sábado, 3 de setembro de 2016

A índia que derrubou a presidente



Antigamente todo dia era dia de Saci.
Agora é um dia só por ano.
E tem que ser dividido com a Congada, o Acarajé
e a Mula-sem-cabeça, entre muitos outros.
O RESUMO:  

A respeito dessa coisa que aconteceu no Brasil na semana que passou, (31 de Agosto de 2016), comento:  

1- A maioria do povo brasileiro tem uma visão totalitária do poder e por isso escolheu Presidencialismo ao invés de Parlamentarismo. Por isso não é capaz de entender o que significa um Presidente que perdeu o apoio do Congresso, e porque ele tem de ser removido, principalmente se o país está em recessão. Em regime Parlamentarista não se teria todo esse mimimi. 

2- Quem está mais preocupado com a Dilma que com o Brasil, é porque não foi afetado pela crise (criada pelo PT). É possível e compreensível. Mas é pensar dentro da caixa.  

3- Quem é brasileiro e sai mundo afora espalhando que foi golpe, ou tem interesse próprio muito grande em manter o PT no poder, ou quer ver o circo pegar fogo. Tá querendo o que, cara pálida? Intervenção do exército americano? Boicote comercial ao Brasil? Tá querendo dar pretexto pra bicho maior vir pra cima?

4- Dilma sendo a principal responsável pela construção de Belo Monte, não movo um átomo de lágrima por ela. E nem por quem votou nela e no Temer e agora quer se fazer de vítima e botar nos outros a culpa por sua falta de inteligência. 


O PIVÔ: 

foto: André D'Elia
Agora, quer saber quem foi mesmo que deu início a esse movimento de destituição? 
Essa índia pajé Ikpeng na foto ao lado. 

É o que eu percebi no dia em que a vi falando pela primeira vez, cinco anos atrás. 
Quando Lula e Dilma passaram por cima dos direitos indígenas e enfiaram Belo Monte goela abaixo do povo. Pra construir uma usina ineficiente, em área de proteção ambiental, ferrando meio ambiente, pescadores e nativos. Uma usina que não conseguiu investimento privado, porque é um péssimo negócio, e que foi bancada com o dinheiro dos impostos. É, o povo trabalhador é quem paga a conta. A bagatela de mais de 30 bilhões de reais, e aumentando. Sabe-se que o custo de construção seria no máximo de 20 bilhões. Pra onde vai o resto do dinheiro, mais de 10 bilhões de reais? 

Quando Lula e Dilma e seus aliados fisiológicos no PMDB estavam achando que podiam tudo, inclusive destruir a beleza que nos cerca, essa índia deu o empurrãozinho que faltava pros Mamaués começarem a fazer seu trabalho. Saiam da frente, Assuras, Anhangás e Vampiros! Pajelança de índio amazônico não é pra qualquer um. 

A imagem é do documentário Belo Monte, Anuncio de uma Guerra, dirigido pelo meu sobrinho André D’Elia. Foi lançado em 2012. Pode ser assistido aqui neste link: BELO MONTE, ANÚNCIO DE UMA GUERRA. 
Se quiser ir direto na índia, está nos 37 minutos.


O INALCANÇÁVEL: 

Em nenhum lugar do mundo política é preto e branco. Sempre, qualquer grande ação política, vai trazer junto com ela boas e más pessoas, boas e más intenções. Em última instancia um governo cai, sempre, porque a maior parte do povo está insatisfeita. E o que toma seu lugar não é garantia de nada. Cai também, se a insatisfação continuar em maioria. É um movimento natural que não tem papo ideológico que mude. 

Eu me entendo com qualquer pessoa que esteja disposta a conversar e revisar o que acredita. Por que o primeiro a não ter certeza de nada sou eu. 

Lá no fundo mesmo, eu acho que qualquer coisa que acontece é uma somatória do que as pessoas realmente são. E as pessoas não são só o que elas falam e pensam.  

É conversando que a gente se entende. (Caetano Veloso)  
Ou não. (Caetano Veloso)

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

De volta para o futuro do pretérito


Quem costuma passar por aqui, sabe que dei um tempo do blog.

Na verdade dei um tempo do Brasil. E desde final de agosto de 2015 estou em Nova York. Vim aqui pra exibição de estréia de um curta metragem no qual criei a sequência em animação, Love Will Rescue You (O Amor vai salvar você). E acabei ficando, desde novembro, como diretor de arte da Little Airplane.

Eshu Yoruba (detalhe)
Meu primeiro desenho totalmente digital.
Fiz pra aprender a usar a Cintiq.

Não sei quando volto e se volto. O Brasil estava me deixando doente. Com a facilidade com que as pessoas se corrompem. Com a maneira cafajeste com que Fernando Haddad (prefeito) e Juca Ferreira (secretário de cultura) acabaram com o NUPA. Só pra constar, o tal Haddad, quando estava fazendo campanha pra ser eleito prefeito da cidade de São Paulo, esteve pessoalmente no NUPA, na Vila Nova Cachoeirinha, e prometeu que o "NUPA não só ia continuar, como ia expandir, porque era um exemplo do que ele queria pra São Paulo".
Como esse sujeito tem facilidade pra mentir... E como tem jornalista que tem facilidade pra apoiá-lo... Por que será?
E tive que lidar também com o moleque Juca Ferreira e as desculpas que ele deu pro fechamento. Na minha vida eu já tinha tido a sinistra oportunidade de estar com Paulo Maluf. Não pensei que ia encontrar alguém de alma tão barra pesada, até estar na mesma sala de Juca Ferreira. E depois ainda voltou a ser Ministro da Cultura da Dilma... Espero que o Ministério Público investigue direito essa pessoa nefasta.

Ainda tem gente que acredita no PT... Que enrascada, o Brasil. O lugar mais bonito do mundo e não consegue ser um lugar minimamente decente. Aqui nos EUA é perfeito? Longe disso. Cheio de absurdos e problemas. Mas tem um mínimozinho básico de respeito, que falta quase completamente no Brasil. Ainda vi um tempo aí, em que existiam pessoas simples e honestas. Agora, cadê?
Como eu disse, tem essa facilidade com que as pessoas se corrompem. Se não é por dinheiro, é por vaidade. Pra se achar importante... Nem que seja pra ser importante na mesa do barzinho ou na página do facebook. Qual o destino de quem abdica do próprio discernimento?

Então, tinhamos um país cheio de problemas e corrupção. Aí veio o PT e passou uma camada grossa de verniz. O verniz da mentira que jorra da boca de Lula e era solidamente aplicado com os aplausos dos venais e dos idiotas que o sustentam.
Idiota no sentido original grego da palavra: indivíduo que vive apenas para si, que é incapaz de entender além de si mesmo.
Como a coisa toda do Lula e sua gangue era insustentável, ruiu. Cai o verniz petista e aparece o que? O país cheio de problemas e corrupção.
Queria o que?

O que me levou a escrever de volta aqui no blog foram três coisas. Uma segue agora. As outras, quem sabe depois.
Um estudante chamado Ricardo Macedo fez uma entrevista comigo, pra incluir em uma tese de mestrado dele.
Aí me deu vontade de publicar aqui, pra quem quiser.

Segue:


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1) Para você, o que é cinema de animação?
É uma arte que envolve todas as outras e que tem ampla capacidade de comunicação. Mas até hoje essas virtudes foram pouco exploradas.
Apesar de seu potencial coletivo, ainda é prioritariamente valorizada como obra de um diretor. Apesar de seu potencial de comunicação, ainda é utilizada para narrativas muito convencionais.

2) O Estado Brasileiro no decorrer das décadas apoiou o cinema de animação? (estúdios, animadores, filmes etc).
Esse é um assunto complexo. É clichê pensar que o Estado tem que apoiar o cinema. Seria irresponsável da minha parte dar uma resposta curta e simplista para esse assunto. Então fico apenas com uma resposta direta a sua pergunta: Sim, desde que eu me lembro como profissional, comecei no fim dos anos 70, sempre me lembro de algum apoio. Sempre foi no entanto um apoio muitíssimo menor do que o dado a filmes live action.

3) Qual época foi a melhor para a animação no Brasil?
“Melhor” é uma palavra muito relativa. O que posso dizer certamente é que a recuperação econômica do Brasil no início deste século, somada ao boom da animação no mundo todo, que vem desde o final da última década do século XX, contribuíram para esta época recente ser a mais produtiva. Ao menos em quantidade de filmes.
Em 2006 eu apresentei ao governo um estudo detalhado de engenharia econômica, feito por minha conta, sobre o potencial econômico da animação brasileira no mercado internacional. Apresentei também uma sugestão de estratégia para conquistar esse mercado. Infelizmente só arregalaram os olhos com a possibilidade de lucro e investiram de uma forma que mais pulverizou verba do que outra coisa. Os animadores, estúdios e produtoras não ajudaram nada, porque não souberam aproveitar esse potencial da melhor forma. Partiram para o cada um por si, disfarçado com discursos exteriores de união.  É uma pena. A animação brasileira produziu muita coisa, mas se conseguiu se viabilizar independente do Estado, é o que vamos ver agora que o país quebrou.

4) Como você compara os estúdios do Brasil com os da Europa e América do Norte?
É uma pergunta ampla demais. Existem muitos tipos diferentes de estúdios de animação, na Europa e na América do Norte. Com tamanhos, pipelines e tipos de produção muito diferente entre si.
Mas tentando responder:
Animação, pelo menos por enquanto, é uma arte industrial. Ela se consolida em países industrializados, porque tem uma relação de tecnologia, mercado e distribuição típica de países industrializados. O Brasil é um pais que tem indústria, mas em desenvolvimento. A diferença é essa. Enquanto em países da Europa, America do Norte, Ásia e Oceania existe uma produção de animação consolidada, no Brasil ela ainda não estabilizou plenamente e é mantida a fundo perdido (e pulverizado) pelo Estado.

5) Comente sobre o Anima Mundi e ABCA - Associação Brasileira de Cinema de Animação.
Alguns diretores do Anima Mundi ficariam surpresos em ver você colocar o Festival e a ABCA na mesma pergunta.
Anima Mundi é um festival independente, criado e dirigido até hoje pelos mesmos quatro animadores. Cresceu bastante, graças à competência  e trabalho de seus diretores, e é um dos maiores festivais de animação do mundo. Certamente contribuiu e continua contribuindo para a divulgação e expansão da animação no Brasil.
Em relação à ABCA, fui sócio fundador e membro do Conselho de Ética. Assisti a inúmeras manipulações e durante um certo tempo achei que aconteciam porque a direção, do eixo Rio-São Paulo, não tinha experiência com associações. Como eu tinha uma experiência prévia longa com ONGs sócio-ambientais, tentei orientar a direção. Aí percebi que não estavam nem um pouco interessados em desfazer as manipulações e me retirei da mesma. Não me pareceu uma associação séria. Isso aconteceu há mais de dez anos e ignoro se conseguiram sanar seus problemas.

6) Por que existe preconceito por parte dos cineastas em relação à animação e os animadores com conceitos, por exemplo, de que animação não é cinema?
Por ignorância.
 
Natura Artis Magistra:
A Natureza ainda é a minha maior inspiração.
Foto arte que fiz a partir de uma foto que tirei na aldeia
Kalapalo, Alto Xingú, em 2002.
7) Comente o que mais marcou você no trabalho de animação em estúdios fora do Brasil.
Já trabalhei na Amblimation, em Londres, que foi o estúdio que deu origem à Dreamworks Animation, na Califórnia. Trabalhei na Disney de Paris. Trabalhei com vários outros estúdios, mas diretamente do Brasil, contribuindo como free-lancer. Atualmente sou Diretor de Arte de um pequeno estúdio em New York City, o Little Airplane, que produz para canais de TV como Discovery e Disney. Talvez o que mais tenha me marcado seja a preocupação desses estúdios em realmente saber o que o público pensa dos filmes. No Brasil os estúdios fazem interpretações muito vagas do que seja a reação do público.

8) Como você vê a hierarquização de estúdios, animadores e formas de fazer animações nos USA, Europa e no Brasil?
A hierarquização é necessária para alguns tipos de trabalho. É uma conseqüência direta do modelo social hierárquico da própria sociedade. Eu estava estudando uma outra forma de produzir quando criei o NUPA, mais baseada nas idéias de John Ruskin e do modelo medieval de estúdio, de produção coletiva, que tem uma hierarquia mais leve, de consulta e aprendizado.
Ao menos na Europa e EUA a hierarquização não significa necessariamente um desrespeito humano com as pessoas, ainda que existam abusos em alguns lugares.  O estúdio em que trabalho em NYC co-produz com a China. Faz parte do meu trabalho como diretor de arte fazer uma avaliação do trabalho produzido na China. Lá a hierarquização é ainda mais pesada, pouco espaço pra pensar por conta própria. E a direção tem mão pesada. É como o modelo político do pais, não é?

9) Em sua obra. Você se inspirou em algum cineasta ou animador?
Minhas influências vem mais da literatura latino-americana, da dança contemporânea, dos quadrinhos europeus dos anos 70-80 e de alguns pintores diversos. E principalmente da própria natureza. Natura Artis Magistra.

10) O que é o cinema de animação no Brasil hoje? Como chegou a ser o que é? Qual foi e é a sua importância (se teve/tem)? Quais foram os elementos mais determinantes ao longo de sua história? O que já foi feito e o que precisa ser feito em termos de um incentivo à produção contemporânea?
Essa pergunta não dá pra responder. É ampla demais.
O que posso dizer é que quando consegui implantar o NUPA em São Paulo estava exatamente trabalhando nos pontos principais que precisam ser tratados:
-       Formação profissional consistente e original.
-       Linguagem própria que ao mesmo tempo tenha grande alcance de público.
-       Temática que se afaste dos clichês e aproxime os filmes de um conteúdo capaz de fazer refletir sem ser pessimista
-       Adequação da verba de produção a resultados melhores na tela mas capaz de propiciar vida digna aos artistas e técnicos. Verba realista.
-       Criação de repertório e estilo inovador.
-       Inovação na forma de trabalhar coletivamente.
Os filmes que fizemos no período em que o NUPA existiu podem ser assistidos e comprovam o que eu digo. Acompanhar o destino dos alunos e artistas que participaram do projeto também comprava que estávamos no caminho certo.
Lamentável que a política mesquinha e desonesta do Brasil tenha novamente destruído mais uma boa iniciativa.

11) A animação dependeu de iniciativas particulares? O cinema de animação brasileiro vingou por teimosia?
Com certeza sim.

Céu D’Ellia
New York City, NY julho de 2016



sábado, 6 de dezembro de 2014

Nada

Eu nado onde não há nada.
Nada ninguém, nem nada comigo.
Nado porque se não me afogo,
No nada que faz de mim meu único abrigo.

sábado, 12 de abril de 2014

É tu, quem quer kinkajú?


ZU KINKAJÚ, 48 páginas, colorido, já pode ser comprada por internet ou diretamente na livraria, pela COMIX. 

Clica na imagem abaixo, que redireciona pra loja:

O livro conta a história do biólogo Aramis Mococa e sua irmã, Naná, em busca de um misterioso bicho telepático, o Zu Kinkajú. É uma HQ para adultos e crianças, cuidadosamente desenhada no estilo BD europeu, com humor, aventura e um final surpreendente.
O autor, Céu D´Ellia, é cineasta de animação e ambientalista. Recebeu prêmios tanto na área da arte e cultura, como na pesquisa ecológica. Foi o primeiro animador brasileiro a trabalhar com os estúdios de longas metragens de Hollywood. Também é conhecido por ter criado, no fim da década de 80, uma coleção de figurinhas, Ploc Monsters, que marcou a infância de toda uma geração. 

A Folha Ilustrada destacou o lançamento:
(clica e acessa o site da Folha)

O Orlando Pedroso fez uma entrevista inteligente, 
como de costume, no dia do lançamento:
(clica e acessa o blog)


E o Spacca resolveu dar flores, em vida.
Uma hora essas flores vão precisar ser respondidas:
(clica e acessa o blog da SIB)


quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

UPA, Neguinho!


Enquanto estudo novas possibilidades para a volta do NUPA, eis que o Kurupyra e o Queixada Negra voltam a galopar, em grande estilo.

A convite do INCUB, comandado pelo Gil Caserta no SESC SOROCABA, vou estar no mês de fevereiro dando três palestras gratuitas, com exibição de filmes e orientação para iniciantes. Apareça!

É o UPA, NEGUINHO!
A arte internacional da animação revista pelo eixo da UPA.
A partir de uma greve nos estúdios Disney em 1941 surgiu a UPA, estúdio que produziu obras que mudaram para sempre a história da animação internacional. A UPA foi a ponta de lança da única revolução puramente estética e temática da arte da animação, arte que regra geral modifica-se muito mais em função das disponibilidades de verba e tecnologia. Para entender o que foi essa revolução é preciso conhecer o que era produzido antes da UPA e todas as suas consequências até os dias de hoje.

Dia 5 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: naturalismo e estlização, cartoon americano, animação não-objetiva, técnicas alternativas, linha de produção & surgimento da upa.


Dia 12 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: influência da upa, animações naturalistas, estilizadas e simplificadas, filmes adultos, cartoon de tv & filmes publicitários dos anos 50.


Dia 19 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: anime, escola de zagreb, animação independente, animação experimental e artistas contemporâneos inspirados pela upa.

O SESC SOROCABA fica a Rua Barão de Piratininga, 555, em Sorocaba, claro.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Atrás da cortina negra


(Car soudain ce sont des forces élémentaires qui mènent le bal. Des forces qui s’appellent la Nuit, la Faim, le Froid, la Mort et l’Inquiétude. -David Turgeon-)



Ele não se lembra como entrou naquela sala. Vazia, escura, modesta e sem janelas. 

A voz masculina baixa, mas estridente, anunciava com entusiasmo inquietante algo que estava atrás da cortina negra. Percebia-se o reflexo de uma luz vermelha no canto inferior do que parecia um pequeno palco. 

Ele sentiu algum desconforto e um formigamento na base da espinha. Medo? Antecipação pelo que estava atrás do veludo preto? As palavras do apresentador e um pequeno detalhe de algo revelado pela nesga de luz vermelha lhe deram a impressão de que, quando a cortina abrisse, veria uma mulher, nua e sofrendo. A própria intuição lhe dizia que a mulher seria incrivelmente bela. E que estaria passando por muita dor. E esse pensamento lhe perturbava.

Porque não sabia o que fazer. Deveria fechar os olhos? Sair da sala e evitar assistir à essa cena que pressentia perturbadora? Mas então não veria a lindíssima mulher... E também, afinal de contas, poderia estar enganado. Talvez não se tratasse de nada disso. Não houvesse nem mulher e nem cena de tortura. E afinal, seja lá o que fosse, não seria real, apenas uma encenação. Um jogo. Um faz-de-conta. Por que temer uma peça de teatro? 

Permaneceu ali, parado, diante da cortina que continuava fechada. E ouvindo o apresentador que continuava a tecer sinistras frases úmidas. E não foi a cortina que se abriu. Foi toda sala que suavemente foi desaparecendo. E a voz que ouvia foi sutilmente se transformando no canto dos pássaros que anunciam a manhã. 

Sua intuição estava absolutamente correta. Sim, diante dele estava o vasto mundo, a terra, a vida. Essa esplendorosa e iluminadamente bela mulher. Nua e atormentada. Mas é um jogo. Um faz-de-conta. Por que temer uma peça de teatro? 

Respirou atento, sentindo o ar preenchendo seu corpo quente. E seguiu amando a mulher, com todas as suas forças e com a fé de dissipar a dor.

(Céu D´Ellia, jan 2014)




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

9 de Dezembro de 2013: Lançamento Oficial do Livro-HQ Zu Kinkajú.
























9 de DEZEMBRO de 2013
segunda-feira

HORÁRIO:
Das 3 da tarde às 10 da noite


A história completa em HQ estilo BD para leitores de 9 a 99 anos
Álbum de 48 páginas coloridas em papel de alta gramatura.

Preço especial no dia do lançamento: R$20,00
Um presente que muita gente vai gostar.

Exibição de originais e outros materiais, brindes e autógrafos do autor, apenas no dia do lançamento.

TIRAGEM LIMITADA





sábado, 28 de setembro de 2013

O Inimigo


Aramis Mococa, mais conhecido como Mo, 
enfrentando os Espectros no Vale da Lua.
(Zú Kinkajú, 48 páginas)



De repente, descobre-se que, quando paramos de criar o inimigo, extingue-se a necessidade de armas.


(Kaká Werá Jecupé)