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sábado, 2 de abril de 2011

1927, downtown Los Angeles



Foto interessante, cheia de desdobramentos.



É o Disney Brothers Cartoon Studio, no centro de Los Angeles, em 1927. Um ano antes do lançamento do primeiro desenho animado sonoro, com um tal Mickey Mouse. 
A menina é Lois Hardwick, a quarta e última atriz infantil a interpretar o papel de Alice em uma série de filmes mudos que misturavam a menina real com desenhos animados. A série chamava-se Alice Comedies e originou-se de um primeiro curta, Alice's Wonderland. Remotamente inspirado nos livros de Lewis Carroll.
Mas o interessante é como a história da animação dos EUA está resumida aqui.




Aqui estão os dois irmãos Disney, Walter Elias e Roy Oliver. Walt era o mais dominante, o artista. Mas o que seria dele sem Roy para olhar pelos negócios? Eu, que não tenho um Roy como irmão, longe disso, sei a resposta.
Auxiliando a segurar a pequena Lois está o braço direito - literalmente - de Disney, Ub Iwerks. Era Ub quem fazia as animações principais e foi ele o artista que deu a primeira forma e animação a Mickey. A voz era de Walt.
Disney também pariu, em 1937, o longa metragem em animação Snow White and the Seven Dwarfs. Não é o primeiro longa metragem em animação do mundo, mas é o primeiro na América e, mais importante, o primeiro que fez girar uma roda que produziu uma série de outros, até hoje.

Iwerks conhecia os Disney desde 1918, quando todos viviam e trabalhavam em Kansas City, Missouri. Juntou-se aos irmãos em 1922, no primeiro estúdio, que faliu. E foi com eles em 1923 para o novo estúdio, na California. Mas Iwerks trabalhava, animava os melhores filmes da companhia e Disney levava o crédito sozinho.
Em 1930 Ub criou seu prórpio estúdio. Não teve muito sucesso. Em 1937 colaborou com Leon Schlesinger para algumas Looney Tunes da Warner Bros. Em 1940 voltou para a Disney. Mas para dedicar-se a efeitos visuais, esse lado menos engraçado do cinema de animação. Criou muita tecnologia essencial para o cinema e entre outras ganhou um Oscar, em 1963, pelos efeitos visuais de Os Pássaros, do diretor Alfred Hitchcock.

Também de Kansas City para trabalhar no recém criado Disney Brothers Cartoon Studio, vieram esses dois amigos, Rudolph Ising e Hugh Harman. No ano seguinte a esta foto os dois produziram com os próprios recursos o desenho sonoro Bosko, the Talk-Ink Kid, com uma notável, prá época, sincronização de voz e movimento dos lábios. O tal lip-sinc. 
O filme impressionou o produtor Leon Schlesinger, que colocou-se como agente junto à Warner Brothers. E assim nasceram as Looney Tunes e as Merrie Melodies. Mas os dois desentenderam-se com Leon em 1933 e em 1934 começaram a produzir para a MGM -Metro-Goldwyn-Mayer-, dando início ao que viria a ser o futuro estúdio controlado por Fred Quimby e que, em 1940, com criação de William Hanna e Joe Barbera, traria o primeiro filme de Tom e Jerry.

Alguém precisa me dizer o que tinha na água de Kansas City no final do século XIX. Outro sujeito que também veio de lá para engrossar as fileiras do então modesto estúdio Disney foi Isadore "Friz" Freleng. 
Freleng seguiu Harman e Ising para a Warner, mas quando os dois saltaram para a MGM, ele titubeou, mas acabou ficando com as Looney Tunes até o fechamento da unidade de animação da WB em 1963. Junto com outros diretores trouxe à luz Bugs Bunny, Porky Pig, Sylvester the cat, Tweety Bird, Yosemite Sam e Speedy Gonzales (Pernalonga, Gaguinho, Frajola, Piu-piu, Eufrasino Puxabriga e Ligeirinho, se é que estão me entendendo). E não é só, em 1964, já em seu próprio estúdio, DePatie-Freleng, criou Pink Panther (Pantera Cor-de-rosa), um dos raríssimos personagens de animação da década de 60 que vingaram.

E finalmente nós temos Walker Harman, irmão mais novo de Hugh Harman, de quem sei quase nada, mas que tem o chapéu mais bacana da foto, mais chinfroso e viril do que aquele que Papai Walt Disney está usando.
Muito bem, Walker!

E se você quiser um dos melhores endereços para saber sobre desenho animado americano, aqui vai o site de um biógrafo, estudioso e crítico fundamental, Michael Barrier:
http://www.michaelbarrier.com/index.html















domingo, 8 de agosto de 2010

Peugadas de toelho nas areias do tempo



O que vai abaixo é um trecho de The History of Animation, de Charles Solomon. 


O autor está tentando explicar como os cartoons do período mais genial do desenho animado deixaram de ser produzidos. Entre os (então e ainda) popularíssimos Tom & Jerry e os cult Tex Avery, toda uma gama de criações que, passados SESSENTA anos, continuam a ser exibidos no mundo todo, sustentar a atenção, polemizar e, dependendo do caso, tocar o sino da caixa registradora.


O texto permite uma longa discussão. Que fica para o momento oportuno. Por hora, chamo apenas atenção para os dois destaques em asterísco. O primeiro é do Solomon. Mas o segundo é meu. 


Aí vai:

Os cartuns de Hollywood foram vítimas colaterais da decisão de 1944 da Suprema Corte dos E.U.A., que forçou os estúdios de filmes a que vendessem salas de exibição que possuíssem e descontinuassem a prática de “block booking” (reserva em pacote). Com block booking, se o dono de uma sala quisesse exibir um longa-sucesso de um estúdio, tinha que pegar também um segundo longa, um cartoon e, frequentemente, um noticiário. Uma porcentagem do pacote total era usada para financiar o departamento de animação do estúdio. 
Programas com filmes tinham mudado no meio dos anos 1950. As “extravaganzas” (programações elaboradas de entretenimento, com curtas de animação, filme musical e outros anexos que compunham com o longa principal) que duravam uma tarde inteira nos anos 1930, haviam sido substituídas por dois longas. Proprietários de salas de exibição recusavam pagar mais que uma taxa de aluguel mínima por um curta. Tornou-se bastante óbvio que cartoons não poderiam recuperar seus custos de produção em seu lançamento inicial*1, e um por um, os estúdios pararam de produzir cartoons. MGM estava entre os primeiros a fechar. 
Ninguém parecia se dar conta que um cartoon poderia ser relançado por anos a fio – e faturar um lucro substancial. A contínua popularidade dos clássicos cartoons Warner, MGM, Fleischer e Disney na televisão e, subsequentemente em vídeo cassete (dvd, blue-ray, i-tunes) provaram quão longa é a vida de uma boa animação*2. Desafortunadamente, executivos de estúdios durante os anos 1950 tinham a visão estreita demais para reconhecer o fato e os cartoons de Hollywood foram desnecessariamente sacrificados.

O Anjo da História diz:

OUT OF MODEL: got to get you into my life

ou: Out of Renaissance via Refusés Model - A homenagem mais homenageada da história da arte? - A referência mais referida da histór...

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