sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Zu Kinkajú: O que você realmente sabe?



Já está no caminho da gráfica, com 48 páginas. Segue abaixo uma nota que escrevi quando terminei o trabalho e que também estará no livro:

O ilustrador Angelo Bonito me deu uma força
na finalização da arte da capa.
Nota do autor

Desde criança eu me sentia atraído pela busca ao animal misterioso. Podiam ser os animais do imaginário, como o Unicórnio, o Grifo, a Roca, o Marsupilami, o Jeep, o Anhangá, o Pushmi-pullyu ou o Jaguadarte. Podiam ser as histórias dos naturalistas identificando as espécies em longas expedições, como contava o Diário da Viagem de Charles Darwin ao redor do mundo, que li quando tinha 10 anos.

Aos 11, inspirado pelos Cronopios de Julio Cortázar, comecei a pesquisar, nos meus próprios desenhos, o meu animal misterioso. Surgiu o Poligato, que continuou chamando assim por quase duas décadas, até eu desenvolver um programa de conscientização ambiental, nos anos 1990, com a bióloga Andree Vieira.

Ela desenvolvia as atividades com as escolas e eu criava vídeos, histórias, quadrinhos e ilustrações. Chamávamos nosso projeto de Super Eco, e resolvi rebatizar meu Poligato assim. Comecei então a contar a história da busca pelo Super Eco, mas travei em um impasse. Existia um grande equívoco nesse nome e em eu ter imaginado que o Super Eco era uma espécie de super-animal, capaz de se adaptar e viver em qualquer ecossistema. Porque isso seria exatamente o contrário do que a Natureza nos ensina. Cada espécie é única, com habilidades e qualidades próprias, vivendo em ambientes específicos. E toda essa rica diversidade, relacionando-se em equilíbrio dinâmico, é que é a Vida, delicada e preciosa. E a riqueza e o motor da vida é a diversidade. Essa é uma grande lição, que pode ser lembrada sempre. E eu havia ignorado isso em minha história e tomado o caminho errado para encontrar meu animal misterioso.

Os animais são grandes professores. As plantas, especialmente as árvores, e até as pedras, também são. Desde que saibamos prestar atenção, sendo alunos esforçados. Eu e os bichos compartilhamos muitos segredos. Sou grato a eles por isso.

Então, finalmente, depois de mais de dez anos, retomei a busca pelo animal misterioso. Aproveitei da minha história e dos desenhos todas as pistas que ainda me guiavam, e saí na trilha do Zu Kinkajú. Agora nós já sabemos que se trata de uma espécie de mamífero neotropical da família Procionídea, próximo do Gênero Potos (Jupará, Quincajú ou Ursinho do Mel) e do Gênero Bassaricyon (Olingo).

Sim, eu sei, no final das contas muito ainda permanece envolto em mistério. Afinal, o que significa exatamente o fim desta história e o que aconteceu com a Naná durante os quatorze anos que se passaram? Mas isso é para responder em outra oportunidade.

Este livro em quadrinhos foi produzido seguindo três princípios com os quais trabalho há algum tempo: Eco eficiência, Biofilia e a Pergunta-Chave.
Eco eficiência significa escolher materiais para fazer o produto, que não poluam e causem o menor impacto possível ao meio-ambiente.
Biofilia é o amor à vida. A vida é uma dádiva que contém dentro dela mesma um Amor que a sustenta. Despertar as crianças de todas as idades, para isso, é algo em que acredito e que me move.
A Pergunta-Chave é: - O que nós realmente sabemos? – Ao nos fazer essa pergunta, nos tornamos mais cuidadosos e mais conscientes de nossas limitações. A maioria dos danos, incluindo aqueles que causamos a nós mesmos, aos outros e ao mundo em que vivemos, é resultado do nosso excesso de certeza.

E afinal, o que nós realmente sabemos?


Com Amor,
Céu D´Ellia
São Paulo, 14 de Agosto de 2013.

PS: No dia seguinte a ter escrito a nota acima, depois de ter terminado este livro, foi noticiada a descoberta do Olinguito, pelos cientistas do Smithsonian.
Vivendo nas Américas Central e do Sul, este procionídeo, nome científico Bassaricyon neblina, tem a cabeça maior e mais arredondada, o focinho mais curto, e é menor que seu parente mais próximo, o Olingo


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Simulacros Verdadeiros



A Festa no Céu

Arte de 1988, toda feita a mão, em
técnica mista de lápis, hidrocor e acrílico.
Dava muito mais trabalho de fazer assim
do que hoje em dia, com computadores.
Mas dava-se muito mais valor também.
É amanhã: Sábado, 24 de Agosto de 2013, das 11h00 às 13h00
Na Livraria da Vila - Fradique Coutinho, 915 (cidade de São Paulo)
Café lacaniano: SIMULACROS VERDADEIROS
Com o artista de animação Céu D'Ellia e o psicanalista Oscar Angel Cesarotto

Desde as cavernas, a de Lascaux ou a de Platão, os humanos somos seres eminentemente visuais; escópicos, como afirmava Aristóteles. Desenhos, pinturas e sombras em movimento, os olhares ficam fascinados pelas representações plásticas, sejam verossímeis ou não. Ver para crer, mesmo que as aparências enganem e os semblantes alienem, já dizia Lacan. Crer para ver: para Freud, quando o preconceito eclipsa a percepção, só apreciamos aquilo que não põe em risco o narcisismo. Por isso e em definitivo, de todas as imagens possíveis, os espelhos, mostrando versões animadas de nós mesmos, são o suprassumo da virtualidade, a tópica do imaginário.


O texto da divulgação é esse que vai acima. Vou fazer um coquetel semiótico com meus dois chapéus, o de cineasta de animação e o de praticante de meditação. No programa, a tela de pinos do Alexander Alexeieff, o hoax do matemático Alan Sokal, a Guerra dos Mundos de Wells e Welles, a esposa do Einstein, o jogo de dados do Mahabharata, Rishis, Pink Floyd e outros leros.

É gratuito. Apareça.
Ou simule que.




terça-feira, 30 de julho de 2013

Em busca do caminho do meio


dezinfluênciasmaisuma 8: Hergé



A fluência das HQs de Hergé, em texto, narrativa e forma, continua precisa mesmo depois de muitas décadas. Há sempre quem queira pinçar elementos da sua obra para fora do contexto da época e condições em que o trabalho foi criado, para fazer acusações grosseiras e, principalmente, superficiais.

Hergé era um homem de boa fé. O tempo só lhe fez mais maduro para defender com clareza e simplicidade sua visão livre de dogmas e patrulhamentos ideológicos. O mundo de Tintin reflete a angústia do eterno teatro da idiotice humana e a liberdade frágil dos que trafegam nesse palco, investidos de inocência.


Os mais de cinquenta anos de trabalho resultam em diferentes fases, mas certamente o grande marco divisório tanto para Hergé como para os quadrinhos, especialmente a chamada banda desenhada, ou estilo europeu, é Le Lotus Bleu (O Loto Azul). Se antes desse livro Tintin viaja pelo mundo apenas para reproduzir a visão ingênua, mas estereotipada, que o catolicismo burguês alimentara no jovem Hergé, a partir dele o jovem repórter se abre para uma visão verdadeiramente cristã e humanista: somos todos irmãos e é apenas nossa própria mesquinhez materialista que nos nega vivermos em paz uns com os outros. 

Ouvindo um pouco o próprio Hergé, famoso por seu silêncio profundo, em trechos de uma entrevista a Numa Sadoul, para Les Cahiers de la Bande Dessinée, em 1978:

- O que é principalmente apaixonante, eu penso, em nossa época, é seguir a evolução da arte, de tentar descobrir talentos autênticos, de não rejeitar nada a priori. Claro, as formas mudam, a linguagem se adapta, a sensibilidade se transforma, mas, fundamentalmente, é sempre o mesmo problema para o criador: se definir, buscar o próprio equilíbrio, exprimir sua própria condição de mundo. Assim, para mim, não existe diferença fundamental entre Berrocal e um mármore grego, entre Schoeffer e Miquelângelo. 

- Eu não gosto do lado político, do lado patrulheiro engajado das coisas. Eu sou um homem do caminho do meio, eu penso. Ao menos eu tento ser... Eu sou de Gêmeos e minha tendência é de escutar os prós e os contras, de ser mais observador que ator. Em um conflito, mesmo que me diga respeito, eu me esforço sempre em buscar a verdade e escutar com atenção meu interlocutor. Nós não encontramos a verdade com frequência, nem mesmo nunca: talvez encontremos, de tempos em tempos, a NOSSA verdade, a verdade momentânea. Porque tudo isso é muito fugaz. Nós estamos sempre em permanente evolução. Descobri isso para minha grande estupefação.

- Se Tintin é um inveterado escoteiro? Mas por que não? É tão ridículo assim fazer uma boa ação? Amar a natureza? Esforçar-se a ser fiel à palavra dada? Mas felizmente o escotismo de Tintin é temperado pelos companheiros que o cercam. Eu mesmo fui escoteiro: minha patrulha era dos "Esquilos" e meu totem "Raposa Curiosa". E a influência que o escotismo teve em mim eu considero benéfica.

- Tudo mudou depois que terminei Les Cigares du Pharaon (Os Charutos do Faraó). Eu anunciei no Petit Vingtieme que Tintin iria continuar sua viagem para o Extremo Oriente. E nesse momento eu recebi uma carta que me dizia, essencialmente, isto: "- Eu sou padre-professor de estudantes chineses na Universidade Católica de Louvain. Ora, Tintin vai partir para a China. Se você mostrar os chineses como os ocidentais geralmente os representam: se você os mostrar com uma trança que na dinastia manchúria era sinal de escravidão, se você os mostrar astuciosos e cruéis, e se você falar de torturas, então você irá ferir meus estudantes. Por favor, seja prudente: informe-se..." E foi o que eu fiz e o Frei Gosset -era seu nome- me colocou em contato com um de seus estudantes, que era desenhista, pintor, escultor, poeta, e se chamava... Tchang Tchong-Yen. Sim, foi esse o nome que eu dei ao pequeno chinês que Tintin encontra e que se torna seu amigo, e que ele reencontrará mais tarde em Tintin au Tibet (Tintin no Tibet). Mas foi no momento de Le Lotus Bleu que eu descobri um mundo novo. Para mim, até então, a China era com efeito, povoada de multidões de olhos puxados, pessoas muito cruéis que comiam ninhos de andorinha... Eu exprimi tudo isso em um diálogo curto entre Tintin e Tchang. Então, descobri uma civilização que eu ignorava completamente e, ao mesmo tempo, tomei consciência de uma espécie de "responsabilidade". Foi a partir dali que me coloquei a pesquisar documentação, a me interessar verdadeiramente pelas pessoas e pelos países a que enviava Tintin. Tudo graças ao meu encontro com Tchang. Eu lhe devo também por ter melhor compreendido o sentido da amizade, da poesia e da natureza... 

- Eu não gosto disso que se diz "barato", nem com pessoas, nem com sentimentos, nem mesmo com objetos. Isso não significa, vamos deixar bem claro, que só as coisas que custam caro, só os mármores raros, só as madeiras de lei, tem valor aos meus olhos. Não, um simples copo de barro pode ser muito belo, um móvel de plástico, também. Aquilo que eu sou sensível é à qualidade. Existem pessoas de qualidade, como existem coisas de qualidade. Mas o que vai acontecer com essa noção de qualidade, agora que caminhamos mais e mais para a produção em série, a produção em massa?...

- É provável que eu esteja buscando um tipo de equilíbrio em meus desenhos. Mas é principalmente inconsciente. O que é consciente, por outro lado, é minha busca pela "lisibilidade". Nada é gratuito: eu descarto os efeitos puramente decorativos ou estéticos. Eu repito, meu único objetivo é ser o mais claro possível. E todo o resto é subordinado. A grande dificuldade nos Quadrinhos é mostrar exatamente o que é necessário e suficiente para o entendimento da narrativa: nada a mais, nada a menos. 

Lidos os trechos do depoimento de Hergé acima, e refletindo um pouco, fica claro perceber porque a adaptação de Tintin, por Spielberg, para as telas de cinema, resultou tão desastrosa. Para além dos imperativos comerciais e de um filme que mais se parece com assistir alguém jogando sozinho um vídeo-game com bonecos de borracha industrializados, faltou toda a essência de Hergé. Pesado, confuso, excessivo, o filme, apesar de orçamento altíssimo, carece de arte, clareza e identidade. É um caríssimo filme barato. Sem a sensibilidade com que Hergé utiliza o patético como moldura que revela o ser humano, resta apenas a caricatura como armadura sem gente dentro. Fantasmas com máscaras.


Sem título, 1963. 
Óleo sobre tela de Hergé.
Movido por seu interesse pela
arte contemporânea e tendo Van Lint
como seu professor, Hergé irá pintar
37 telas abstratas no início da década
de 60. As pinturas adquiriram rapida-
mente grande valor, mas o próprio
Hergé não considerou que tivesse
realmente o que exprimir nessa área,
abandonando-a. A última aventura,
inacabada, de Tintin, chamava-se
Alpha-Art e era crítica em relação
aos critérios mercadológicos que
dominaram a arte.

dezinfluênciasmaisuma 1: Cosey
dezinfluênciasmaisuma 2: Pintura Corporal
dezinfluênciasmaisuma 3: Franquin
dezinfluênciasmaisuma 4: Monet
dezinfluênciasmaisuma 5: Nine
dezinfluênciasmaisuma 6: Les Nabis
dezinfluênciasmaisuma 7: Mattotti



quarta-feira, 10 de julho de 2013

Tempo no Tempo


Há sempre um tempo no tempo que o corpo do homem apodrece sua alma cansada penada se afunda no chão.

E o bruxo do luxo baixado o capucho do lixo caprichos não mais voltarão.


Já houve um tempo em que o tempo parou de passar e um tal homo sapiens não soube disso aproveitar.


Chorando, sorrindo, falando em calar, pensando em pensar quando o tempo parar de passar.


Mas se entre lágrimas você se achar e pensar que está a chorar, esse era o tempo em que o tempo é....



(Os Mutantes, livremente inspirada em Once was a Time I Thought, por The Mamas & The Papas, de John E.A. Phillips)

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Sandro Cleuzo é homenageado em Firenze.


Quando eu crescer querer ser Sandro Cleuzo.

Um filme de animação pode ser feito de diversas formas, que se assemelham de certa maneira a outras formas de organização humana conhecidas. Uma equipe pode ser como uma pequena banda de jazz que toca ao mesmo tempo e improvisa. Ou como uma enorme indústria automobilística, cheia de operários especializados, trabalhando em uma linha de montagem, a partir de sofisticados projetos de design e engenharia. A maioria do que se vê por aí, no entanto, vai na linha fast food, e no final das contas, a promoção do produto tem muito mais qualidade que o produto em si. Se é que o produto tem alguma...

Os longa-metragens de animação clássica, principalmente aqueles realmente originais e ao mesmo tempo efetivamente capazes de se comunicar com o público, são feitos por equipes que se assemelham a orquestras. 
Em uma orquestra não pode ter músico ruim, tocando fora do tom ou do compasso. Não há como disfarçar um desempenho abaixo do minimamente bom. Quem tem que ter o ouvido pra identificar cada uma das diferentes participações em uma orquestra e corrigir o que é necessário, é o maestro. Essa é a função do diretor em um longa de animação clássico. Identificar o papel de cada artista e saber como integrar com o todo, ao mesmo tempo que percebe aquela fração de tempo dentro da peça em que algo pode ser valorizado e se destacar.
E na orquestra há os solistas. São aqueles musicistas que em um determinado momento executam a melodia principal, sozinhos ou acompanhados, carregando com eles o foco da peça. Assim são os animadores principais em um desenho animado, que sustentam a essência mágica da animação em seus traços, timing e spacing. Existem muitos animadores bons e medianos. Mas são raros os virtuoses. É preciso muita concentração e dedicação. Pouquíssimo provável acumular a função de diretor e animador principal. A não ser que se ignore a necessidade de ter uma data para terminar o trabalho. Porque enquanto o diretor precisa estar a uma distância segura para enxergar o todo, os animadores principais são aqueles que vão conhecer cada detalhe menor da forma de se mover de seu personagem. Como atores principais encarnando seus papéis, músicos solistas se integrando a seus instrumentos.
Sandro Cleuzo é um desses, dessa tradição de poucos nomes, como Art Babbitt, Milt Kahl ou Bill Tytla

Uma das principais razões de Canta, Ty-Etê! ter ficado bonito do jeito que ficou foi a animação de Sandro Cleuzo. Um prazer enorme trabalhar com ele. Poder discutir os pequenos nuances que fazem tanta diferença e que definem a singularidade de uma animação. 
Em Firenze, na Academia NEMO,
Sandro também ministrou um workshop
de dois dias, para alguns sortudos


Recentemente, Sandro, que está atualmente na Califórnia, USA, trabalhando em uma produção da Dreamworks, merecidamente recebeu uma homenagem na Itália, em Firenze (Florença), uma cidade carregada de simbolismo para as artes de todos os tempos e preenchida de obras primas da Renascença. Segue uma breve conversa com o Sandro:


Sandro: Desculpe a demora pra responder. Mas é que foi uma correria aqui e não parei um minuto. 

Iludente: Que prêmio é esse e qual o motivo de você ter sido escolhido?
Sandro: O Prêmio é chamado Nemoland e foi criado por uma escola de animação e artes visuais que se chama NEMO NT Accademia Delle Arti Digitali, em Firenze (Itália). Juntamente com o apoio da cidade. Todo ano eles realizam o Nemoland, onde homenageiam 2 artistas de várias áreas da indústria de animação mundial. Este ano foram escolhidos eu e o animador Victor Navone, da Pixar. Fui escolhido pelo meu trabalho em geral, pelo minha contribuição para a industria da animação até agora.


Sketchbook lançado por ocasião do prêmio
Iludente: O que pode nos falar do que está fazendo agora?
Sandro: Estou animando no projeto da Dreamworks "Me and My Shadow", um longa que combina animação feita a mão e CGI.  E sobre um rapaz e sua sombra, que tem personalidades diferentes. Os personagens são animados por computador, mas suas sombras são animadas a mão.

Iludente: Planos de projetos futuros?
Sandro: Sim, estou desenvolvendo o projeto de um longa que se passa no Amazonas. Vou tentar ir atrás de financiamento e gostaria de faze-lo no Brasil. Também estou tentando terminar um curta metragem pessoal.


Exposição de trabalhos de Sandro

na Academia NEMO.
Bom, quem quiser conhecer mais do trabalho desse artista genial, tem aqui o endereço do seu blog: Inspector Cleuzo.

Tenho certeza que a cidade de São Paulo ganhou muito ao produzir esse pequeno curta do NUPA, em homenagem ao maior de seus rios. Quem conhece e ama de verdade esta cidade vai concordar comigo. É preciso escrever "ama de verdade" porque Amor é uma palavra fácil de ser usada hipocritamente. 

Canta, Ty-Etê!, um pequenino curta animado por esse artista desta cidade que precisou deixá-la, para que seu talento pudesse fluir. Mas como dizem: - É o Brasil... 

- É o Brasil; foi isso que ouvi outro dia a respeito do melancólico fim do NUPA
Encontrei o Ari Nicolosi (Zica e os Camaleões) na platéia de Reality, longa genialésimo dirigido por Matteo Garrone. Comentei com ele: - Como é que pode um programa como o NUPA, que estava abrindo espaço e acesso de verdade na periferia da cidade, realizando filmes significativos, alavancando a indústria de animação brasileira, criando oportunidades profissionais reais para jovens, fazendo os melhores artistas da cidade interagirem e deixarem sua marca no acervo material e imaterial brasileiro, lançando novos talentos, discutindo de forma aberta e democrática temas relevantes, sendo socialmente justo e antenado pacificamente nas necessidades do seu tempo, acabar assim? 
Pois é. A resposta do Ari disse tudo: - É o Brasil...


É a Itália:
O Nemoland 2013
e os artistas homenageados,
na imprensa da Itália.


É os Estados Unidos: 
Cartaz do longa
em produção nos Estados Unidos,
com equipe da qual faz parte
o artista Sandro Cleuzo.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Buddha na Floresta dos Cervos


ELE diminuiu os passos até parar, enquanto pensava no que diria a ELA. Voltou e a abraçou pelas costas. ELA escovava os dentes enquanto olhava ELE, de olhos fechados, refletido no espelho, dizer:
- Se existir um lugar que seja realmente o Paraíso. E se eu merecer estar um dia nesse lugar. Esse lugar só será mesmo o Paraíso se lá eu encontrar você.

ELE realmente disse isso porque acreditava completamente no que havia dito.
ELA sorriu com a boca cheia de pasta de dente e espuma e pensou que isso realmente era uma DECLARAÇÃO DE AMOR.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O Homem da Lanterna Mágica



Frame de trecho da participação de Roberto Miller em Planeta Terra








É impossível contar corretamente a história da animação brasileira sem falar do cineasta Roberto Miller.

Miller nasceu em 1923, na cidade de São Paulo, filho de um português correspondente da Reuters no Brasil. Seu nome de registro era Ignácio Maia, mas fez sua carreira chamando-se Roberto - Miller, vindo de seu ídolo da juventude, o músico Glenn Miller


Influenciado pelo escocês radicado no Canadá, Norman McLaren, de quem torna-se discípulo e amigo, marca seu estilo com animações abstratas, desenhadas com pincel e lupa diretamente em película de filme de gelatina removida. 

Sua pesquisa realiza-se principalmente nos aspectos sonoros, rítmicos, de sincronismo e forma, seguindo a tradição dessa técnica criada originalmente pelo neozelandês Len Lye e inspirada pelo movimento alemão do Cinema Absoluto. Esse movimento de animação abstrata (ou não-objetiva) aconteceu na década de 20, representado por artistas como Oskar Fischinger, Hans Richter, Viking Eggeling e Walter Ruttmann. Este último definiria o estilo como "pintura no tempo". 

O impulso fundamental para a carreira de Miller é um estágio de seis meses no National Film Board do Canadá, com McLaren, na década de 50. De volta ao Brasil integra-se ao recém fundado Centro Experimental de Cinema de Animação de Ribeirão Preto, fundado por Rubens Lucchetti e Bassano Vaccarini. Ali realiza Sound SyntheticTill Ton Special, Rock and RollSinfonia ModernaSound Abstract.

A consagração vem com Rumba (1957): medalha de prata no festival de Lisboa.

Entre outros filmes, destacam-se a partir daí: Sound Abstract (medalha de prata no festival Bruxelas/1957, prêmio Saci de São Paulo/1958 e menção honrosa no festival de Cannes/1958), Boogie Woogie (menção honrosa no festival de Cannes/1959), O Átomo Brincalhão (1967), Balanço (1968), Carnaval 2001 (1971), Can-can (1978), Ballet Kalley (1981) e Biscuit (1992).

Miller também fará carreira na criação de títulos de abertura de filmes
Planeta Terra
brasileiros, o que se chama hoje de motion film design. Mas marcou mesmo a minha infância e formação como artista de animação com o programa de tv, produzido pela então mais séria TV Cultura de São Paulo, Lanterna Mágica.


O programa, semanal, era o espaço alternativo para se conhecer a animação canadense, européia, asiática e mesmo a produção da UPA. Ali conheci Co Hoedman, Jiri Trnka, Lotte Reiniger, Escola de Zagreb, John Hallas, McLaren, etc. Fiquei sabendo do brasileiro Yppê Nakashima e por isso fui ao cinema, garoto, vibrar com Piconzé. Durante um período também, próximo ao horário do Lanterna Mágica, era exibida a série clássica de Tezuka: Kimba, o Leão Branco. Ou seja, Roberto Miller abriu as portas das infinitas possibilidades da animação para toda uma geração que não fosse isso estaria limitada a uma reduzida visão conformista. Muchas gracias, Mestre!

Em 1985, dividi com Marcos Magalhães a coordenação da produção do filme coletivo brasileiro Planeta Terra. Marcos ficou com os artistas do Brasil todo, menos São Paulo, que ficaram sob minha responsabilidade. 18 dos 30 artistas eram paulistas. E entre eles, Roberto.
Foi uma delícia poder conhecê-lo e dividir com ele a tela de um filme tão

singular. Para quem quiser conhecer esse filme, colocamos ele no Canal NUPA. Clique na imagem ao lado e aproveite. Ainda quero dedicar um post especificamente pra esse filme, cheio de histórias. Mas é bom lembrar que, além de já ter seus quase 30 anos de idade, foi feito antes da tecnologia digital. Como eu costumo dizer, animação de apaixonado, feita na unha. Não havia glamour em fazer desenho animado. Era coisa de gente fora do eixo mesmo.

Em 1988 fui diretor e organizador do Segundo Encontro Nacional de Profissionais de Animação. Propus e todos aceitaram que criássemos um troféu da própria classe, para homenagear os profissionais que mais tivessem contribuído para a animação brasileira. O nome escolhido para o prêmio foi Lanterna Mágica. E o ganhador, claro, Roberto Miller.



Planeta Terra
Miller morreu dia 16 de Março passado, aos 89 anos. Deixando viúva, dois filhos e duas netas. Um grande artista pra ser lembrado e homenageado sempre.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

Dia D Da Vinci Desenhista


Hoje é Dia do Desenhista. Porque o DaVinci teria nascido nesta data. 
Da Vinci, vinha Leonardo, o sujeito que há 600 anos desenvolveu a geometria da terceira dimensão no plano bidimensional, pra hoje chamarem desenho a lápis tridimensional no papel de "2d". 
Entendeu?

Desenhista é aquela pessoa condenada a ser testemunha, sem interferir nos fatos. Veja por exemplo o melhor filme com um desenhista no papel principal, The Draughtsman´s Contract (O Contrato do Desenhista), do Peter Greenway.
Alan Parker não pensa como eu. Pra ele esse filme é: - Uma carrada de presunção desprezível.

O quê? Testemunha que não interfere nos fatos é o Antropólogo? Ah, ah, ah! Quem diz isso não conhece de perto nenhum antropólogo.

Como se vê, este é um mundo cheio de gente que pensa diferente. Lide com isso.

Então, quase esquecendo que supõe-se que eu seja um desenhista, aqui vai um pedaço de um desenho que estou fazendo hoje. Do quarto episódio de Zú Kinkajú, Os Espectros no Vale-da-Lua.




E como nos instantes livres estou aproveitando pra reler Corto Maltese, aqui vai, nesta efeméride das linhas, uma aquarela do Hugo Pratt.
Água entrou no circuito (ou entramos na correnteza das águas), porque um dia perguntaram para o Pratt, ele, sendo um sujeito que tinha morado em tantos lugares diferentes do mundo, por que se considerava um Veneziano. Ele respondeu:


- Porque tenho confiança na água.*





Se é assim, acho que também sou Veneziano. 



*Thierry Thomas, a respeito de Hugo Pratt, em Le roi des eaux

sábado, 30 de março de 2013

Chato só tem duas dimensões.


Aí o sujeito diz que isso aqui é uma animação 2D...





E eu digo: -Ah... Sei... Só tem altura e largura... Sei...

Pra quem domina o idioma do bardo e tiver interesse, tem um post do Michael Ruocco no Brew, analisando essa animação clássica do Milt Kahl. Basta clicar na imagem abaixo. Quando eu comecei a estudar animação, 40 anos atrás, não tinha nem vídeo cassete. Mas tinha uns super-8mm com alguns minutos de duração, e dava pra estudar a animação quadro a quadro nos editores de montagem, umas caixinhas de plástico com uma lâmpada e uma lente. Estudei muito essa sequência. 





E pode procurar:
Você não vai encontrar NENHUMA animação CG3D com esse pêso, essa aderência ao solo, essa expressividade.


E se quiser ler um post antigo que escrevi sobre essa bobagem 3d/2d, 
clica aqui: 2D: O Equívoco sem Profundidade


Um dia ainda retomo esse assunto. Tem algumas coisas mais pra considerar, sobre porque é útil tanto pra um animador como para um diretor de animação, seja de desenho animado, seja de imagem de síntese, aprender quando REALMENTE é 2d.




quarta-feira, 20 de março de 2013

#FICANUPA: Mais apoios e uma pedrada



Bom, este post é pra atualizar quem está acompanhando a tentativa de sobreviver do NUPA. Há os que torcem a favor, felizmente em maior número, e os apedrejadores. 



COMO ESTÁ INDO A NEGOCIAÇÃO COM A SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA DE SAMPA: 
Até o momento em que estou escrevendo este post, neste Equinócio de Outono de 2013, marcando o fim do verão, a novidade é que no fim da semana passada tivemos uma resposta do Gabinete. Aceitaram marcar uma reunião, mas até este momento, sem data ou horário definidos. A informação mais recente é que aguardam a chegada do Secretário, que está na Europa. Esperamos juntos.



Segue nas redes sociais a campanha #FICANUPA, com memes, ilustrações e mini animações. Pede-se principalmente assinaturas na petição, que pode ser acessada neste link:


  • Para assinar é preciso estar cadastrado no Facebook e ter o app Causes desbloqueado (settings/blocking ou configurações/bloqueio).
  • Se assinar, por favor, confira se seu nome apareceu de fato na petição.




Alguns blogs bem relevantes dedicaram posts ao NUPA e ao assunto da petição criada por alunos e artistas. Clique nas imagens se quiser acessá-los:


O cartunista e ilustrador 
Orlando Pedroso 
fez uma entrevista bacana comigo.

Me perguntou coisas que 

nem aqui no Iludente contei.

O blog do Festival Anima Mundi
apresentou o NUPA para seu imenso público
e desencavou um depoimento que dei
em 2010 e que nem sabia que existia.

Mondovazio honrou a camisa do cartoon
e não exitou em chutar na canela e
não ser chapa branca.

The Cab, o blog nacional de concept art,
apoiou mais uma vez as ações do NUPA.


Quem entrou na campanha #FICANUPA e me deixou super feliz foi o gaúcho LANCAST MOTA, criador da ANABEL

Muchas gracias, Lancast! Beijo pra Anabel

Mandou este desenho do Mundo Anabel, ao lado, apoiando.
Muchas gracias, Lancast! 
Beijo pra Anabel! Abraços pro Pai, pra Mãe, pro Ulisses, o Téo e o Delegado Caranguejo.




ALUNOS DO NUPA:
Se vocês procurarem aqui no Iludente os posts de produção dos paulicéia Canta, Ty-Etê! e Bicicletas em São Paulo, vão poder ler o depoimento de vários alunos que passaram pelo NUPA. Mas tem vários outros que ainda não publiquei, e acho que esta é uma boa oportunidade pra postar mais alguns:


EDUARDO RAMUSKI (aluno NUPA): O NUPA é uma oportunidade rara. Adoro o conceito escola-estúdio. Pensava que fosse impossível começar um curso de animação sem pensar em investir uma boa grana. Os e-mails que são trocados, os videos compartilhados são sempre muito inspiradores.
Fez aumentar mais ainda meu interesse pela animação, arriscar e experimentar outros estilos de desenhos, aguçar minha visão artística para cores, movimentos e cenários. E descobrir artistas e escolas de animação que eu não conhecia.
Ilustra do Eduardo Ramuski pro #FICANUPA
O que eu mais gosto são as aulas teóricas e o empenho de todos os envolvidos. 
Caso o NUPA continue, desejo que tenha mais opções de horários e dias da semana.

ANA DE MAURO (aluna NUPA): Já aviso que a forma que vou escrever é um pouco sentimental e pessoal por conta desses tantos anos.
É estranho, mas apesar de não trabalhar como animadora, sinto que ser aluna do NUPA me ensinou muita coisa não somente na área profissional, mas na pessoal também. Lá conheci muita gente talentosa, alguns são amigos bem próximos. Me interesso por essa área, gosto de me manter informada sobre o que acontece e acho que isso floresceu a partir das aulas. Além de aprender muita coisa, cresci junto com o NUPA e me sinto uma pessoa mais feliz comigo mesma.
Por estar mais interessada em animação e ilustração, acabei ganhando vantagem na minha área (edição literária). Me formei com um projeto sobre quadrinhos e agora edito livros que tocam essa área artística. Sei, basicamente, como as coisas funcionam e aprendi a observar melhor o mundo e as pessoas com quem convivo.
Uma coisa que me agrada muito no NUPA são as aulas de conteúdo. Gosto de poder assistir e participar. Também acho interessante como as pessoas, novatas ou não, estão sempre se ajudando, dando feedback aos outros animadores e são empolgados com toda e qualquer evolução. Parece que agora somos quase uma sociedade paralela. Hahahhaa!
Eu não gosto da incerteza, se o NUPA irá sobreviver. Tínhamos sempre produção, procura, os alunos adoravam... A verba poderia não sumir...
Não sei se é possível ter apoio da prefeitura e de outros órgãos, mas isso seria legal para garantir que o NUPA continue funcionando por mais tempo.

Ilustra do Anderson Alves pro #FICANUPA
LEANDRO TADEU (aluno NUPA): Sim, o NUPA acrescentou muita coisa positiva pra mim. Conheci artistas muito bons, conheci trabalhos de artistas que admirava, mas muitos deles nem sabia o nome. No NUPA melhorei bastante meus trabalhos, acabei exercitando bastante meus desenhos quando trabalhei no projeto Expansão, e com os exercícios das aulas com o Gil.

SERGIO ASSIS (aluno NUPA): Bom, o NUPA acrescentou muitas coisas pra mim. Passei a ter uma visão mais ampla do que é animação, de seu usos e processos. E mais do que isso, passei a amar animação como um todo!
Uma das coisas mais legais do NUPA é a metodologia de ensino, por que vai muito além da coisa mecânica das escolas de vídeo-aula. No NUPA
o estudante tem liberdade para descobrir e desenvolver suas habilidades de visualização, criação, expressão e execução. E ao contrário de outros métodos, o estudante aprende a se conhecer como artista. Sem falar nas  aulas de conteúdo que são incríveis, onde se aprende muito em tão pouco tempo.
Uma sugestão pra melhorar poderia ser mais dias na semana! Seria ótimo! Abraço!!

ZIZA (aluna NUPA e artista plástica): Além de ter acesso a todo um novo panorama, que é a animação digital, conheci novos artistas e pude tirar dúvidas pessoalmente com um dos mais requisitados animadores do Brasil. Foi muito positivo para uma evolução, não só na animação.
Contribuiu para a minha formação artística, tive uma evolução no traço, na formação da estrutura do desenho e etc. 
Gostei das aulas de desenho em movimento, modelo vivo, e ter acesso a uma parte da história da animação mundial.

Ilustra do Alex Cói pro #FICANUPA
EMERSON PEREIRA (aluno NUPA): Oi! O NUPA acrescentou primeiro uma noção de de timing e cut out. Como o Éder já disse, as palestras dos animadores brasileiros fazem muita diferença. No meu caso, foi o que me levou ao NUPA. Até mesmo o contato com o ToonBoom e colorir no Photoshop, com o Raff, ocorreram no NUPA. Enfim, foram aulas de muito conteúdo, aprendizado e contato com outros profissionais ou aspirantes a profissionais da área.
Contribuiu para minha formação. Expandiu muito meu olhar sobre animação e principalmente, minha prática. O que mais gostei foi de ver sentido entre a teoria e a prática. Ver o gráfico de frames fazer sentido, junto com os vídeos de MacLaren, depois de já ter visto algumas vezes sem entender nada, foi o que mais me deixou contente. O mesmo se fez nas palestras conversando com os profissionais e com o Éder e o Raff nas oficinas. Ah! Ser de graça também foi tudo de bom!
Se tratando do NUPA, gostei de tudo. Mas se futuramente existir uma segunda unidade mais próxima do centro, vai ser tudo de bom. Abraço!


Vou deixar mais depoimentos de alunos do NUPA pra outros futuros posts, pra não overdosar. 


E tratar agora dos atiradores de pedra. Que são poucos, mas inevitáveis. Como eu já escrevi aqui antes, incentivar o ódio é do livre arbítrio de cada um, mas não é a atitude que vai construir o mundo bom e justo.


Antes de continuar, melhor invocar Mary Andrews Poppins: 


E tem também a questão do limão: 
- Se o mundo lhe dá um limão, faça uma limonada!
O que, como já visto anteriormente neste blog, faz a gente se perguntar;
-papai, por que eles nos odeiam?




O fato é que a dona de um negócio em São Paulo, que se apresenta como produtora de animações, a Sra. Melina Manasseh, apoiada pelo seu marido e sócio Sr. Alê Machado (aka Alê McHaddo), supostamente fez algumas afirmações a respeito do NUPA, através das redes sociais. 
Acho importante poder esclarecer dúvidas e este blog serve, entre outras coisas, pra isso. Então desde já agradeço a Sra. Manasseh pelo questionamento e pela oportunidade. Ainda que pessoalmente acredite que existem formas muito mais elegantes, educadas e respeitosas para motivar esclarecimentos.
Inicialmente Sra. Manasseh entrou na própria petição dos alunos e produziu o seguinte comentário, apoiado pelo Sr. Machado:

Foi contra argumentada por alunos, outros cineastas de animação e por mim. Retirou seu comentário, pelo que acreditei que percebeu que estava enganada, desinformada e eventualmente caluniando a Secretaria Municipal, o São Paulo City Film Commission e os profissionais envolvidos com o NUPA. Mas infelizmente, em seguida, ela postou a mesma coisa novamente em sua própria página no Facebook, desta vez bloqueando meu acesso para que eu não pudesse dar explicações. E um pouco depois, postou novamente o mesmo comentário em uma ilustração da campanha #FICANUPA do artista Alex Cói, desta vez incentivando aos leitores para que checassem com a ABCA (associação civil que reúne animadores brasileiros) a veracidade de suas afirmações:

Então, mais uma vez agradeço a Sra. Manasseh pela oportunidade e esclareço:
  • Não existe no orçamento da Secretaria Municipal de Cultura um volume destinado especificamente à produção de filmes de animação para que possa se afirmar, como ela afirma, que todos os incentivos foram repassados exclusivamente ao NUPA.
  • A verba do NUPA foi recebida através do CCJ Ruth Cardoso, proveniente do FECAP (Fundo Especial de Promoção das Atividades Culturais). Não tem nada a ver com a verba destinada ao cinema administrada pelo ECINE, São Paulo City Film Commission. Portanto a verba de editais não tem nada a ver com a verba destinada ao NUPA.
  • Também não é verdade que todos os editais de curtas de animação foram cancelados em 2010, 2011 e 2012. O excelente ZOOLÓGICO ESPACIAL DO SR. SKRUTINK, da MOL TOONS, foi produzido graças ao edital de 2011/12. E outros curtas também, pelo mesmo edital. Aliás, chama a atenção neste caso a afirmação da Sra. Manasseh, uma vez que ela e seu marido inscreveram-se nesse edital, ficando um de seus projetos na lista de suplência. Além desse, houve um edital de inter-programas. O NUPA lançou quatro editais de roteiro de curta metragem. E o CCJ fomentou mais outros curtas de animação autoral nesse período, totalmente independentes do NUPA, através dos editais de primeiras obras.
  • No mais, todas as afirmações feitas em relação a EDUCAÇÃO X CULTURA, expressividade e desenvolvimento da linguagem, simplesmente traduzem que a Sra. Manasseh não está absolutamente informada sobre o que fez o NUPA nesses três anos. Pelo seu suposto comentário, está na verdade chutando. 
E fiz o que ela sugere e fui checar com a ABCA

Entrei em contato com a presidenta da mesma, a cineasta de animação ROSÁRIO, que me informou que a Sra. Manasseh fala por ela e não pela associação. 
Rosário confirma que sua associação quer que a Prefeitura lance mais editais de curta metragem de animação. Eu também quero e apoio esse pleito. Mas desejo à ABCA, especialmente agora que está em mudança de diretoria, que melhore a forma de interação entre sócios e representantes. Que melhore também a escuta em relação ao poder público e das possíveis razões reais que impedem ou impediram mais editais. Certamente o NUPA não é uma delas, ao contrário. 
Também sei que há vários sócios da ABCA apoiando e assinando a petição e o projeto do NUPA. Acredito que, como eu, os alunos são verdadeiramente gratos a essas pessoas. 
Desejo a Rosário e a nova diretoria sucesso e boas realizações. Especialmente agradeço a rapidez e atenção com que atenderam meu pedido de esclarecimentos.


PS 01: Dei uma olhada no site da associação e constatei que ainda figuro no quadro de sócios, com o número 23. Mesmo tendo me afastado da mesma há, se não me engano, pelo menos 5 ou 6 anos. Já solicitei que meu nome seja retirado da lista anteriormente. E se alguém da diretoria ler isto, por favor, estou reforçando meu pedido.

PS 02: A seção de comentários está aberta a quem quiser fazê-los. Mas peço que os mesmos sejam educados e, mesmo quando críticos, não sejam ofensivos. Caso contrário terei que removê-los, como determina minha responsabilidade pela legislação brasileira. Aliás, agradeço ao advogado voluntário da comunidade da Vila Nova Cachoeirinha pela acolhida e aconselhamento.




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