terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

XXIth Century FAUNA

..ou O Homem é o Único Animal que PROCRASTINA


Pra ilustrar o que vai abaixo, só invocando um desenho do Oscar Grillo:


Procrastinando encerrar o dia, descubro um site, muito bem feito, que oferece soldados profissionais para contratação: 



Está precisando?...

... e sempre surpreso com a extensão da diversidade humana, procrastino mais um pouquinho e resolvo ler a página de pessoas desconhecidas no Facebook e imaginar como são. Encontro uma jovem formada há pouco na USP e que faz parte de uns grupos pró CUT, pró comunismo, pró MST e pró Cuba. Até aí tudo... coerente, vamos dizer assim.


Mas a tal jovem fez um quizz e deu que o escritor que mais se parece com ela é o Nelson Rodrigues...


Acho que só o próprio Nelson Rodrigues ia saber me explicar essa.

Como diriam Biafra (o salafra), Oswaldo e Wandi, o Grandi: - Vai, vai Laurindo! Você é gente. Você é quase lindo!

Melhor procrastinar de novo e assistir este filme:







sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Animação Canadense

FAZEN’DESENHANIMADO no Núcleo Paulistano de Animação do CCJ
Convidados conversam com o público, apresentam filmes, respondem perguntas, falam de suas idéias e experiências.
 
Sábado, Dia 6 de Março 

FAZEN’DESENHANIMADO NO CANADÁ
Entrada FRANCA

15h30: Exibição de animações de Norman McLaren e debate
16h30: Bate papo com Fernanda Whitaker, do Consulado do Canadá. A situação atual da indústria de animação canadense, os centros de pesquisa e experimentação, escolas especializadas, acordos de co-produção e intercâmbio com o Brasil.
Mostra de animações contemporâneas:
O stop motion de tirar o fôlego de MADAME TUTLI-PUTLI, de Lavis & Szczerbowski
O design  de Marv Newland em TÊTE À TÊTE À TÊTE, que influenciou as novas gerações do cartoon.
As sacadas  no mass media de McGills & Pertsch em TOTAL DRAMA ISLAND (ILHA DOS DESAFIOS).

Núcleo Paulistano de Animação no CCJ
Curadoria: Céu D’Ellia

No próximo dia 6 de Março voltam as atividades do Núcleo que estou colaborando pra implantar em São Paulo. O ano promete e, tudo correndo bem, muita coisa interessante vai acontecer, envolvendo toda a cidade. Por hora, voltamos com os bate-papos abertos a todo público. Além dos convidados, vamos ter sempre uma hora a mais de exibição de filmes, com debate. Pra abrir isso, nada melhor que um tributo a McLaren, um dos primeiros artistas a enxergar o lado plástico do tempo. Ainda não escolhi os filmes dele que vamos exibir, mas graças ao Consulado do Canadá estamos com a obra completa de McLaren e mais alguns extras no gatilho.
A Fernanda Whitaker vai apresentar um panorama da indústria de animação canadense contemporânea. E isso significa não só a pesquisa e o experimentalismo, mas uma atividade de ponta, bem estruturada e apoiada pelo poder público. Pra ilustrar sua fala, três filmes:
Madame Tutli-Putli será exibido integralmente e é uma obra técnicamente impecável, misturando stop-motion com inserções de live action digital.
Marv Newland está desde a década de 80 pesquisando um estilo de design que mistura cartum retrô com arte contemporânea. Muita coisa veio dessa escola, inclusive o popularésimo Bob Sponja. A primeira vez que encontrei com o Marv, foi em Zagreb, em 1985. Sempre um cara bem humorado. Em uma visita mais recente a ele, em Vancouver, me pediu pra reenviar-lhe um cartão postal que ele mesmo tinha desenhado. O cartão postal era a fase de uma animação. Cada fase seria postada de um lugar diferente do mundo e o barato seria filmar os desenhos e ver o que aconteceria com os selos e carimbos do correio dos diferentes lugares interagindo com a animação pré-desenhada. Deu pra entender? Ainda não vi o que aconteceu, mas foi a colaboração mais exótica que me pediram pra fazer em um filme até hoje. Mas o que esperar de um sujeito que se consagrou com um curta chamado Bambi encontra Godzilla?
E vamos exibir ao menos um trecho de Total Drama Island. A série já foi exibida no Brasil, ano passado, na Cartoon. Está agora no Boomerang. Conheci o Tom McGills em Toronto e conversamos algumas vezes, por um bom tempo. É impressionante a energia desse sujeito e a corte que ele tem na comunicação de massa. Ele sabe muito bem o que está fazendo e que o significa lidar com o main stream. Essa série em particular é uma paródia dos reality shows. Uma crítica mordaz ao jeito de pensar dos jovens adultos, sempre apegados a padrões de comportamento e carência de afirmação.
Tem muito mais, mas fica pra quem for participar do debate.


C C J
http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br
Av. Deputado Emílio Carlos, 3641 - Vila Nova Cachoeirinha
(11) 3984 2466
(ao lado do terminal de ônibus Cachoeirinha)







sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Os óio se enche d'água




Desenho: Céu D'Ellia

Ai, ai, ai...
Dia 9 de Fevereiro passado, Pena Branca despediu da parentaia. Foi encontrar seu irmão, Xavantinho, e tenho certeza que, juntinhos, vão cantar e tocar viola pra anju ninhum mó di butá defeitu.
Eita!! Como eu gosto dos cantos e toadas desses dois!
Vou até colocar uns desenhinhos que fiz duas décadas atrás, com uma das versões mais remotas do Yandú recebendo mensagem da Senhora Mãe, através de um cuitelinho.
(- Senhora Mãe? Pelo Avô Yandú, grande é o poder da Mãe do Mundo- , diria meu amigo do peito e de Mãmmãmbugé.)
Porque se tem alguém bom de entregar mensagem dessa Senhora, é o cuitelinho, que não gosta que botão de rosa caia, ai, ai, ai:


Desenho: Céu D'Ellia

Cuitelinho
Cancioneiro Popular
colhida por Paulo Vanzolini/ Antônio Xandó, 
imortalizada e acrescida por
Pena Branca & Xavantinho

Cheguei na beira do porto
Onde as ondas se espáia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ai, ai, ai
Aí quando eu vim de minha terra
Despedi da parentaia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaias
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes bataia, ai, ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de navaia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
Os óio se enche d`água
Que até a vista se atrapaia, ai, ai, ai


Eu vou pegar seu retratinho
Colocar numa medalha
Com seu vestidinho branco
Com o laço de cambraia
Colocá-lo em meu peito
Onde o coração trabaia, ai, ai, ai



sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sri Sarada Devi





Santa Mãe Sri Sarada Devi (1853-1920) foi esposa de Sri Ramakrishna.
Algumas instruções de meditação  e aforismas de sua autoria:


Pratique a meditação.
Gradualmente, sua mente ficará tão tranqüila e concentrada que você achará difícil parar de meditar.

Será que o valor de uma coisa deve ser medido pelo seu preço?
O que realmente conta é o amor e a devoção com que ela é oferecida.

Sabemos que sob o impacto de uma forte emoção muitos já realizaram grandes obras.
Contudo, a verdadeira natureza de um homem revela-se na forma pela qual ele desempenha suas tarefas cotidianas, por mais insignificantes que possam parecer.

Será que alguém que não tenha compaixão pode ser considerado um ser humano?
Na verdade trata-se de um animal irracional.

Para as práticas espirutuais é essencial buscar um lugar retirado.
Quando a planta é jovem, precisa de uma cerca ao seu redor para protegê-la.
Quando cresce, porém, o gado já não pode afetá-la.
Da mesma forma, após praticar a meditação durante alguns anos, a mente se estrutura e, a partir daí, é possível permanecer em qualquer lugar ou estar com qualquer pessoa sem que a mente seja afetada.


sábado, 23 de janeiro de 2010

O MÁXIMO


                                                                                                               


Eu tinha todos os títulos pra escolher e todos seriam O Máximo. É a confiança na vida e a mais profunda concentração na dança.
Os Fortes são realmente fortes e bizarros. Diante dos deuses atrozes são bárbaros, inimigos ferozes. Do inesgotável desenho animado. Dos traços humanos, tão desesperados, dentro entorno do homem quebrado rodam os fracos aos pedaços. Pedaços de homens derrotados. E mulheres aos pedaços. Pisoteadas, meditabundas, neurastenicas e ultrajadas.
Quem é Fraco não ataca. O fraco é aquele que não fere ninguém. No máximo o fraco recebe um pedaço de pão. Na cara.
Até Deus tem o seu inferno. Seu inferno é seu Amor aos homens. 
Eu prefiro gostar de outra gente. Quiz e quero criaturas valentes. Procuro e encontro pessoas, saindo de outras pessoas. Hebreus, romanos e zulus. Ets, aztecas e germânicos. Mau-maus e os esquimós. Heróis homéricos e nós. Pigmeus, chineses e cubanos. Polacos, ciganos e javaneses.
Até Deus tem o seu inferno. Seu inferno é seu Amor aos homens. Eu tinha todos os títulos pra escolher.
E todos seriam O MÁXIMO.


(Hamilton Vaz Pereira)


A primeira foto, feita na Raposa Serra do Sol, em Roraima é do fotógrafo Luiz Vasconcelos, via World Press. A foto seguinte é minha. Nos Himalayas indianos, perto de Rudraprayag. Carregando seu filho nas costas, a mãe trabalha quebrando pedras na obra de pavimentação da estrada. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Asterix no Brasil

QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS ! *I


A GRANDE TRAVESSIA*IX

Traduzir Asterix não é uma tarefa tão fácil. Goscinny gostava muito de fazer jogos de palavras, absolutamente intraduzíveis. Da mesma forma, Uderzo desenha muitos de seus personagens como caricaturas de personalidades francêsas desconhecidas no Brasil.
Ainda assim, é a parte universal do tão regional Asterix que cativa todos os leitores, inclusive os brasileiros. Em uma edição deste ano (2001, quando foi escrito este texto), a revista “República” fez referência a Asterix em sua capa. Confirmando o significado iconográfico de Asterix, a revista representou o presidente dos Estados Unidos como Júlio César e sua legião, e o presidente Fernando Henrique e sua equipe econômica como Asterix e seus amigos. Uma clara referência à globalização e a resistência (bem menos irredútivel) da frágil aldeia.
Asterix é um marco internacional dos quadrinhos. É um clássico da década de 60 e 70, com suas vinte e quatro aventuras . Os sete álbuns produzidos em solo, por Uderzo, entre 1980 e 2001, são bastante diferentes dos anteriores e dividem opiniões. Mas Asterix já conquistou seu espaço definitivamente na história da literatura gráfica.
Através da obra de Goscinny e Uderzo, o leitor brasileiro se inicia em uma linguagem de história em quadrinhos, o estilo europa. O conhecimento dessa linguagem permite o acesso a diversos outros autores, de todo o mundo, igualmente importantes, que também trabalham com a mesma linguagem.
E direcionada a outros objetivos que nem sempre o humor. Além dos citados anteriormente, temos também, por exemplo, Tardi, Moebius, Hermann, Cosey, Jodorowsky, Cadelo, Fred, Chaland, Boucq, Cabanes, Meziéres, Christin, Yann, Pratt, Swarte, etc e etc. Um universo que se desdobra em crítica social, registro histórico, ficção científica e poesia. Trabalhos que envolvem  elaborada pesquisa gráfica e narrativa.
A tradicional forma estadunidense de quadrinhos, os “comics”, com seus super-heróis hipertróficos  que vivem dramas como “minha namorada brigou comigo ontem porque não pude ir no cinema com ela porque estava salvando o planeta” sofreram influência do estilo europa a partir dos anos 70.
Já na década de 80 os comics estadunidenses evoluiram para formas gráficas mais sofisticadas. Ou ainda, por desenvolvimento do underground dos EUA e por influência do estilo europa, fizeram evoluir uma nova tendência chamada pós-literatura, representada por autores como Spiegelman, Sacco, Jeff Smith, Allred e os irmãos Hernandez, por exemplo.
Para os autores brasileiros de quadrinhos, conhecer essa diversidade é uma forma de enxergar além do universo limitado dos super-heróis. O fato de Asterix ter conquistado o sucesso inicial em seu país,incluindo raízes folclóricas francêsas em seus ingredientes, é um dado a se considerar. Fazer quadrinhos pode ser mais do que fazer histórias de gente musculosa que solta raios.
Também é interessante que Asterix tenha conquistado um público de todas as idades. Seus autores conseguiram produzir uma obra que é igualmente interessante para crianças e adultos. Isso demonstra que é possível produzir um trabalho adulto, sem se fixar  obrigatoriamente em sangue, sexo, cinismo e depressão.

I-QUE O CÉV NÃO CAIA SOBRE NOSSAS CABEÇAS ! Os gauleses de Asterix são destemidos e só tem medo de uma coisa - Que o céu lhes caia na cabeça.
Este conjunto de textos foi escrito em 2001, pouco depois do ataque às Torres Gêmeas. Deveriam ser a linha guia de uma exposição no Centro Cultural São Paulo, sobre a BD francófona. Mas a mesma foi cancelada devido ao argumento, do então cônsul francês em São Paulo, que a BD na França já não tinha mais importância e seria melhor organizar um evento de hip hop. A conclusão a que cheguei depois dessa fala, é de que o governo francês não é muito criterioso na escolha de seus representantes no Brasil.

IX-A GRANDE TRAVESSIA Título da vigésima segunda aventura (1975). O que se atravessa, no caso, é o Oceano Atlântico. Asterix, Obelix e Idéiafix chegam à América quinze séculos antes de Colombo. Acham que os índios são um tipo de romano da Trácia e voltam para casa, indiferentes.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A folha vai. A noite ia.



EPIGRAMA N.o 9
O vento voa,
a noite toda se atordoa,
a folha cai.
Haverá mesmo algum pensamento
sobre essa noite? sobre esse vento?
sobre essa folha que se vai?

ALTA NOITE
Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava.
no caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia, ninguém com os pés na água.
Nenhuma pessoa sozinha ia, nenhuma pessoa vinha.
nem a manhãzinha, nem a madrugada,
nem a estrela guia, nem a estrela d’alva,
Alta noite já se ia, ninguém na estrada andava.
no caminho que ninguém caminha, alta noite já se ia, ninguém com os pés na água.

(Epigrama N.o 9 de Cecília Meireles/ Alta Noite de Arnaldo Antunes)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

+ Animação Experimental


Mais um exemplo.
Trabalho de graduação de Ian Mackinnon, Royal College of Arts, London, UK.
Indicação do Raff Ribeiro e do Picles de Binóculos:

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Animação Experimental



No post de 22 de Novembro - Minha crise de logorréia 12.943 e meio - , eu respondi à Gordeeff que a essência da animação como arte é refletir sobre a limitação da percepção humana. Mas que pouquíssimas obras foram ou são realizadas nesse sentido.
Então olha esse filme abaixo. Na verdade trechos de uma performance dos graduandos de Animação Experimental MFA class da Cal Arts.  Já deu no Cartoon Brew, mas acho que vale a pena replicar aqui:

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Anjo da História diz:

OUT OF MODEL: got to get you into my life

ou: Out of Renaissance via Refusés Model - A homenagem mais homenageada da história da arte? - A referência mais referida da histór...

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