quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

UPA, Neguinho!


Enquanto estudo novas possibilidades para a volta do NUPA, eis que o Kurupyra e o Queixada Negra voltam a galopar, em grande estilo.

A convite do INCUB, comandado pelo Gil Caserta no SESC SOROCABA, vou estar no mês de fevereiro dando três palestras gratuitas, com exibição de filmes e orientação para iniciantes. Apareça!

É o UPA, NEGUINHO!
A arte internacional da animação revista pelo eixo da UPA.
A partir de uma greve nos estúdios Disney em 1941 surgiu a UPA, estúdio que produziu obras que mudaram para sempre a história da animação internacional. A UPA foi a ponta de lança da única revolução puramente estética e temática da arte da animação, arte que regra geral modifica-se muito mais em função das disponibilidades de verba e tecnologia. Para entender o que foi essa revolução é preciso conhecer o que era produzido antes da UPA e todas as suas consequências até os dias de hoje.

Dia 5 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: naturalismo e estlização, cartoon americano, animação não-objetiva, técnicas alternativas, linha de produção & surgimento da upa.


Dia 12 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: influência da upa, animações naturalistas, estilizadas e simplificadas, filmes adultos, cartoon de tv & filmes publicitários dos anos 50.


Dia 19 de Fevereiro, quarta-feira, às 19h: anime, escola de zagreb, animação independente, animação experimental e artistas contemporâneos inspirados pela upa.

O SESC SOROCABA fica a Rua Barão de Piratininga, 555, em Sorocaba, claro.



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Atrás da cortina negra


(Car soudain ce sont des forces élémentaires qui mènent le bal. Des forces qui s’appellent la Nuit, la Faim, le Froid, la Mort et l’Inquiétude. -David Turgeon-)



Ele não se lembra como entrou naquela sala. Vazia, escura, modesta e sem janelas. 

A voz masculina baixa, mas estridente, anunciava com entusiasmo inquietante algo que estava atrás da cortina negra. Percebia-se o reflexo de uma luz vermelha no canto inferior do que parecia um pequeno palco. 

Ele sentiu algum desconforto e um formigamento na base da espinha. Medo? Antecipação pelo que estava atrás do veludo preto? As palavras do apresentador e um pequeno detalhe de algo revelado pela nesga de luz vermelha lhe deram a impressão de que, quando a cortina abrisse, veria uma mulher, nua e sofrendo. A própria intuição lhe dizia que a mulher seria incrivelmente bela. E que estaria passando por muita dor. E esse pensamento lhe perturbava.

Porque não sabia o que fazer. Deveria fechar os olhos? Sair da sala e evitar assistir à essa cena que pressentia perturbadora? Mas então não veria a lindíssima mulher... E também, afinal de contas, poderia estar enganado. Talvez não se tratasse de nada disso. Não houvesse nem mulher e nem cena de tortura. E afinal, seja lá o que fosse, não seria real, apenas uma encenação. Um jogo. Um faz-de-conta. Por que temer uma peça de teatro? 

Permaneceu ali, parado, diante da cortina que continuava fechada. E ouvindo o apresentador que continuava a tecer sinistras frases úmidas. E não foi a cortina que se abriu. Foi toda sala que suavemente foi desaparecendo. E a voz que ouvia foi sutilmente se transformando no canto dos pássaros que anunciam a manhã. 

Sua intuição estava absolutamente correta. Sim, diante dele estava o vasto mundo, a terra, a vida. Essa esplendorosa e iluminadamente bela mulher. Nua e atormentada. Mas é um jogo. Um faz-de-conta. Por que temer uma peça de teatro? 

Respirou atento, sentindo o ar preenchendo seu corpo quente. E seguiu amando a mulher, com todas as suas forças e com a fé de dissipar a dor.

(Céu D´Ellia, jan 2014)




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

9 de Dezembro de 2013: Lançamento Oficial do Livro-HQ Zu Kinkajú.
























9 de DEZEMBRO de 2013
segunda-feira

HORÁRIO:
Das 3 da tarde às 10 da noite


A história completa em HQ estilo BD para leitores de 9 a 99 anos
Álbum de 48 páginas coloridas em papel de alta gramatura.

Preço especial no dia do lançamento: R$20,00
Um presente que muita gente vai gostar.

Exibição de originais e outros materiais, brindes e autógrafos do autor, apenas no dia do lançamento.

TIRAGEM LIMITADA





sábado, 28 de setembro de 2013

O Inimigo


Aramis Mococa, mais conhecido como Mo, 
enfrentando os Espectros no Vale da Lua.
(Zú Kinkajú, 48 páginas)



De repente, descobre-se que, quando paramos de criar o inimigo, extingue-se a necessidade de armas.


(Kaká Werá Jecupé)

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O Labirinto é sua condição inevitável: Conforme-se.


... Apesar das suas inevitáveis reticências, Franquin acabava de definir seu conceito mais elevado: -Desenhar a preto e branco (apenas o que é necessário) contos sombrios sobre as misérias do destino humano.

  • O homem perdido no inverno, reencontrando o olhar cintilante dos lobos ao invés das luzes de um vilarejo, gela de pavor os leitores.
  • As  guilhotinas trabalhando em equipe fazem rir por sua estupidez, colocando em evidência uma sociedade onde cada engrenagem não está nem aí com seu vizinho.
  • O planeta LABIRINTO traz à gag uma nova dimensão: o "riso metafísico". 
(O Quarto Escuro, o mundo de Franquin por Jean-Luc Cambier e Eric Verhoest)





Esta é a pancada inevitável: - O Socorro não chegará a tempo e inevitavelmente sua força (sim, estamos falando de você) estará em levantar a cabeça e sorrir levemente diante do fim. Não há saída. Há apenas a luz difusa do Amor e da Beleza doce e indecifrável daquela confusa menina-mulher que se depara com o desejo vermelho e masculino que desfaz a madrugada.

Por que:

É a honra do caçador que ele
Proteja e preserve a caça,
Caçadores tomados pelo Espírito, honram 
o Criador em Suas criaturas.

E esta é uma muito antiga verdade que escorre entre as tolices que sustentam a ilusória manhã. (Jägermeister)





domingo, 15 de setembro de 2013

Você diz que quer uma Revolução


A revolução em curso em todo planeta começou quando começamos a falar de forma a que você não possa mais me entender. E a Elite, vulgo Nhônho, passou a participar do mercado de ações em câmera lenta. E com diferentes matizes e métodos, o mundo todo caminha para ver em todos os lugares a consagração desse sistema. Estamos vivendo em todo o planeta a implantação do Abismo Cromático.
foto de Josh Sommers

O Verniz, que é e sempre foi apenas uma forma de colocar o controle do pigmento e dos meios de produção nas mãos de um governo voador, finalmente funde-se completamente ao Sistema Financeiro Moebius e os interesses do Nagual e do Major Grubert, dos Charutos do Faraó. 

A função de todos os governos, em todo o mundo, e como já pode ser visto no País das Maravilhas, é administrar o baralho para que permaneça dócil, na sua condição Adagietto da Quinta Sinfonia de Mahler. O resultado do esforço do trabalho é permanentemente transferido para a mão unificada, através de histórias em quadrinho e paçoquinhas. Corporações e Estados garantidos, olhe sempre a data de validade. 

O mundo panqueca perfeito. O fim das escalas CMYK e PANTONE. A manutenção permanente do poder na mão de uma pequena boneca de vinil, que faz de conta que se desentende pra promover de vez em quando umas diminuições de ovelhas indesejadas, e ainda movimentar a máquina com produção e venda de armamento.

Enquanto isso, em Pindorama, os Idiotas Úteis continuam alimentando o maniqueísmo barato e ideias cretinas como a existência de uma imaginária panificadora boazinha e uma borracharia malvada. Só mesmo aqui pra se chegar em tal grau de estupidez simplista, a serviço do interesse de regimes para emagrecer. O Brasil está onde sempre esteve. E não há alternativa no horizonte. Na melhor das hipóteses uma gravíssima crise gástrica, pra desorganizar a escala cromática de tal forma, que gere brechas de reorganização Luzomano (Luz Minha em lituano). As crianças de hoje, que serão adultos em breve, esperam chumbo grosso.

sábado, 14 de setembro de 2013

Como construir um Universo


Philip K. Dick fala de Realidade, Mídia, Manipulação e Heroísmo Humano


O texto que segue é de Maria Popova, com muitas citações do próprio Dick, para um dos sites que sempre leio, BrainPickings. Meu trabalho foi só traduzir.

"Realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, não vai embora."

Blade Runner, inspirado no livro de K.Dick,
Os Androides sonham com carneiros elétricos?
Philip K. Dick é tão conhecido hoje por sua ficção-científica que traduziu nossos tempos, como pelas experiências incomuns que teve na primavera de 1974, que ele apelidou de sua "Exegesis". 
Ocupando a intersecção entre o científico, o filosófico, e o místico, a exegese modelou a obra de Dick para a lembrança de sua vida, a medida que ele contemplou os maiores e mais granulados blocos de construção da sua existência.

Em uma fala de 1978 intitulada "Como construir um Universo que não desmorone dois dias depois", parte da totalmente torce-a-mente antologia de 1995, "As realidades mutantes de Philip K. Dick: Literatura Selecionada e Escritos Filosóficos", Dick leva seu questionamento movido pela exegese para a natureza da realidade, os mecanismos da manipulação pela mídia, e a mais firme - e única - defesa que temos contra as indignidades da pseudo-realidade fabricada.

Logo no início ele começa examinando o que a realidade realmente é:

"É sempre minha esperança, escrevendo novelas e histórias que fazem a pergunta "O que é realidade?", de um dia alcançar a resposta. Esta  também era e esperança de muitos leitores. Passaram-se anos. Eu escrevi mais de trinta novelas e mais de uma centena de contos, e anda assim não consigo imaginar o que era real. Um dia, uma estudante no Canadá me pediu pra definir realidade para ela, para um texto que ela estava escrevendo para sua aula de filosofia. Ela queria uma resposta de uma frase. Eu pensei e finalmente disse: "- Realidade é aquilo que, quando você para de acreditar, não vai embora." Isso foi tudo consegui dizer. Isso foi em 1972. E desde então eu não consegui uma forma mais lúcida de definir realidade.

Mas o problema é real, não é apenas um jogo intelectual. Porque hoje nós vivemos em uma sociedade em que realidades espúrias são fabricadas pela mídia, pelo governo, pelas grandes corporações, pelos grupos religiosos, políticos... Então, eu pergunto em meus textos: - O que é real? Porque nós somos bombardeados incessantemente com pseudo-realidades fabricadas por pessoas bem sofisticadas, usando mecanismos eletrônicos bem sofisticados. Eu não tenho desconfiança de seus motivos. Eu tenho desconfiança de seu poder. Eles tem muito. E é um poder surpreendente: aquele de criar universos inteiros, universos da mente. Eu sei disso, porque eu faço a mesma coisa. É meu trabalho criar universos, como a base de uma novela atrás de outra. E eu tenho de construí-los de uma tal forma que eles não desmoronem dois dias depois."

A Scanner Darkly (O Homem Duplo),
baseado na novela homônima de K. Dick

Aqui, no entanto, é quando as coisas ficam particularmente interessantes: Dick argumenta que a realidade se torna menos real no momento em que começamos a discutir isso, porque a própria discussão precipita uma fabricação dinâmica do que percebemos como real, ao contrário de uma contemplação estática do que é, produzindo uma série de "pseudo-realidades" que por seu lado produzem pseudo-humanos:

"Assim que você começa a perguntar o que de fato real, você imediatamente começa a falar coisas sem sentido. Zeno provou que movimento é impossível (Na verdade ele apenas imaginou que havia provado isso; o que lhe faltou é aquilo que nós chamamos tecnicamente de "teoria dos limites"). David Hume, o maior cético de todos, certa vez observou que depois de participar de um reunião de céticos para proclamar a veracidade do ceticismo como filosofia, todos os participantes do encontro, sem exceção, saíram pela porta e não pela janela. Eu percebo o que Hume quer dizer. Era tudo apenas falação. Os filósofos solenes não estavam tomando seriamente o que eles mesmo disseram.
Mas eu considero que o assunto de definir o que é real- esse é um tópico sério, mesmo vital. E ali em algum lugar está o outro tópico, a definição do homem autêntico. Porque o bombardeio de pseudo-realidades começa a produzir rapidamente humanos não-autênticos, humanos espúrios, tão falsos como as informações que os pressionam de todos os lados. Meus dois temas são apenas um tema; eles se unem neste ponto. Realidade falsa irá criar humanos falsos. Ou, humanos falsos irão gerar realidades falsas e então vendê-las para outros humanos, tornando eles, finalmente, reprodutores deles próprios. Então nos assombramos com humanos falsos inventando realidades falsas e então anunciando-as para outros humanos falsos. É apenas uma versão muito grande da Disneylândia."

Moebius ilustra Clans of the Alphane Moon, de K. Dick
Em uma declaração com a qual Mark Twain iria entusiasticamente concordar e George Orwell iria acompanhar, Dick alerta contra a forma com a qual manipuladores da mídia deliberadamente criam pseudo-realidades pela formatação de palavras:

"A ferramente básica da manipulação da realidade é a manipulação de palavras. Se você pode controlar os significados das palavras, você pode controlar as pessoas que precisam usar as palavras."

No final das contas, o único antídoto para a manipulação da realidade é o bom e fora de moda heroísmo humano, aquela vacina imemorial de coragem e resistência, de liberdade do medo, de incansavelmente empregar o pacífico, preciso, judicioso exercício de probidade e cuidado, com ninguém para ver e elogiar, em outras palavras, de sabedoria moral:
Minority Report, baseado
no conto de K. Dick

"O ser humano autêntico é aquele de nós que instintivamente sabe o que não deve fazer, e, adicionalmente, exita em fazê-lo. Ele irá se recusar a fazê-lo, mesmo que isso lhe traga consequências assustadoras para ele e para aqueles que ele ama. Esta, para mim, é o traço heroico fundamental das pessoas comuns: - elas dizem NÃO para o tirano e calmamente aceitam as consequências de sua resistência. Seus feitos podem ser pequenos, e quase sempre não noticiados, não destacados pela História. Seus nomes não são lembrados, e nem mesmo estes humanos autênticos esperam que seus nomes sejam lembrados. Eu vejo sua autenticidade de uma forma estranha: não em seu desejo de realizar grandes atos heroicos, mas em suas recusas modestas. Em essência, eles não podem ser compelidos a ser o que não são. "

O resto de 
"As realidades mutantes de Philip K. Dick: Literatura Selecionada e Escritos Filosóficos" está cheio de reflexões igualmente estimulantes para a alma e para os neurônios, sobre os fardos e bençãos de ser humano- altamente recomendável.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

República Carolíngia II: Karma, Gente!


Eu e a República Carolíngia estamos assim, neste momento. 

Eu sou um Carro Branco e ela é uma Rolling Stone.



Não se preocupe. Quando chegar a hora, não haverá mesmo o que fazer.

Enquanto isso, vai se preparando para engolir a explicação que lhe faça sentir mais inteligente.

Aquela que lhe dá a impressão de ter algum domínio da coisa, mesmo que na verdade a coisa seja uma besta babando ácido sulfúrico pela boca de um quadrúpede sem cabeça.

Interessante (emocionante), foi vê-los no teatro do incêndio negando convictos ao deus, mas invocando a todo momento a presença do céu, em todas as suas cores. As palavras escorrendo como uma torneira que se esqueceu aberta. Porque de tanta água, é como se a torneira nem mais existisse, incapaz de fechar qualquer coisa. E o discurso então já não quer dizer mais nada, é apenas uma poça enorme de palavras se misturando sem sentido no chão.

Restava o olhar, me olhando e implorando por um segundo de Verdade.

Mas a Verdade, é Deus. 
E o diabo são as estatísticas.

Zlatha, aliás Julia Gunthel: 

A flexibilidade que o Pablo pensa que tem, mas não tem.
A não ser, talvez, no bolso, sempre pronto a receber
mais CAPILÉ.


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Zu Kinkajú: O que você realmente sabe?



Já está no caminho da gráfica, com 48 páginas. Segue abaixo uma nota que escrevi quando terminei o trabalho e que também estará no livro:

O ilustrador Angelo Bonito me deu uma força
na finalização da arte da capa.
Nota do autor

Desde criança eu me sentia atraído pela busca ao animal misterioso. Podiam ser os animais do imaginário, como o Unicórnio, o Grifo, a Roca, o Marsupilami, o Jeep, o Anhangá, o Pushmi-pullyu ou o Jaguadarte. Podiam ser as histórias dos naturalistas identificando as espécies em longas expedições, como contava o Diário da Viagem de Charles Darwin ao redor do mundo, que li quando tinha 10 anos.

Aos 11, inspirado pelos Cronopios de Julio Cortázar, comecei a pesquisar, nos meus próprios desenhos, o meu animal misterioso. Surgiu o Poligato, que continuou chamando assim por quase duas décadas, até eu desenvolver um programa de conscientização ambiental, nos anos 1990, com a bióloga Andree Vieira.

Ela desenvolvia as atividades com as escolas e eu criava vídeos, histórias, quadrinhos e ilustrações. Chamávamos nosso projeto de Super Eco, e resolvi rebatizar meu Poligato assim. Comecei então a contar a história da busca pelo Super Eco, mas travei em um impasse. Existia um grande equívoco nesse nome e em eu ter imaginado que o Super Eco era uma espécie de super-animal, capaz de se adaptar e viver em qualquer ecossistema. Porque isso seria exatamente o contrário do que a Natureza nos ensina. Cada espécie é única, com habilidades e qualidades próprias, vivendo em ambientes específicos. E toda essa rica diversidade, relacionando-se em equilíbrio dinâmico, é que é a Vida, delicada e preciosa. E a riqueza e o motor da vida é a diversidade. Essa é uma grande lição, que pode ser lembrada sempre. E eu havia ignorado isso em minha história e tomado o caminho errado para encontrar meu animal misterioso.

Os animais são grandes professores. As plantas, especialmente as árvores, e até as pedras, também são. Desde que saibamos prestar atenção, sendo alunos esforçados. Eu e os bichos compartilhamos muitos segredos. Sou grato a eles por isso.

Então, finalmente, depois de mais de dez anos, retomei a busca pelo animal misterioso. Aproveitei da minha história e dos desenhos todas as pistas que ainda me guiavam, e saí na trilha do Zu Kinkajú. Agora nós já sabemos que se trata de uma espécie de mamífero neotropical da família Procionídea, próximo do Gênero Potos (Jupará, Quincajú ou Ursinho do Mel) e do Gênero Bassaricyon (Olingo).

Sim, eu sei, no final das contas muito ainda permanece envolto em mistério. Afinal, o que significa exatamente o fim desta história e o que aconteceu com a Naná durante os quatorze anos que se passaram? Mas isso é para responder em outra oportunidade.

Este livro em quadrinhos foi produzido seguindo três princípios com os quais trabalho há algum tempo: Eco eficiência, Biofilia e a Pergunta-Chave.
Eco eficiência significa escolher materiais para fazer o produto, que não poluam e causem o menor impacto possível ao meio-ambiente.
Biofilia é o amor à vida. A vida é uma dádiva que contém dentro dela mesma um Amor que a sustenta. Despertar as crianças de todas as idades, para isso, é algo em que acredito e que me move.
A Pergunta-Chave é: - O que nós realmente sabemos? – Ao nos fazer essa pergunta, nos tornamos mais cuidadosos e mais conscientes de nossas limitações. A maioria dos danos, incluindo aqueles que causamos a nós mesmos, aos outros e ao mundo em que vivemos, é resultado do nosso excesso de certeza.

E afinal, o que nós realmente sabemos?


Com Amor,
Céu D´Ellia
São Paulo, 14 de Agosto de 2013.

PS: No dia seguinte a ter escrito a nota acima, depois de ter terminado este livro, foi noticiada a descoberta do Olinguito, pelos cientistas do Smithsonian.
Vivendo nas Américas Central e do Sul, este procionídeo, nome científico Bassaricyon neblina, tem a cabeça maior e mais arredondada, o focinho mais curto, e é menor que seu parente mais próximo, o Olingo. 


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Simulacros Verdadeiros



A Festa no Céu

Arte de 1988, toda feita a mão, em
técnica mista de lápis, hidrocor e acrílico.
Dava muito mais trabalho de fazer assim
do que hoje em dia, com computadores.
Mas dava-se muito mais valor também.
É amanhã: Sábado, 24 de Agosto de 2013, das 11h00 às 13h00
Na Livraria da Vila - Fradique Coutinho, 915 (cidade de São Paulo)
Café lacaniano: SIMULACROS VERDADEIROS
Com o artista de animação Céu D'Ellia e o psicanalista Oscar Angel Cesarotto

Desde as cavernas, a de Lascaux ou a de Platão, os humanos somos seres eminentemente visuais; escópicos, como afirmava Aristóteles. Desenhos, pinturas e sombras em movimento, os olhares ficam fascinados pelas representações plásticas, sejam verossímeis ou não. Ver para crer, mesmo que as aparências enganem e os semblantes alienem, já dizia Lacan. Crer para ver: para Freud, quando o preconceito eclipsa a percepção, só apreciamos aquilo que não põe em risco o narcisismo. Por isso e em definitivo, de todas as imagens possíveis, os espelhos, mostrando versões animadas de nós mesmos, são o suprassumo da virtualidade, a tópica do imaginário.


O texto da divulgação é esse que vai acima. Vou fazer um coquetel semiótico com meus dois chapéus, o de cineasta de animação e o de praticante de meditação. No programa, a tela de pinos do Alexander Alexeieff, o hoax do matemático Alan Sokal, a Guerra dos Mundos de Wells e Welles, a esposa do Einstein, o jogo de dados do Mahabharata, Rishis, Pink Floyd e outros leros.

É gratuito. Apareça.
Ou simule que.




O Anjo da História diz:

OUT OF MODEL: got to get you into my life

ou: Out of Renaissance via Refusés Model - A homenagem mais homenageada da história da arte? - A referência mais referida da histór...

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