quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

+ Animação Experimental


Mais um exemplo.
Trabalho de graduação de Ian Mackinnon, Royal College of Arts, London, UK.
Indicação do Raff Ribeiro e do Picles de Binóculos:

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Animação Experimental



No post de 22 de Novembro - Minha crise de logorréia 12.943 e meio - , eu respondi à Gordeeff que a essência da animação como arte é refletir sobre a limitação da percepção humana. Mas que pouquíssimas obras foram ou são realizadas nesse sentido.
Então olha esse filme abaixo. Na verdade trechos de uma performance dos graduandos de Animação Experimental MFA class da Cal Arts.  Já deu no Cartoon Brew, mas acho que vale a pena replicar aqui:

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A Verdade é Deus, o diabo são as estatísticas



A VERDADE:
Imprensa é oposição. 
O resto é armazém de 
Secos & Molhados.
(Millor Fernandes)

AS ESTATÍSTICAS:

sábado, 5 de dezembro de 2009

Experimentar o Paraíso










Stevenson repentinamente teve a impressão de que muitas horas haviam se passado, desde que ele inicialmente entrara na sala com Mister Baker. Teria seu anfitrião começado a falar apenas agora? Ele não podia dizer. Perto da garrafa, que estava novamente cheia, estava uma travessa com pequenos peixes fritos, a qual ele não percebera antes. E os negros olhos fixos lhe pareceram como os olhos de uma única criatura redonda, que do meio da mesa o encarava horrivelmente.
Que horas eram? De algum lugar, uma sala no fundo, veio o tique-taque de um relógio. Stevenson lembrou-se da história de um monge que foi distraído de seu trabalho de cópia pelo canto de um pássaro. Foi até o jardim para o ouvir mais de perto e, quando retornou, depois do que pensara fossem apenas alguns minutos, descobriu que um século se passara, que seus companheiros monges estavam mortos e sua tinta transformara-se em pó. O canto do pássaro lhe oferecera experimentar o Paraíso, onde um instante equivale a 100 anos de tempo na terra.
Aplicaria-se a mesma verdade no inferno, perguntou-se Stevenson.
Trecho de "Stevenson debaixo das palmeiras".
Alberto Manguel (1948- ), Argentina/Canadá

sábado, 28 de novembro de 2009

A melhor definição de DESENHO que ouvi até agora


Semana passada, graças ao gentil convite do Prof. Eliseu Lopes Filho, da FAAP em São Paulo, assisti a uma apresentação do cineasta e fazedor de desenhanimados Bruno Bozzetto.
Bruno é italiano e autor, entre outros, de um longa metragem que considero incontornável, Allegro Non Troppo, de 1977:




Bruno falou algumas coisas interessantes.
Considera SÍNTESE, SIMPLICIDADE & HUMOR as principais metas de seus trabalhos.
Mas o que mais me chamou atenção, foi a definição de DESENHO.
Não é dele, mas de um menino, que Bruno não identificou:

Desenho é uma idéia com uma linha em volta.

domingo, 22 de novembro de 2009

Logorrhea, do grego λογορροια (logorrhoia)


Minha crise de logorréia 12.943 e meio

A animadora Gordeeff, da Quadro Vermelho, no Rio de Janeiro, está entrevistando gente do desenho animado. A seguir, a entrevista que fez comigo:
Nome: Céu D'Ellia
Atividade que exerce ligada à Animação: Criação, Produção, Direção, Animação Clássica, Design & Ensino

Gordeeff: Há quanto tempo exerce essa atividade?
Céu: Profissionalmente 31 anos

Gordeeff: Em termos estéticos, filosofando sobre a animação, dê a sua definição sobre o que é animação.
Céu: A essência da Animação como arte é refletir sobre a limitação da percepção humana. Mas a quase totalidade do que foi produzido até hoje em animação ignora isto e limita-se a algum tipo de narrativa expressionista.

Gordeeff: O que você acha que torna a animação atrativa para o público?
Céu: Depende do público. Tentando encontrar uma resposta generalizadora como a pergunta, penso que é o sentimento de fantástico, dar corpo à imaginação.

Gordeeff: Qual a principal característica que torna a animação atrativa para você?
Céu: A sua lógica onírica.

Gordeeff: Para a animação, você acha que é mais importante a linha ou a cor (as manchas e texturas)? Por quê?
Céu: Não acho que nenhuma delas seja mais importante. O importante para a animação é a capacidade de iludir movimento e vida. Ambas se prestam a isso. E ambas podem ser mal empregadas.

Gordeeff: Para a animação, você acha que é mais importante a técnica ou a estética? Uma obra bem animada, ou uma obra com a estética, direção de arte perfeita? Por quê?
Céu: A estética. Mas em um sentido amplo, não nesse sentido que você sugere, de direção de arte. A direção de arte é um aspecto tanto técnico como estético. A animação também.
Técnica é a instrumentalização do conhecimento. Em um desenho animado existe técnica narrativa, técnica de animação, técnica de design, técnica de direção de arte, técnica musical, etc, etc.
Estética é a soma de todos os aspectos abstratos que resultam naquele desenho animado específico.

Gordeeff: Em termos estéticos, quais as características da técnica stop motion merecem destaque?
Céu: Acho que aqui entra um choque de definições. Você definiu "stop motion"como "tudo que é capturado quadro a quadro por uma câmera."
Incluiu desenho na areia e pintura em vidro, mas não incluiu desenho em papel nesse "tudo".
Para mim, um filme em pixilation é tão diferente de um filme de massinha, como um filme em desenho animado clássico de um com marionetes articuladas. E no final é tudo a mesma coisa: uma imitação do real que revela a fragilidade da nossa percepção.
Se eu considerar "stop motion" apenas no seu sentido mais tradicional: objetos e bonecos tridimensionais, feitos em quaisquer materiais, acho que é uma técnica que se aproxima mais que as outras das brincadeiras do início da infância. Por exemplo, quando as crianças pequenas brincam com bonecos e bonecas, imaginado suas próprias histórias.

Gordeeff: Essa junção de 3D e stop motion na mesma animação, vc acha que é positiva ou "negativa"?
Céu: 3 D é outro termo polêmico. Primeiro por que tem a projeção estereoscópica, que também é chamada de 3D. Depois, por que o tal do "2D" também é 3D. Só porque um filme foi desenhado em uma superfície bi-dimensional, não significa que a imagem não inclua uma dimensão de profundidade. E o tal 3D é criado igualmente em uma tela plana. E ambos são projetados igualmente em uma tela plana. Ou seja, essa definição não faz o menor sentido. Sugiro que assista o comentário de Gene Deitch a esse respeito neste link: http://www.youtube.com/watch?v=85TVhInRc8w&feature=player_embedded
Em relação à pergunta, acho que depende de juntar as duas coisas, com que finalidade. No final das contas o que importa é a experiência proposta em assistir o filme. Não entendo como negativo ou positivo. Estou neutro nessa.

Gordeeff: É só pra fazer as cenas que seriam mais difíceis de fazer (mais trabalho e paciência) em stop motion?
Céu: Acho que já respondi acima o que penso sobre isso.

Gordeeff: Qualquer história pode ser animada em qualquer técnica ou não? Por quê?
Céu: Sim. E cada técnica irá resultar em um jeito diferentes de contar a mesma história.


Céu: E complementando o que penso,

  • Não acho que alguma técnica, tecnologia ou material seja o mais importante em um desenho animado. Aliás, acho que a tendência dessas fronteiras é dissolver-se cada vez mais e no futuro não existirão mais distinções nem entre live action e animação.
  • O que importa é a experiência do filme. Envolver a atenção do espectador em uma ilusão de verossimilhança.
  • Eu particularmente misturo todas as técnicas que posso em um único filme. Se isso não distrair a atenção do espectador, ao contrário, servir para mantê-lo ligado em uma experiência que estou propondo, ótimo.
  • Se o espectador deixar de prestar atenção no filme para prestar atenção na técnica, a ponto de perder a sequência e começar a pensar em outra coisa, pronto, perdi o espectador. Isso sim seria um problema. The show must go on.
  • Prestar atenção no filme não significa prestar atenção na história. A história é UMA das linhas condutoras de um filme.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Nick Brandt



http://www.nickbrandt.com/index.cfm


Eterno fugaz

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

BRASIL, Potência de Neutrons*


Em homenagem ao APAGÃO brasileiro,
não só de eletricidade, mas principalmente de memória, palavra e ética,
proponho abaixo uma perguntinha debate.
Para postar seu comentário, clique em "Enviar um comentário",
no rodapé deste post-hermético-político-ilusório.
Se Deus é Brasileiro, o diabo, também...


A pergunta é...

Os brasileiros acreditam
nas mentiras do Presidente Lula por:


a) conveniência
b) ignorância
c) preguiça
d) medo
e) outra opção?




*Brasil, Potência de Neutrons: Iludente saúda o Premê, e pede passagem.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A mulher em Asterix

QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS ! *I




A ROSA E O GLÁDIO *VII

Já podemos olhar para o século passado e ver nos quadrinhos um registro da evolução dos costumes, da moda, da história. Se em 1943, Tintin encontra na Escócia uma moderna tv com uma caixa de metro e meio de altura e uma tela de 15 polegadas ( “A Ilha Negra”), o mesmo Tintin irá ligar seu aparelho colorido de 29 polegadas e caixa de pvc em 1976 ( “Tintin e os Pícaros”).
Em 1978, Eugène Krampon congela seus dias no Goulag siberiano ( “O Goulag”de Dimitri ) até se tornar alvo de guerrilheiros afegãos em 1981 ( “Os Reis do Petróleo”) ou de um míssil da USA Army, em 1991, no mar da Turquia ( “Exocet, aqui estamos nós!”).
Em 1959 , quando Asterix e seus companheiros bigodudos começaram a azucrinar a Paix Romana, não haviam mulheres na aldeia gaulesa. Permanecem assim, apenas como figurantes de segundo plano, disputando espaço com as árvores e os passarinhos até 1963. Nesse ano, em sua sexta aventura ( “Asterix e Cleópatra” ) , surge a primeira personagem feminina. Cleópatra, justamente.
Abre a aventura disputando com César “quem é mais forte”. Cleópatra é bela, teimosa, caprichosa e castradora.
Nos anos seguintes a aldeia gaulesa começaria a dar destaque a algumas personagens femininas. A ”mulher de Veteranix”, sempre identificada pelo nome do marido, é uma ruiva voluptuosa e vaidosa, casada com o ancião da aldeia . “Falbalá” é a loira virginal tipo Barbie, que caminha pelos campos colhendo flores, enquanto espera a volta do namorado. “Naftalina”( “Bonemine”, no original ) é a mulher do chefe. Baixinha, castradora, histérica, sempre preocupada em saber se seu marido tem ou não status entre os demais.
A primeira história onde as mulheres vêm verdadeiramente para o primeiro plano é de 1970. Em “A Cizânia” as mulheres da aldeia competem pelo poder. Pequenas baixezas, mesquinharias, fofocas estratégicas. Reuniões para lanches repletos de mexericos. Os homens também não surgem menos antipáticos nesta história de disputa e desafeto.
Se repararmos nas datas poderemos entender, para o mal e para o bem, o tipo de desenvolvimento da imagem e da presença feminina na sociedade dos anos 60, ao menos do ponto de vista dos homens.
A partir de 1980, a confusão toma conta dos papéis da aldeia.É o ano em que Uderzo lança seu primeiro álbum solo, sem a colaboração de Goscinny, que escrevia as histórias. E todos os personagens perdem um pouco de sua definição, misturam-se os estereótipos e as identidades. Uma psicanalista francêsa, Laurence Erlich, analisa que, metaforicamente, talvez Goscinny fosse o “pai” da obra e Uderzo a “mãe”. Com a perda do pai, desapareceu um conceito forte da identidade dos papéis.
De fato,em 1991, com “A Rosa e o Gládio”, o drama vêm a tona. Uderzo produz uma história que busca tratar exatamente do papel feminino e da disputa do poder, mas fica no meio do caminho. As mulheres da história ocupam todos os papéis masculinos, indistintamente se tornam legionárias e centuriãs romanas, chefe da aldeia, bardo e guerreiras. Os homens ficam sem papel, atordoados. Seria o reflexo de uma época onde a questão da identidade masculino-feminina induz a confusões ? São loucos, esses humanos! *VIII


I-QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS: Os gauleses de Asterix são destemidos e só tem medo de uma coisa - Que o céu lhes caia na cabeça. Este conjunto de textos foi escrito em 2001, pouco depois do ataque às Torres Gêmeas. Deveriam ser a linha guia de uma exposição no Centro Cultural São Paulo, sobre a BD francófona. Mas a mesma foi cancelada devido ao argumento, do então cônsul francês em São Paulo, que a BD na França já não tinha mais importância e seria melhor organizar um evento de hip hop. A conclusão a que cheguei depois dessa fala, é de que o governo francês não é muito criterioso na escolha de seus representantes no Brasil.

VII-A ROSA E O GLÁDIO: É a vigésima nona aventura (1991). A quinta produzida por Uderzo, individualmente. O título faz referência ao tema principal dessa atrapalhada história: os papéis da mulher e do homem.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


Fazen' desenhanimado 23

FOLK X POP
Veja, para mim, este tipo de troca cultural (geralmente inconsciente), é mais importante que tentar entender as especificidades de uma determinada cultura.

2003
Yuri Norstein
artista gráfico e animador, a propósito de Fuyu no Hi, com Kawamoto

Fazen' desenhanimado 22

ESPOSA & AMANTE
Só consigo produzir minhas animações graças ao que ganho com os mangás.
Sempre brinco que os mangás são minha esposa e as animações minha amante.

1987
Osamu Tezuka
mangaka

quinta-feira, 17 de setembro de 2009


Fazen' desenhanimado 21

INOCÊNCIA


Não importa quão cínica seja a época em que
vivemos,
dentro de TODOS existe um espaço inocente.
E estes personagens falam
com essa inocência.
Eles permitem que você vá a
esse espaço interior.


2009

Michael Frith
primeiro diretor de arte da Jim Henson Company que, entre outros, produziu Os Muppets

Fazen' desenhanimado 20:


MERCHANDISING

Você pode manipular consumidores para que venham para seus produtos.
É um jôgo.
Alguém me perguntou:
Isso é ético?
Você está manipulando crianças.
Bem... Sim...
Se é ético eu não sei.
Mas nosso papel no negócio é movimentar produtos.

2003
Lucy Hughes
Vice-presidente da Initiative Media, USA.
Co-criadora O Fator Pedir pra mãmãe ou pro papai

quinta-feira, 10 de setembro de 2009



Fazen' desenhanimado 19:

POLÍTICA

Psiquiatra: - Beavis e Butt-Head são novos aqui, então vamos tentar não pegar pesado com eles, certo?
Beavis: - Rá, rá... Ela disse PEGAR. Rá, rá...
Butt-Head: - É... Rá, rá.

Beavis & Butt-Head

quarta temporada, "Eles estão vindo para me levar embora, rá, rá"


Fazen' desenhanimado 18:

O NEGÓCIO

AVISO
Se você tem ideais artísticos, talvez fique chocado em saber:
Animadores precisam ganhar dinheiro.

Terry Gillian
animador, diretor, autor e python

sexta-feira, 4 de setembro de 2009


FAZEN’DESENHANIMADO


no CCJ Ruth Cardoso

Convidados conversam com o público, apresentam animações e técnicas, respondem perguntas, falam de suas idéias e experiências.
Entrada Franca
Convidados de SETEMBRO:

GIL CASERTA FAZEN’DESENHANIMADO COM TOONBOOM
Dia 12 de setembro, sábado, 16:00 h
Gil Caserta, um dos mais experimentados e versáteis profissionais em animação digital apresenta o programa de animação 2D Toon Boom Studio.
Com o apoio da empresa de softwares canadense Toon Boom.



CÉU D’ELLIA FAZEN’DESENHANIMADO DA IDÉIA À ANIMAÇÃO

Dia 17 de setembro, quinta, 19:00 h
CÉU D’ELLIA FAZEN’DESENHANIMADO DA PRODUÇÃO AO POP


Dia 24 de Setembro, quinta, 19:00 h

Céu D’Ellia, veterano na produção nacional e internacional, apresenta, através de citações e trabalhos dos grandes nomes do desenho animado, como Miyazaki, Mel Blanc, Disney e Kricfalusi, os bastidores do cinema de animação.




ALÊ ABREU FAZEN’DESENHANIMADO CÓSMICO

Dia 26 de Setembro, sábado, 17:00 h
Alê Abreu, criador do longa metragem em desenho animado Garoto Cósmico, mostra seus trabalhos e fala de seu processo criativo.



CENTRO CULTURAL DA JUVENTUDE RUTH CARDOSO
Curadoria em cinema de animação: Céu D'Ellia

Av. Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha



(11) 3984 2466(ao lado do terminal de ônibus Cachoeirinha)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Fazen' desenhanimado 17:


SUA MÃE

Alguém além de sua mãe iria querer ver esta cena?

Ollie Johnston
animador dos filmes clássicos da Disney

Johnston foi homenageado no filme The Incredibles (Pixar, 2004), surgindo como figurante, com Frank Thomas, na cena acima.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Os autores de Asterix

QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS ! *I



O DOMÍNIO DOS DEVSES*VI

René Goscinny nasceu em Paris em 1926 e mudou com seus pais para a Argentina com dois anos de idade, onde viveu toda a infância e a adolescência. Em 1948 foi para os Estados Unidos onde começa a trabalhar, como desenhista, com Harvey Kurtzman, o criador da revista “Mad”. Decide mudar para a França e depois a Bélgica, onde se lança como redator humorista. Cria então o texto de diversas séries, como “Modeste et Pompon” ( com Franquin ), “Le Signor Spaghetti” ( com Attanasio ) e “Oumpah-pah” ( já com Uderzo ). Em 1959 supervisiona a criação da revista Pilote, para a qual cria Asterix, junto com seu colaborador, o desenhista Albert Uderzo. Recebe em 1967 o título máximo francês das Artes e Letras.
Continua trabalhando como redator-chefe de Pilote até 1974, lançando e descobrindo muitos dos principais autores de BD francófone. Escreve o roteiro de diversas outras séries além de Asterix, como “Iznogoud” ( com Tabary ), o grão-vizir que quer ser califa no lugar do califa e “Lucky Luke”( com Morris ), o caubói que atira mais rápido que a própria sombra.
Em 1974 , sempre com Uderzo, cria o estúdio de desenho animado Idéfix.
Em 1977 René morre, após uma crise cardíaca, deixando mulher e filha. Foi o fim da parceria com Uderzo, iniciada vinte e seis anos antes, quando René vivia sozinho em Paris e salvava o estômago graças aos sanduíches que a mãe de Uderzo lhe dava.
Albert Uderzo nasceu em 1927,em Reims, como Alberto, filho de uma família de imigrantes italianos, recém chegada à França. O talentoso desenhista de Asterix veio em um corpo daltônico e com seis dedos em cada mão. Os dedos extra foram removidos, mas o daltonismo o acompanha até hoje. Aos 13 anos, vivendo na França ocupada, trabalha em um jornal como desenhista. Também trabalha como auxiliar de marceneiro e, obrigado pelo exército nazista, como soldador em uma fábrica de armamentos.
O fim da guerra, em 44, abre espaço para um talentoso desenhista que quer fazer desenhos animados. De fato, o interesse pela animação é visível na obra de Uderzo, com suas formas arredondadas e cheias de volume. O proprio Asterix talvez pudesse se disfarçar de anão da Branca-de-neve, sem muito esforço. Durante quinze anos o talento de Uderzo evolui para, em 1959, criar Asterix com Goscinny, em estilo humorístico, e “Tanguy e Laverdure”, pilotos de caça, com Charlier, em estilo realista e técnica apurada. Em 1967, no entanto, abandona todos os seus outros projetos para se dedicar exclusivamente a Asterix, que produz até hoje. O sucesso de Asterix em quadrinhos garantiu a Uderzo transpor seus personagem diversas vezes para o desenho animado, como sempre foi seu desejo. É casado desde 1953 com Ada, com quem teve uma filha, Sylvie.
A biografia dos autores nos remete novamente aos irredutiveis gauleses que resistem diante do exército de César. Goscinny certamente conheceu a pressão social diversas vezes em sua vida. Afinal, quando desembarcou nos Estados Unidos com 22 anos de idade, sozinho, era um sul americano judeu que vivera na Argentina por 20 anos. Uderzo viveu sua infância e adolescência em uma França ocupada. E, na verdade, os primeiros leitores de Asterix, em 59, eram crianças nascidas durante ou imediatamente depois da ocupação alemã.


I-QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS: Os gauleses de Asterix são destemidos e só tem medo de uma coisa - Que o céu lhes caia na cabeça. Este conjunto de textos foi escrito em 2001, pouco depois do ataque às Torres Gêmeas. Deveriam ser a linha guia de uma exposição no Centro Cultural São Paulo, sobre a BD francófona. Mas a mesma foi cancelada devido ao argumento, do então cônsul francês em São Paulo, que a BD na França já não tinha mais importância e seria melhor organizar um evento de hip hop. A conclusão a que cheguei depois dessa fala, é de que o governo francês não é muito criterioso na escolha de seus representantes no Brasil.

VI-O DOMÍNIO DOS DEVSES: É o nome da décima sétima aventura (1971). E também o nome de um conjunto habitacional que Júlio César quer construir ao lado da aldeia gaulesa.

domingo, 9 de agosto de 2009

Agora o silêncio















Imagem: 2001, A Space Odissey de Stanley Kubrick

Há um homem que caminha pela avenida, que sobe e desce mil vezes a mesma rua e que rumina e rumina mil pensamentos, os quais possivelmente, não tem a menor importância e nem irão resolver a dor e o desejo...
Porém onde está o que não passa? O Habitante desta morada?
Nesta avenida se produz uma asfixia.... Neste turbilhão o homem precisa respirar.... E este homem para e olha... e então surge alguém de dentro deste homem, que reconhece: Há um sopro que refresca tudo! Algo como uma clarabóia se abre... um único instante habitado!
Mas logo isto passa e a mecânica começa de novo.
Porém se este homem se dá conta disso, percebe este frescor, este claridade, este ar que circula, este outro ritmo, este outro som, este não sei que... Sente-se preenchido por esta outra realidade e fica atento e quer que esta sensação retorne outras vezes... A partir daí a asfixia se torna mais ativa e ele tem necessidade desta “outra coisa”.
Começamos a entrar no caminho Ensolarado.
Agora os vagos terrenos, agora o silêncio...
Um muro negro!!!
E detrás, o céu.

Trecho do livro
A Genesis do Super Homem,
de Sat Prem

Satprem, nascido em Paris em 1923.
Comprometido com a resistência, foi detido pela Gestapo e deportado para campos de concentração Buchenwald e Mauthausen.
Quando a guerra terminou, ele conheceu Sri Aurobindo e a Mãe na Índia.
Viajou através do mundo: Guiana Francesa, a Floresta Amazônica, Brasil, África, Índia
Tornou-se um dos principais depositários e testemunhas do trabalho da Mãe e continuador do trabalho de Aurobindo.
Faleceu em 2007.