Seres humanos, inclusive crianças, sendo exterminados como ratos, neste exato momento, no Brasil? E isso não está na primeira página de todos os jornais, todos os dias, por que? Por que esse descaso com os indígenas isolados do Javari? 

Nós não aprendemos nada com o massacre dos Pataxó em 1951? Dos Yanomami em 1993? E quantos outros, que são fantasmas presentes no karma de nossa história?


Qual o objetivo desse massacre? Quem está interessado nessas mortes?
 

Essa coisa, estranhamente apelidada Governo Temer, esvaziou os recursos que protegiam a floresta do Vale do Javari e seus moradores, brasileiros inocentes. E fala-se em atrasar as investigações, sabendo-se que os corpos desaparecem rapidamente na floresta. 

E antes que os que gritam “Fora Temer” se inflamem porque questiono (mais até a própria existência, do que a legitimidade) desse suposto presidente, não vamos nos esquecer de Belo Monte. E das costas voltadas a Altamira, e aos legítimos direitos constitucionais dos indígenas do Xingú afetados pela barragem. Quantos de vocês não desprezaram quem denunciou os crimes cometidos então, a pretexto de blindar a Sra. Rousseff e seu mentor?


A realidade é que essas barbáries não se resumem aos interesses mesquinhos que governam o Brasil. A floresta não é depredada por tecnologia obsoleta, e os indígenas exterminados como praga, apenas por causa do apelo do dinheiro de mineradoras internacionais, que enriquece tão somente a meia dúzia de sempre. Há muito mais aí. 


Há o preconceito contra os povos indígenas. Há o desprezo por sua sabedoria, seu conhecimento, sua espiritualidade, seus valores, seu direito de serem considerados seres humanos iguais aos outros.


O racismo contra os povos indígenas é tão imensamente grande, que nem é percebido. Não há referencia para essa consciência. 


Simplesmente porque ainda repetimos a mesma convicção civilizatória de sempre. Nossa velha arrogância, de sempre. Como se esta nossa pretensa civilização não estivesse na eminência de conhecer apenas seus próprios escombros. Como se os medicamentos apenas acessíveis a quem tem muito dinheiro, e o ópio legalizado dos gadgets eletrônicos e dos super-heróis de araque, acrescentassem uma gota de paz a este mundo. Como se os discursos intelectuais dos tão sabidos estivessem alguma vez livres do seu próprio veneno narcísico.


Como se esse modelo falido justificasse o extermínio daqueles que nunca se renderam a essa ilusão. 


Enquanto continuamos a ladrar uns contra os outros nas redes sociais, e testemunhamos, cúmplices, psicopatas de todos os matizes tomarem o poder em governos de todo o mundo, também podemos olhar com novos olhos os indígenas do Brasil. Ter um gesto de humanidade e deter, imediatamente, essa atrocidade no oeste do Amazonas. Há muito mais em jogo do que talvez sequer possamos entender.


Não haverá Brasil enquanto não existir respeito pelos povos indígenas.

Talvez algumas crianças agradeçam a gente um dia.


Sampa, 5 Out 2017, Céu D’Ellia
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Amazonia Real, Trata-se de vidas humanas
ISA, Isolados e desprotegidos

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