo a minha infância e formação como artista de animação com o programa de tv, produzido pela então mais séria TV Cultura de São Paulo, Lanterna Mágica.


O programa, semanal, era o espaço alternativo para se conhecer a animação canadense, européia, asiática e mesmo a produção da UPA. Ali conheci Co Hoedman, Jiri Trnka, Lotte Reiniger, Escola de Zagreb, John Hallas, McLaren, etc. Fiquei sabendo do brasileiro Yppê Nakashima e por isso fui ao cinema, garoto, vibrar com Piconzé. Durante um período também, próximo ao horário do Lanterna Mágica, era exibida a série clássica de Tezuka: Kimba, o Leão Branco. Ou seja, Roberto Miller abriu as portas das infinitas possibilidades da animação para toda uma geração que não fosse isso estaria limitada a uma reduzida visão conformista. Muchas gracias, Mestre!

Em 1985, dividi com Marcos Magalhães a coordenação da produção do filme coletivo brasileiro Planeta Terra. Marcos ficou com os artistas do Brasil todo, menos São Paulo, que ficaram sob minha responsabilidade. 18 dos 30 artistas eram paulistas. E entre eles, Roberto.
Foi uma delícia poder conhecê-lo e dividir com ele a tela de um filme tão

singular. Para quem quiser conhecer esse filme, colocamos ele no Canal NUPA. Clique na imagem ao lado e aproveite. Ainda quero dedicar um post especificamente pra esse filme, cheio de histórias. Mas é bom lembrar que, além de já ter seus quase 30 anos de idade, foi feito antes da tecnologia digital. Como eu costumo dizer, animação de apaixonado, feita na unha. Não havia glamour em fazer desenho animado. Era coisa de gente fora do eixo mesmo.

Em 1988 fui diretor e organizador do Segundo Encontro Nacional de Profissionais de Animação. Propus e todos aceitaram que criássemos um troféu da própria classe, para homenagear os profissionais que mais tivessem contribuído para a animação brasileira. O nome escolhido para o prêmio foi Lanterna Mágica. E o ganhador, claro, Roberto Miller.



Planeta Terra
Miller morreu dia 16 de Março passado, aos 89 anos. Deixando viúva, dois filhos e duas netas. Um grande artista pra ser lembrado e homenageado sempre.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Animação Canadense

FAZEN’DESENHANIMADO no Núcleo Paulistano de Animação do CCJ
Convidados conversam com o público, apresentam filmes, respondem perguntas, falam de suas idéias e experiências.
 
Sábado, Dia 6 de Março 

FAZEN’DESENHANIMADO NO CANADÁ
Entrada FRANCA

15h30: Exibição de animações de Norman McLaren e debate
16h30: Bate papo com Fernanda Whitaker, do Consulado do Canadá. A situação atual da indústria de animação canadense, os centros de pesquisa e experimentação, escolas especializadas, acordos de co-produção e intercâmbio com o Brasil.
Mostra de animações contemporâneas:
O stop motion de tirar o fôlego de MADAME TUTLI-PUTLI, de Lavis & Szczerbowski
O design  de Marv Newland em TÊTE À TÊTE À TÊTE, que influenciou as novas gerações do cartoon.
As sacadas  no mass media de McGills & Pertsch em TOTAL DRAMA ISLAND (ILHA DOS DESAFIOS).

Núcleo Paulistano de Animação no CCJ
Curadoria: Céu D’Ellia

No próximo dia 6 de Março voltam as atividades do Núcleo que estou colaborando pra implantar em São Paulo. O ano promete e, tudo correndo bem, muita coisa interessante vai acontecer, envolvendo toda a cidade. Por hora, voltamos com os bate-papos abertos a todo público. Além dos convidados, vamos ter sempre uma hora a mais de exibição de filmes, com debate. Pra abrir isso, nada melhor que um tributo a McLaren, um dos primeiros artistas a enxergar o lado plástico do tempo. Ainda não escolhi os filmes dele que vamos exibir, mas graças ao Consulado do Canadá estamos com a obra completa de McLaren e mais alguns extras no gatilho.
A Fernanda Whitaker vai apresentar um panorama da indústria de animação canadense contemporânea. E isso significa não só a pesquisa e o experimentalismo, mas uma atividade de ponta, bem estruturada e apoiada pelo poder público. Pra ilustrar sua fala, três filmes:
Madame Tutli-Putli será exibido integralmente e é uma obra técnicamente impecável, misturando stop-motion com inserções de live action digital.
Marv Newland está desde a década de 80 pesquisando um estilo de design que mistura cartum retrô com arte contemporânea. Muita coisa veio dessa escola, inclusive o popularésimo Bob Sponja. A primeira vez que encontrei com o Marv, foi em Zagreb, em 1985. Sempre um cara bem humorado. Em uma visita mais recente a ele, em Vancouver, me pediu pra reenviar-lhe um cartão postal que ele mesmo tinha desenhado. O cartão postal era a fase de uma animação. Cada fase seria postada de um lugar diferente do mundo e o barato seria filmar os desenhos e ver o que aconteceria com os selos e carimbos do correio dos diferentes lugares interagindo com a animação pré-desenhada. Deu pra entender? Ainda não vi o que aconteceu, mas foi a colaboração mais exótica que me pediram pra fazer em um filme até hoje. Mas o que esperar de um sujeito que se consagrou com um curta chamado Bambi encontra Godzilla?
E vamos exibir ao menos um trecho de Total Drama Island. A série já foi exibida no Brasil, ano passado, na Cartoon. Está agora no Boomerang. Conheci o Tom McGills em Toronto e conversamos algumas vezes, por um bom tempo. É impressionante a energia desse sujeito e a corte que ele tem na comunicação de massa. Ele sabe muito bem o que está fazendo e que o significa lidar com o main stream. Essa série em particular é uma paródia dos reality shows. Uma crítica mordaz ao jeito de pensar dos jovens adultos, sempre apegados a padrões de comportamento e carência de afirmação.
Tem muito mais, mas fica pra quem for participar do debate.


C C J
http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br
Av. Deputado Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha
(11) 3984 2466
(ao lado do terminal de ônibus Cachoeirinha)







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