sexta-feira, 30 de março de 2012

2012: As oficinas do NUPA voltaram!





WORKSHOPS GRATUITOS
Inscrições abertas!





COLETIVO P.A. 010
oficina de DESENHO ANIMADO

março a dezembro 2012


Aprenda a animar em nosso estúdio, utilizando o programa de animação ToonBoom e outros programas. 

Participe da produção de filmes coletivos.

É necessário saber desenhar.







  • Para interessados de 16 a 29 anos.
  • Escolha o horário e inscreva-se!
  • Inscrições na recepção mediante amostra de seu trabalho (desenho, ilustração ou animação em qualquer estilo ou técnica).
  • Amostras podem ser em papel ou formato digital. Em caso de formato digital, recomendamos  extensões jpeg, giff, pdf, mov, avi ou mp4.
  • Sujeito a aprovação e lista de espera.

Opções de horários
Sábados: 10h às 13h – 14h às 17h – 17h às 20h

NUPA 
Núcleo Paulistano de Animação no CCJ
Direção: Céu D’Ellia

Apoio: ToonBoom









C C J Ruth Cardoso

Av. Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha
(11) 3984 2466
(ao lado do terminal de ônibus Cachoeirinha)

Comentando:
Marcelo na Mendes
Bem, as oficinas no estúdio NUPA no CCJ estão de volta pelo quarto ano (!). 
Neste ano, no NUPA, NÃO teremos aquelas apresentações Fazendesenhanimado, que a cada mês traziam um convidado diferente, além de uma mostra extra que eu mesmo selecionava. Por outro lado vou fazer apresentações de filmes durante as próprias oficinas. Quem estiver lá, aproveita.
E se tudo der certo (dedinhos cruzados), teremos várias outras novidades bacanas pra promover a produção de desenho animado em São Paulo. Fique ligado aqui no blog que é onde primeiro é avisado.
Raff na Cinema
Não quiseram mostrar o resto do estúdio.
Zica em segredo!
E aproveitando pra dizer que as oficinas estão trazendo seus resultados. Aqui estão o Marcelo Ortolani e o Raff Ribeiro pra comprovar o que eu digo. Alunos do NUPA desde o primeiro ano, já são agora profissionais trabalhando e se aprimorando. Atualmente Marcelo está no estúdio Mendes Bentancourt, onde misturam hand-drawn animation, Flash, Harmony (ToonBoom) e 3D. Raff, na Cinema Animadores, participando da co-produção internacional Zica e os Camaleões, criação do Ari Nicolosi, produção da Cinema e animação da Lightstar.


quarta-feira, 28 de março de 2012

Vão Gôgo 1923-2012



O MENSAGEIRO, 1970
Não que eu queira transformar este blog em obituário. Mas ainda estou me despedindo do Moebius e o Millôr Fernandes resolve ir embora também. E são esses mágicos da iludência fundamentais pra mim. Então, garotas e garotos, mais um adeus. 
Vão Gôgo foi um pseudônimo que o Millôr usou nos cartuns e em sua colunas entre o fim da década de 30 e o começo dos anos 60. Falando da invejadíssima Universidade do Meyer, Millor explica também sobre Vão Gôgo: A Universidade foi "Fundada" em 1945 por Emmanuel Vão Gôgo, pseudônimo do autor. A escolha desse pseudônimo pelo Magnífico Reitor da Instituição (escolhido e eleito por ele mesmo) já indicava um de seus objetivos básicos: a fusão do altamente plástico (Van Gogh) ao altamente filosófico (Kant) através de um anamorfismo humorístico. Daí a deformação auto-ridicularizante de Van para Vão (pressuposto de vanidade, grandiloquência) e Gogh para Gôgo (doença de galinha, pressuposto de psitacismo, boquirroptismo, cretinice). Cuidado na corrida ao dicionário.


A ida do Millôr, sabe pra onde, me faz perceber que gente como ele anda realmente em falta aqui nestas terras de Pindorama, baixios de Vera Cruz, Planalto Central, terra incógnita, beiras e adjacências. A ignorância está aguda no Brasil, como numcaanteznestchipaiz. E inteligência virou mosca branca. Ave, Anta!


E já que o assunto é morte, sobre essa dama silenciosa o Millôr escreveu:


CONTRA-ESPIONAGEM, 1961
- A morte é hereditária. 


- Não estar aqui e não estar em parte alguma eu não mereço. Não há nada mais terrível do que a morte, não me minta, nada mais verdadeiro, menos compartilhado. Eu vou sozinha (Mãe. Duas tábuas e uma paixão. 1981)


- Lendo história verifico que tem gente que já morreu há mais de 100.000 anos. E me vem uma certeza; a morte pode não ser definitiva, mas é por muito tempo.


- Um dia, mais dia menos dia, acaba o dia-a-dia.


- Só se morre uma vez. Mas é pra sempre.


- Morte súbita: É aquela em que a pessoa morre sem auxílio dos médicos.




O que será do Millôr agora, segundo o próprio? Difícil saber. Quando chega a hora, tão próxima, tão distante, renunciam ao palco todas as palavras e só restam espectadores. E sobrevoam pensamentos: Deus existe? Não? Sim? Não? 
Herdeiro e mantenedor da tradição irônica e iconoclasta, Millôr deixou coisas como:


- Deus existe. Mas é ateu.


- Deus fez o mundo em seis dias apenas porque ainda não havia sindicato. Hoje levaria trinta.


- Deus foi muito bem sucedido no Brasil. Mas fracassou totalmente nos brasileiros.


- Está bem, Deus ajuda a quem madruga. Mas e se a gente esperar o amanhecer no bar?


- Eu vou acabar acreditando em Deus. Tá difícil acreditar em qualquer outra coisa.


- Tá bem, digamos que Deus existe. Mas é evidente que fez isso tudo aqui sem a menor atenção e foi tratar de outra coisa.


- Deus fez o mundo. E logo o Diabo inventou uma maneira de medir as terras.
1967 (assinada por Emannuel Vão Gôgo)


A frase que realmente ficou na minha cabeça, desde que eu lia o Millôr na minha infância e adolescência, na década de setenta, e até hoje acende o que há de melhor no meu direito de Ser Humano, é "LIVRE PENSAR, É SÓ PENSAR". Se parece pouco pra você, que acabou de conhecer essa idéia agora, sugiro enfaticamente que pense novamente. A Liberdade tem um pilar. E a pedra fundamental desse pilar, é só pensar.


Adeus, Millôr. Encontro você na paralela.


- E como disse a paralela para outra, no infinito: "Não podemos continuar nos encontrando assim."


PROGRESSISTA, 1978
Continua totalmente atual este cartum.

Aliás, mais ainda do que na época em que foi feito, se considerar a que tem se prestado a democracia brasileira, que deu tanto trabalho recuperar.
Claro, bom lembrar que Millôr se refere nesse cartum aos trabalhadores que trabalham e não aos sócios majoritários do PT Corporation. 



sábado, 10 de março de 2012

Partida do Deserto B, objetivo: Edena. Próxima Escala: Pharagonescia



O desenhista e roteirista de quadrinhos francês, Jean Giraud, morreu neste sábado pela manhã aos 73 anos, após longa convalescença. Conhecido pelos pseudônimos de Moebius e Gir, notadamente pela criação da séries Blueberry, Arzach, Incal, Inside Moebius, Garagem Hermética, Monde d'Edena e outras. Além de diversas imagens que se tornaram ícones de um tempo adimensional e da fundação da revista Metal Hurlant e dos Humanoides Associes, que marcaram a criação fantástica-espacial em todo mundo a partir dos anos 70. Influenciou fortemente toda a criação visual do cinema de Space-Opera, tendo trabalhado diretamente na concepção visual de Alien, Tron, Abismo e Quinto Elemento, entre outros.


40 days dans le Désert B, pranche 33, 1999


Foi consagrado Melhor Artista em Artes Gráficas por Jack Lang, então ministro francês da Cultura, recebendo, em 1985, a Ordem das Artes e das Letras pelo então presidente da França, François Mitterrand.


Em um caso raro de artista em contínuo processo de renovação e auto-invenção, nos últimos anos Giraud ainda produzia obras inovadoras e de tirar o fôlego.


Tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente em um encontro promovido no Rio de Janeiro pela Livraria Francesa e o Consulado da França. E depois disso  chegamos a nos reencontrar em Paris para algumas conversas e saladas de folhas cruas. Jean era uma pessoa incomum e sua espiritualidade transbordante conflitavam com o racionalismo cartesiano que o cercava. 


Acima de tudo, o melhor desenhista que já existiu, capaz de sustentar uma linha em uma folha de papel com um poder além de qualquer coisa que eu jamais tenha visto. Um GIGANTE. Um GÊNIO. Um GIR.



quinta-feira, 8 de março de 2012