sábado, 28 de novembro de 2009

A melhor definição de DESENHO que ouvi até agora


Semana passada, graças ao gentil convite do Prof. Eliseu Lopes Filho, da FAAP em São Paulo, assisti a uma apresentação do cineasta e fazedor de desenhanimados Bruno Bozzetto.
Bruno é italiano e autor, entre outros, de um longa metragem que considero incontornável, Allegro Non Troppo, de 1977:




Bruno falou algumas coisas interessantes.
Considera SÍNTESE, SIMPLICIDADE & HUMOR as principais metas de seus trabalhos.
Mas o que mais me chamou atenção, foi a definição de DESENHO.
Não é dele, mas de um menino, que Bruno não identificou:

Desenho é uma idéia com uma linha em volta.

domingo, 22 de novembro de 2009

Logorrhea, do grego λογορροια (logorrhoia)


Minha crise de logorréia 12.943 e meio

A animadora Gordeeff, da Quadro Vermelho, no Rio de Janeiro, está entrevistando gente do desenho animado. A seguir, a entrevista que fez comigo:
Nome: Céu D'Ellia
Atividade que exerce ligada à Animação: Criação, Produção, Direção, Animação Clássica, Design & Ensino

Gordeeff: Há quanto tempo exerce essa atividade?
Céu: Profissionalmente 31 anos

Gordeeff: Em termos estéticos, filosofando sobre a animação, dê a sua definição sobre o que é animação.
Céu: A essência da Animação como arte é refletir sobre a limitação da percepção humana. Mas a quase totalidade do que foi produzido até hoje em animação ignora isto e limita-se a algum tipo de narrativa expressionista.

Gordeeff: O que você acha que torna a animação atrativa para o público?
Céu: Depende do público. Tentando encontrar uma resposta generalizadora como a pergunta, penso que é o sentimento de fantástico, dar corpo à imaginação.

Gordeeff: Qual a principal característica que torna a animação atrativa para você?
Céu: A sua lógica onírica.

Gordeeff: Para a animação, você acha que é mais importante a linha ou a cor (as manchas e texturas)? Por quê?
Céu: Não acho que nenhuma delas seja mais importante. O importante para a animação é a capacidade de iludir movimento e vida. Ambas se prestam a isso. E ambas podem ser mal empregadas.

Gordeeff: Para a animação, você acha que é mais importante a técnica ou a estética? Uma obra bem animada, ou uma obra com a estética, direção de arte perfeita? Por quê?
Céu: A estética. Mas em um sentido amplo, não nesse sentido que você sugere, de direção de arte. A direção de arte é um aspecto tanto técnico como estético. A animação também.
Técnica é a instrumentalização do conhecimento. Em um desenho animado existe técnica narrativa, técnica de animação, técnica de design, técnica de direção de arte, técnica musical, etc, etc.
Estética é a soma de todos os aspectos abstratos que resultam naquele desenho animado específico.

Gordeeff: Em termos estéticos, quais as características da técnica stop motion merecem destaque?
Céu: Acho que aqui entra um choque de definições. Você definiu "stop motion"como "tudo que é capturado quadro a quadro por uma câmera."
Incluiu desenho na areia e pintura em vidro, mas não incluiu desenho em papel nesse "tudo".
Para mim, um filme em pixilation é tão diferente de um filme de massinha, como um filme em desenho animado clássico de um com marionetes articuladas. E no final é tudo a mesma coisa: uma imitação do real que revela a fragilidade da nossa percepção.
Se eu considerar "stop motion" apenas no seu sentido mais tradicional: objetos e bonecos tridimensionais, feitos em quaisquer materiais, acho que é uma técnica que se aproxima mais que as outras das brincadeiras do início da infância. Por exemplo, quando as crianças pequenas brincam com bonecos e bonecas, imaginado suas próprias histórias.

Gordeeff: Essa junção de 3D e stop motion na mesma animação, vc acha que é positiva ou "negativa"?
Céu: 3 D é outro termo polêmico. Primeiro por que tem a projeção estereoscópica, que também é chamada de 3D. Depois, por que o tal do "2D" também é 3D. Só porque um filme foi desenhado em uma superfície bi-dimensional, não significa que a imagem não inclua uma dimensão de profundidade. E o tal 3D é criado igualmente em uma tela plana. E ambos são projetados igualmente em uma tela plana. Ou seja, essa definição não faz o menor sentido. Sugiro que assista o comentário de Gene Deitch a esse respeito neste link: http://www.youtube.com/watch?v=85TVhInRc8w&feature=player_embedded
Em relação à pergunta, acho que depende de juntar as duas coisas, com que finalidade. No final das contas o que importa é a experiência proposta em assistir o filme. Não entendo como negativo ou positivo. Estou neutro nessa.

Gordeeff: É só pra fazer as cenas que seriam mais difíceis de fazer (mais trabalho e paciência) em stop motion?
Céu: Acho que já respondi acima o que penso sobre isso.

Gordeeff: Qualquer história pode ser animada em qualquer técnica ou não? Por quê?
Céu: Sim. E cada técnica irá resultar em um jeito diferentes de contar a mesma história.


Céu: E complementando o que penso,

  • Não acho que alguma técnica, tecnologia ou material seja o mais importante em um desenho animado. Aliás, acho que a tendência dessas fronteiras é dissolver-se cada vez mais e no futuro não existirão mais distinções nem entre live action e animação.
  • O que importa é a experiência do filme. Envolver a atenção do espectador em uma ilusão de verossimilhança.
  • Eu particularmente misturo todas as técnicas que posso em um único filme. Se isso não distrair a atenção do espectador, ao contrário, servir para mantê-lo ligado em uma experiência que estou propondo, ótimo.
  • Se o espectador deixar de prestar atenção no filme para prestar atenção na técnica, a ponto de perder a sequência e começar a pensar em outra coisa, pronto, perdi o espectador. Isso sim seria um problema. The show must go on.
  • Prestar atenção no filme não significa prestar atenção na história. A história é UMA das linhas condutoras de um filme.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Nick Brandt



http://www.nickbrandt.com/index.cfm


Eterno fugaz

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

BRASIL, Potência de Neutrons*


Em homenagem ao APAGÃO brasileiro,
não só de eletricidade, mas principalmente de memória, palavra e ética,
proponho abaixo uma perguntinha debate.
Para postar seu comentário, clique em "Enviar um comentário",
no rodapé deste post-hermético-político-ilusório.
Se Deus é Brasileiro, o diabo, também...


A pergunta é...

Os brasileiros acreditam
nas mentiras do Presidente Lula por:


a) conveniência
b) ignorância
c) preguiça
d) medo
e) outra opção?




*Brasil, Potência de Neutrons: Iludente saúda o Premê, e pede passagem.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A mulher em Asterix

QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS ! *I




A ROSA E O GLÁDIO *VII

Já podemos olhar para o século passado e ver nos quadrinhos um registro da evolução dos costumes, da moda, da história. Se em 1943, Tintin encontra na Escócia uma moderna tv com uma caixa de metro e meio de altura e uma tela de 15 polegadas ( “A Ilha Negra”), o mesmo Tintin irá ligar seu aparelho colorido de 29 polegadas e caixa de pvc em 1976 ( “Tintin e os Pícaros”).
Em 1978, Eugène Krampon congela seus dias no Goulag siberiano ( “O Goulag”de Dimitri ) até se tornar alvo de guerrilheiros afegãos em 1981 ( “Os Reis do Petróleo”) ou de um míssil da USA Army, em 1991, no mar da Turquia ( “Exocet, aqui estamos nós!”).
Em 1959 , quando Asterix e seus companheiros bigodudos começaram a azucrinar a Paix Romana, não haviam mulheres na aldeia gaulesa. Permanecem assim, apenas como figurantes de segundo plano, disputando espaço com as árvores e os passarinhos até 1963. Nesse ano, em sua sexta aventura ( “Asterix e Cleópatra” ) , surge a primeira personagem feminina. Cleópatra, justamente.
Abre a aventura disputando com César “quem é mais forte”. Cleópatra é bela, teimosa, caprichosa e castradora.
Nos anos seguintes a aldeia gaulesa começaria a dar destaque a algumas personagens femininas. A ”mulher de Veteranix”, sempre identificada pelo nome do marido, é uma ruiva voluptuosa e vaidosa, casada com o ancião da aldeia . “Falbalá” é a loira virginal tipo Barbie, que caminha pelos campos colhendo flores, enquanto espera a volta do namorado. “Naftalina”( “Bonemine”, no original ) é a mulher do chefe. Baixinha, castradora, histérica, sempre preocupada em saber se seu marido tem ou não status entre os demais.
A primeira história onde as mulheres vêm verdadeiramente para o primeiro plano é de 1970. Em “A Cizânia” as mulheres da aldeia competem pelo poder. Pequenas baixezas, mesquinharias, fofocas estratégicas. Reuniões para lanches repletos de mexericos. Os homens também não surgem menos antipáticos nesta história de disputa e desafeto.
Se repararmos nas datas poderemos entender, para o mal e para o bem, o tipo de desenvolvimento da imagem e da presença feminina na sociedade dos anos 60, ao menos do ponto de vista dos homens.
A partir de 1980, a confusão toma conta dos papéis da aldeia.É o ano em que Uderzo lança seu primeiro álbum solo, sem a colaboração de Goscinny, que escrevia as histórias. E todos os personagens perdem um pouco de sua definição, misturam-se os estereótipos e as identidades. Uma psicanalista francêsa, Laurence Erlich, analisa que, metaforicamente, talvez Goscinny fosse o “pai” da obra e Uderzo a “mãe”. Com a perda do pai, desapareceu um conceito forte da identidade dos papéis.
De fato,em 1991, com “A Rosa e o Gládio”, o drama vêm a tona. Uderzo produz uma história que busca tratar exatamente do papel feminino e da disputa do poder, mas fica no meio do caminho. As mulheres da história ocupam todos os papéis masculinos, indistintamente se tornam legionárias e centuriãs romanas, chefe da aldeia, bardo e guerreiras. Os homens ficam sem papel, atordoados. Seria o reflexo de uma época onde a questão da identidade masculino-feminina induz a confusões ? São loucos, esses humanos! *VIII


I-QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS: Os gauleses de Asterix são destemidos e só tem medo de uma coisa - Que o céu lhes caia na cabeça. Este conjunto de textos foi escrito em 2001, pouco depois do ataque às Torres Gêmeas. Deveriam ser a linha guia de uma exposição no Centro Cultural São Paulo, sobre a BD francófona. Mas a mesma foi cancelada devido ao argumento, do então cônsul francês em São Paulo, que a BD na França já não tinha mais importância e seria melhor organizar um evento de hip hop. A conclusão a que cheguei depois dessa fala, é de que o governo francês não é muito criterioso na escolha de seus representantes no Brasil.

VII-A ROSA E O GLÁDIO: É a vigésima nona aventura (1991). A quinta produzida por Uderzo, individualmente. O título faz referência ao tema principal dessa atrapalhada história: os papéis da mulher e do homem.